
Estados Unidos e Irã receberam uma proposta para tentar interromper as hostilidades no Oriente Médio, em meio à escalada militar e à pressão diplomática por uma saída negociada. O esboço prevê uma trégua imediata como primeiro passo para um entendimento mais amplo entre as partes.
Pelo desenho em discussão, o acordo seria executado em duas etapas. A primeira envolveria um cessar-fogo emergencial, enquanto a segunda abriria espaço para negociações mais abrangentes, com prazo estimado entre 15 e 20 dias para a conclusão de um acerto definitivo.
As conversas ganharam força com a atuação de mediadores regionais. Segundo relatos publicados nesta segunda-feira, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, manteve contatos com o vice-presidente norte-americano, JD Vance, com o enviado especial Steve Witkoff e com o chanceler iraniano Abbas Araqchi na tentativa de destravar o diálogo.
Apesar da movimentação diplomática, Teerã rejeitou a ideia de reabrir de imediato o Estreito de Ormuz como parte de um cessar-fogo temporário. Autoridades iranianas sinalizaram que o país não aceita negociar sob ultimatos e que ainda avalia os termos da proposta recebida.
O site Axios informou que mediadores e representantes dos dois lados também discutem um possível cessar-fogo de 45 dias, incluído em um plano em duas fases. A intenção seria usar esse período para construir uma solução permanente e evitar uma nova ampliação do conflito.
A pressão aumentou depois que o presidente Donald Trump elevou o tom nas últimas horas. Segundo a Reuters e o Axios, ele ameaçou intensificar os ataques contra a infraestrutura iraniana caso não haja acordo e caso o estreito não seja reaberto até terça-feira, às 20h no horário da costa leste dos Estados Unidos.
Enquanto as negociações seguem, novos bombardeios foram registrados nesta segunda-feira, mais de cinco semanas após o início da ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O confronto já provocou milhares de mortos e ampliou a instabilidade regional, com reflexos diretos sobre a economia global.
Entre os principais efeitos está a tensão em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. O bloqueio prático da passagem elevou a preocupação dos mercados e ajudou a pressionar os preços internacionais do petróleo.
Além de restringir a navegação no estreito, o Irã respondeu aos ataques com ações contra Israel, bases militares americanas e instalações energéticas no Golfo. O risco de ampliação dessas represálias é um dos fatores que mais preocupam os países da região e os mediadores envolvidos nas tratativas.
Nesse cenário, aliados dos países do Golfo defendem que qualquer entendimento inclua garantias para a livre navegação em Ormuz e limites mais claros ao programa nuclear iraniano e ao uso de mísseis e drones. Sem esses pontos, a avaliação entre diplomatas e autoridades regionais é de que a crise poderá continuar alimentando um ciclo ainda mais perigoso de instabilidade.




















