quinta-feira, 05 - março - 2026 : 23:05

Pesquisadores lançam dois livros de temas regionais na próxima segunda-feira

Guerra do Paraguai e Festa de Nossa Senhora da Abadia são abordados nas obras, com enfoques inovadores e lançamento em conjunto

Maria Augusta de Castilho e Adilso de Campos Garcia, autores de um dos livros – Crédito: Raquel de Souza

Serão lançados na próxima segunda-feira (19), a partir das 18h30, dois livros com temáticas intrinsicamente regionais e com objetos de estudo ligados à história de Mato Grosso do Sul: a Guerra do Paraguai e a Festa de Nossa Senhora da Abadia. O evento será realizado na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), onde também foram desenvolvidas as pesquisas. “Um livro abre mais possibilidades para que as pessoas da sociedade possam conhecer o que foi pesquisado e desenvolver na juventude aquele sentimento de pertença do lugar em que se vive, que temos que valorizar, porque se não valorizarmos, quem vai valorizar?”, resume a professora doutora Maria Augusta de Castilho, orientadora e coautora das obras.

Nos repositórios das bibliotecas repousam ótimas pesquisas sobre os mais variados temas, mas muitas delas nunca serão conhecidas fora da comunidade acadêmica. É justamente tendo em mente a importância da divulgação científica que Maria Augusta incentiva seus orientandos a publicar os resultados dos trabalhos em forma de livros. “A participação de negros, mulheres e índios na Guerra do Paraguai e os monumentos históricos culturais da Retirada da Laguna”, trabalho conduzido por Adilso de Campos Garcia, e “Cultura e religiosidade: aspectos da tradicional festa da fazenda em louvor à N. S. da Abadia no município de Figueirão – MS sob a perspectiva do Desenvolvimento Local”, do pesquisador Valdery Ferreira Zotelli, serão as obras lançadas na próxima segunda-feira.

“Apesar de a Guerra do Paraguai ser um tema muito debatido na academia, optamos por fazer uma tese abordando indígenas, negros e mulheres, que tiveram participação fundamental, mas pouco estudada e pouco difundida”, explica o autor Adilso de Campos. Os indígenas tiveram importante papel de suporte ao Exército, enquanto os negros eram a maioria dos soldados e responsáveis pelo trabalho pesado, apesar do pouco reconhecimento, o que inclusive abriu caminho, posteriormente, para o movimento abolicionista. Já as mulheres que foram para a guerra, conhecidas como vivandeiras, praticavam comércio, trabalhavam nos hospitais, davam suporte aos soldados e inclusive chegaram a pegar em armas, mas poucas tiveram seus nomes registrados na história oficial.

“Com relação às mulheres, há na realidade poucos livros que abordam a participação delas na Guerra do Paraguai, a historiografia memorialista e tradicional não enfoca muito essa participação, mas foi de fundamental importância, várias vezes pegaram em armas, davam suporte com alimentação, água, trabalhavam como enfermeiras, inclusive montando a cavalo para resgate dos soldados”, detalha Adilso. Foram cinco anos de pesquisa sobre o tema, e o autor passou por Bela Vista, Jardim, Nioaque, Guia Lopes da Laguna, Anastácio e Cuiabá. “Há um destaque nesse livro que você não encontra em nenhum outro, que são os monumentos deixados ou feitos sobre a guerra e seus heróis”, completa Maria Augusta.

Em Jardim, por exemplo, há um museu sobre a Guerra do Paraguai, com visitações on-line e presenciais, em Nioaque há em um canhão que retrata o simbolismo da guerra, além de vários outros espalhados por onde a guerra passou, mas a maioria das pessoas desconhece. Adilso realizou uma pesquisa de campo e verificou que o sentimento de pertença da população das cidades onde estão situados esses monumentos é ínfimo, e que o tema não é tão abordado nem mesmo nas escolas. “Valorizar a história e os personagens históricos faz com que você conheça o passado para ter uma valorização do presente, porque história é isso, quem não conhece sua história não sabe para onde vai”, afirma Maria Augusta.

Registro em livro impediu perda da história de festa popular

O outro livro que será lançado na próxima segunda aborda as festividades anuais em homenagem à Nossa Senhora da Abadia, realizadas na cidade de Figueirão. O autor, Valdery Zotelli, é morador do município e quis registrar um fenômeno cujas origens poderiam se perder no tempo. “Este estudo torna-se importante uma vez que os festeiros mais antigos estão com idade avançada, e seus depoimentos foram de grande valia ao se enfatizar a vida em comunidades rurais e o empenho de todos na organização/participação da festa. O resgate das lembranças e da memória dos sujeitos que participaram e participam dos festejos nos espaços rurais deixa para as gerações futuras um registro da religiosidade dos habitantes do município e da região”, defende.

A festa da fazenda em louvor a Nossa Senhora da Abadia é realizada anualmente entre os dias 14 e 15 de agosto há mais de 93 anos, sendo resultado da união de fazendeiros, chacareiros e demais devotos de Figueirão e cidades vizinhas.  “Essa festa se destaca por se tratar de uma celebração não vinculada a uma instituição religiosa e que se constitui a partir da religiosidade popular. A celebração também se caracteriza como uma manifestação de caráter social e que envolve toda a comunidade rural do município, exercendo a função de manutenção da tradição religiosa, sendo carregada de símbolos e crenças, incorporando tanto características do sagrado quanto do profano”, completa Valdery.

Serviço: O lançamento dos livros sobre a Guerra do Paraguai e a Festa de Nossa Senhora da Abadia, publicados pela Life Editora, será realizado na próxima segunda-feira, dia 19 de maio, a partir das 18h30, no pátio (mezanino) da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), localizado na Av. Tamandaré, nº 6.000 – Jardim Seminário. Evento gratuito e aberto ao público.

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