Ponte em Gênova desabou em agosto de 2018 e deixou 43 mortos – Foto: Ansa

A Ponte Morandi, que desabou em Gênova, na Itália, apresentava riscos e problemas estruturais uma década antes da tragédia de agosto de 2018, disse um relatório da Atlantia, o grupo que controla a sociedade Autostrade, divulgado pelo jornal “Financial Times”.

“Uma série de problemas de segurança foi apontado na Ponte Morandi quase 10 anos antes”, ressaltou o relatório de 87 páginas publicado na edição on-line desta terça-feira (16) do jornal “Financial Times”.

O diário inglês disse ter tido acesso o documento, que foi apresentado de maneira sigilosa em novembro do ano passado ao conselho executivo da Atlantia. O comitê de risco da própria empresa tinha solicitado o relatório em setembro de 2018 para investigar se a sociedade era responsável pelos defeitos na manutenção da ponte. De acordo com o jornal, “a apresentação do relatório foi apressada, sem tempo para elaborá-lo”.

Fontes ouvidas pelo diário também contaram que o conselho da Atlantia estava em dúvidas sobre a conclusão do relatório e que a resposta da empresa era considerada internamente “desastrosa e desorganizada”.

O documento elencou intervenções estruturais que eram necessárias na ponte, em uma escala de 10 a 70 e, nível de urgência. Ao menos uma intervenção recebeu nota 60 e se referia a um problema com as vigas de sustentação que tinha sido identificado pela primeira vez em 2011.

No entanto, o próprio relatório concluiu que todos os problemas de segurança foram resolvidos em concordância com as normas previstas e investigações extraordinárias realizadas entre 2009 e 2017.

A Atlantia, cuja maior acionista é a família Benetton, também negou as acusações do Financial Times. “O relatório citado pelo Financial Times não evidenciou nenhum problema de segurança na Ponte Morandi, como erroneamente foi citado no artigo de Donato Mancini no site do jornal”, defendeu a empresa.

“Ao contrário, o relatório certificou o pleno respeito às obrigações de manutenção”. A Ponte Morandi desabou em 14 de agosto de 2018, provocando a morte de 43 pessoas, em um dos episódios mais trágicos da história recente da Itália.

A Atlantia Spa é uma holding italiana que opera rodovias e aeroportos. É uma empresa líder no mundo, atuando nos setores de rodovias, infra-estrutura aeroportuária e serviços de transporte, com presença extensiva em 16 países.

Ontem (15), o conselho de administração da empresa pública Ferrovie dello Stato (FS), que administra o transporte ferroviário da Itália, escolheu a Atlantia como parceira para se unir a um consórcio de investidores para o resgate da Alitalia, maior empresa de aviação civil da Itália.

Da AnsaFlash