Plano nutricional adequado garante reprodutores compatíveis com as demandas do mercado

O touro reprodutor, em relação às matrizes, é responsável por até 88% do ganho genético de todo o rebanho. Por essas razões, a definição de planos nutricionais para o preparo desses animais para comercialização diminui custos, minimiza problemas com cascos e reprodutivos, além de auxiliar na produção de reprodutores com preparo adequado.

Um plano nutricional se baseia em três eixos: desenvolvimento corporal, funcionalidade e saúde. O primeiro refere-se ao crescimento do indivíduo; a funcionalidade é a capacidade locomotora, física e de adaptabilidade; e o último eixo é a longevidade do animal, com cascos saudáveis e aprumos corretos que permitam a expressão de todo seu potencial genético.

“O melhor plano é aquele factível e viável de acordo com a realidade de cada propriedade. Para cada realidade há um plano capaz de produzir animais com essas características, a um custo razoável e financeiramente viável”, resume o nutricionista da Embrapa (Campo Grande/MS), Rodrigo da Costa Gomes. Ele ao lado dos também pesquisadores Luiz Orcírio de Oliveira, Sérgio Raposo de Medeiros, José Marques da Silva, Antonio do Nascimento Rosa e Alessandra Nicácio recomendam planos alimentares, considerando as fases de produção – cria, recria e terminação (leilão), alicerçados em observações a campo.

Dentre os passos a seguir para o desenvolvimento de um plano nutricional efetivo, que ofereça resultados positivos ao produtor, destacam-se os seguintes modelos:

– Preparo moderado a pasto: aplicado à comercialização de touros pesados, com idade acima de dois anos, sem creep-feeding nem confinamento e em pastagens tropicais (braquiária e panicum). Recomenda-se a adoção de duas estratégias diferentes de suplementação intensiva durante a recria, adaptando-se ao peso dos animais e à época do ano, com uso de ração concentrada ao fim do processo. Para o sucesso do modelo, os especialistas indicam o uso de pastagens bem manejadas.

– Preparo intensivo a pasto: para comercialização de animais com até 20 meses de idade e pesos não tão elevados (até 550 kg). Pela necessidade de elevar o ganho de peso, a proposta considera suplementação volumosa e concentrada no período pós-desmama e o uso intensificado de pastagem nas águas.

– Preparo de touros na Embrapa Gado de Corte em Campo Grande: o confinamento é a opção na fase de terminação. O rebanho é de animais da raça Nelore PO, jovens, e a suplementação intensiva está presente ao longo da recria, com pastejo em braquiárias e panicuns.

Ressalta-se que a fase de cria vai do nascimento a desmama, a recria é a pós-desmama e a terminação são os últimos 150 a 200 kg de ganho de peso do animal para sua comercialização.

As sugestões valem para todas as raças e a equipe da Embrapa sugere também considerar os aspectos comerciais ao se pensar em plano nutricional. O criador deve definir sua estratégia de comercialização com antecedência e o plano traduzirá essa escolha. Por exemplo, animais vendidos em leilão (presencial ou virtual) têm apelo promocional e ocorre de a genética ser confundida com aparência (brilho e toilette) e isso não reflete a carga genética.

Superalimentação – Um dos problemas de escolhas equivocadas é a superalimentação, a qual ocorre com o excesso de fornecimento de ração. O aparelho digestivo do animal adapta-se à superalimentação e quando retorna ao pasto o animal é prejudicado, pois os nutrientes das forragens não são suficientes para atender a demanda que o animal está acostumado. Excesso de deposição de gordura corporal e queda na fertilidade são os próximos passos.

A observação da pesquisa é balancear as dietas ricas em energia, a partir do fornecimento de fontes de fibras e aditivos alimentares, principalmente em períodos longos de alimentação quando necessário. Para tal, os pesquisadores enfatizam a orientação técnica de um profissional da área capaz de perceber tantas variáveis.

Publicação – Todas essas recomendações são parte da publicação “Procedimentos para preparo de touros para comercialização e adaptação aos sistemas produtivos”, um guia que busca proporcionar aos criadores, produtores de genética e comerciais de gado de corte orientações sobre procedimentos alimentares no preparo de touros, para comercialização e adaptação dos animais aos sistemas de produção.

A obra de autoria de pesquisadores da Embrapa teve o suporte de técnicos da Connan e Geneplus Consultoria, parceiras em projetos na área, o que trouxe incrementos devido à abrangência das empresas e capilaridade de seus corpos técnicos.

“O material busca orientar os pecuaristas quanto a definição de planos nutricionais que visam diminuir o custo da produção de touros, minimizar problemas de casco, de ordem digestiva e de qualidade seminal, além de produzir reprodutores com adequada aparência para a comercialização”, explica o gerente técnico e de marketing da Connan, Marcio Bonin.

Além disso, a publicação também apresenta maneiras de adequar a adaptação dos touros comercializados aos diferentes sistemas de produção, visando oferecer bom desempenho reprodutivo e adequada manutenção no rebanho ao longo do ano.

O material está disponível em versões digital ou física, no site, gratuitamente.