Na comparação com o mesmo mês do ano passado, queda foi de 2,5% – Divulgação

A produção industrial brasileira caiu 0,3% em julho, na comparação com junho, segundo divulgou nesta terça-feira (3) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da terceira queda mensal seguida.

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a queda foi ainda maior, de 2,5%.

No acumulado no ano, o tombo chega a 1,7%. Em 12 meses, a produção industrial mostra uma perda ainda maior de ritmo, ao passar de -0,8% em junho para -1,3% em julho, permanecendo em trajetória descendente

Com o resultado de julho, o patamar da produção industrial no Brasil está 18,3% abaixo do pico mais alto do indicador, registrado em maio de 2011.

11 dos 26 ramos pesquisados registraram queda
Segundo o IBGE, 11 dos 26 ramos pesquisados mostraram quedas na produção, ante um recuo em 17 setores no mês anterior.

“O que há de diferente deste resultado de julho em relação às quedas de maio e junho é o fato de que o recuo desse mês ficou mais concentrado, com um número maior de atividades crescendo na margem”, apontou o gerente da pesquisa, André Macedo.

As principais quedas em julho foram na produção de produtos químicos (-2,6%), bebidas (-4,0%) e produtos alimentícios (-1,0%).

No acumulado no ano, 14 dos 26 ramos, 43 dos 79 grupos e 53,3% dos 805 produtos pesquisados acumulam quedas.

Entre as atividades, indústrias extrativas (-12,1%) permanecem como a maior influência negativa em 2019, ainda como reflexo da tragédia de Brumadinho (MG) na produção de minério de ferro da Vale. Os outras quedas mais significativas foram nos ramos de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,4%), de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-9,8%), de outros equipamentos de transporte (-11,4%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-4,7%), de celulose, papel e produtos de papel (-2,5%), de produtos de borracha e de material plástico (-1,9%) e de produtos de madeira (-5,5%).

Perspectivas
A produção industrial no ano tem sido afetada pelo ritmo mais fraco de recuperação da economia, pela queda das exportações para a Argentina e pelos reflexos da tragédia de Brumadinho (MG)

O Produto Interno Bruto (PIB) da indústria registrou alta de 0,7% no 2º trimestre, depois de dois trimestres consecutivos de queda, sustentado principalmente pela reação da construção civil e da indústria de transformação. Apesar do setor ter conseguido sair da recessão técnica, a piora no cenário externo ainda traz incertezas para o segundo semestre, em meio à recessão da Argentina, acirramento da guerra comercial entre China e Estados Unidos e temores de uma nova recessão global.

Os economistas das instituições financeiras projetam um cenário de estagnação para a produção industrial no ano, de alta de 0,08%, segundo pesquisa Focus do Banco Central. Para o resultado do PIB de 2019 do Brasil, a previsão atual do mercado é de uma alta de 0,87%.

Do G1

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