Como o Aedes Aegypti é o vetor para as três doenças, a Secretaria de Saúde tem empenhado ações de bloqueio mecânico/químico em regiões prioritárias, visitação domiciliar e eliminação de focos 

Ações de combate ao Aedes em Dourados tem sido intensas e a diminuição de casos de zika e dengue é fruto disso – Foto: A. Frota

O Núcleo de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Dourados divulgou nota informativa com esclarecimentos e números sobre casos de dengue, zika vírus e febre chikungunya no município, pontuando as ações de combate que têm sido empregadas e solicitando à população que mantenha a contribuição na luta contra o mosquito transmissor destas doenças, para que as conquistas até aqui se mantenham.

Como o Aedes Aegypti é o vetor para as três doenças, a Secretaria Municipal de Saúde tem empenhado ações no combate ao mosquito através do Centro de Controle de Vetores, com efetivação de bloqueio mecânico/químico em regiões prioritárias, com visitação domiciliar e eliminação de focos, aplicação de larvicidas e até a notificação de proprietários.

“São muitas ações ao longo do último ano e neste, o que tem gerado dados positivos. É claro que queremos manter estes índices e diminuí-los, contando com o apoio da população que é fundamental neste processo”, disse o secretário de Saúde, Renato Vidigal. Todo o trabalho necessário está sendo realizado para que não ocorra elevação de casos no próximo verão e outras ações estratégicas poderão ser aplicadas conforme a necessidade. No entanto, a colaboração da população é ressaltada pela secretaria como fundamental para “vencer a guerra contra o mosquito”.

Segundo gráficos com a série histórica de casos das três doenças nos últimos anos (as três ocorrem concomitantemente), as ocorrências de dengue e zika vírus estão controladas. Segundo os dados, são 59 casos notificados e 12 casos confirmados de dengue este ano. A título de comparação, há dois anos, em 2016, eram 5351 casos notificados e 3815 confirmados. Já em 2017, uma diminuição considerável foi possível, com 176 casos notificados e 21 confirmados.

“A dengue já é uma doença conhecida da nossa população, mas agora temos a incidência de mais duas doenças. Em relação à dengue, presenciamos uma diminuição drástica dos casos devido aos trabalhos de combate ao mosquito e precisamos da ajuda de todos para manter este declínio”, avalia Vidigal.

Em relação ao zika vírus, nenhum caso foi considerado positivo para a ocorrência. Para se ter ideia, em 2016 eram 18 ocorrências da doença na cidade, número que caiu para 2 no ano passado e agora, nenhum. “Isto é muito importante porque o zika, embora não seja uma doença que traga muitos sintomas, pode acarretar microcefalia em crianças quando acomete gestantes. Então é uma vitória”, reforça o secretário.

A atenção mais redobrada, segundo a Secretaria de Saúde, é em relação às ocorrências de febre chikungunya. Segundo o boletim da semana 17, são 61 notificações para 42 casos confirmados da doença em 2018, um aumento significativo, já que no ano passado eram 38 casos notificados, com 3 confirmados. “A secretaria estuda como pode ter havido um crescimento nos casos desta doença se as outras diminuíram, sendo o mesmo mosquito transmissor. Em todo caso, todas as ações são intensas”, disse o secretário.

“Em face disso, orientamos a população para a manutenção dos cuidados nos imóveis sob sua responsabilidade, principalmente locais de construção, onde sabidamente podem conter objetos que sirvam para acumulo de água e concomitantemente se tornem criadouros do Aedes Aegypti”, sugere nota do Departamento de Vigilância em Saúde.

Doenças e sintomas

A Secretaria de Saúde ressalta que, apesar de ter semelhanças entre si, alguns sintomas se destacam mais do que os outros em cada uma das doenças. No caso da dengue, o paciente, na maioria das vezes apresenta febre alta, dor retroocular, mialgia (dor no corpo), dor de cabeça, plaquetopenia, exantema (manchas no corpo) tardio, náuseas, vômitos, podendo evoluir para uma situação grave onde há a necessidade de internação pelo risco da febre hemorrágica da dengue, que ocorre logo após a remissão dos picos febris.

Já a zika se caracteriza por febre baixa e o exantema precoce, logo nos primeiros dois dias, podendo desaparecer em seguida. A zika na maioria das vezes tem curso rápido e grande parte dos pacientes nem apresenta sintomas, sendo a maior preocupação quando acomete gestante, principalmente nos primeiros meses de gravidez, pelo risco da ocorrência da microcefalia no feto.

No entanto, a chikungunya, apresenta quadro parecido com o da dengue, sendo a febre alta e demais sintomas, destacando-se as dores intensas nas articulações que podem durar meses ou mais de ano (Quadro 01). Essa última é preocupante, pois sabe-se que, uma vez o paciente evoluindo para a fase crônica, ele não conseguirá trabalhar, demandará por mais recursos de assistência à saúde e é sabido que pacientes como idosos e com doenças crônicas são mais suscetíveis a evoluírem para óbito.