• Por Madson Valente

A Campanha da Fraternidade deste ano procura despertar toda sociedade para compreensão que as políticas públicas precisam ser vistas como direito e dever do Estado, pois através estes instrumentos se promovem a dignidade do ser humano, fazendo com que ocorra sua libertação através da prática de se respeitar os direitos constitucionais previstos em nossa carta Magna. Para todos os cidadãos, devendo ser esta justiça uma exigência de todos e uma responsabilidade compartilhada para que em sua plenitude sejam respeitadas.

Madson Valente é professor, geógrafo e vereador em Dourados – Foto: Thiago Morais

A igreja demonstra, através dos temas propostos todos os anos dentro do período quaresmal, que está atenta às ações humanas que promovem a exclusão e que faz com que milhões de pessoas padeçam, por isso de forma corajosa se propõe debater relevantes temáticas, por compreender sua responsabilidade social, para tanto os 40 dias são vertidos para discussões e análises das perdas de nossos direitos e consequentemente contribuindo para que as injustiças sejam consolidadas, portanto se tornam importantes fazer pequenas reuniões de grupos, criando movimentos nas comunidades, com objetivos macros de contribuir para provocar cada cristão que enquanto embaixadores de cristo devem assumir responsabilidades que visam a promoção do ser humano, despertando para vivência fraternal.

Esta visibilidade sobre este tema coincide com as manifestações atuais sobre a reforma da previdência, que colocam em debate novamente uma situação de dois campos opostos, de um lado o discurso da necessidade de tal e, de outro, aqueles que afirmam que o déficit desta instituição existe devido aos grandes conglomerados econômicos, que nesta linha de interpretação são os grandes responsáveis pela iminente falência do sistema previdenciário.

Diante de tais conflitos, a igreja procura contribuir com a reflexão, estabelecendo o diálogo como única alternativa para promover entendimentos, entretanto com olhar focado no bem estar social, procurando dar equilíbrio a voracidade de um sistema que por sua natureza é excludente a promoção da dignidade humana, pois entende-se que jamais enquanto igreja podemos permitir “abismos” sociais,visto que a  igreja possui seu compromisso de ser agente transformadora, de fazer com que cidadãs e cidadãos tenham seu senso critico despertado.

Há necessidade de termos clareza que crescimento econômico nem sempre seja na prática sinônimo de distribuição de riquezas, pois infelizmente nosso país está entre as nações  mais concentradoras de renda do mundo, somos absolutamente um país rico, todavia de enorme discrepância social, por isso precisamos de políticas públicas para provermos a inclusão das pessoas no meio social, portanto devemos entender que as políticas públicas eficazes são necessárias para compensar aquilo que o sistema capitalista em sua origem não é capaz de promover, que seria a justa distribuição do resultado do trabalho coletivo, sistema que possui em sua essência a enorme capacidade de promover a desigualdade.

Que a igreja católica tenha êxito em seu propósito de contribuir para compreensão da importância das políticas públicas serem interpretadas pelos cristãos como direito e não favor do estado, que cada cristão possua a real dimensão de sua importância no processo político, que haja conversão do seu entendimento sobre o verdadeiro papel dos seus representantes, que enquanto eleitor saiba que mesmo após o ato de votar sua responsabilidade continua existindo no sentido de acompanhar as ações daqueles que detém mandatos eletivos, que suas convicções sobre os agentes políticos precisam de uma urgente e necessária transformação, caso contrário continuaremos permitindo que a desinformação, o comodismo e acima de tudo prevalecendo a ideia de transferir responsabilidades para os outros, buscando sempre uma zona de conforto, apenas julgando aqueles que se propõe a representar, entendo que precisamos de pensamentos libertadores, caso contrário a cultura demagógica e hipócrita  continuará permeando e consequentemente submetendo nosso povo a permanente visão alienada.

Que as visões de âmbitos sociais venham se sobrepor sobre os interesses de âmbitos pessoais, que a igreja católica continue se propondo neste desafio de construir uma nova nação, soberana e justa.