Segundo o Ministério da Saúde, os partos cesáreos realizados em Mato Grosso do Sul são mais 60%, quando deviam representar em torno de 15%.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que os partos cesáreos não ultrapassem 15% do número total das cirurgias hospitalares. Em Mato Grosso do Sul esse tipo de parto chega a ser realizado em 60% dos casos, enquanto no Brasil, dos 2,9 milhões de partos que são feitos por ano, 55,6% são cesáreos.

Esses dados são preocupantes, visto que o parto humanizado proporciona até três vezes mais segurança para a mãe e o bebê, enquanto cesáreas desnecessárias aumentam as chances de complicações para ambos.

Para debater esse tema, a Frente Parlamentar da Saúde da Mulher de MS se reuniu no dia 3 de março de 2020, às 9h30, na Assembleia Legislativa.

O evento trouxe especialistas na área para discutir o assunto e entre eles está Caroline Paccola, médica que analisa que mudar esse cenário é algo importante, mas que provavelmente essa mudança será dada apenas por meio do acesso a analgésicos e de muita informação.

Cerca de 90% das brasileiras temem a dor do parto normal e, por isso, optam pela cesariana, diferentemente das canadenses e das européias, por exemplo, que dão total preferência ao parto humanizado. Para Caroline, essa diferença se deve ao fato de haver as ferramentas necessárias para a realização do parto natural e também acesso a analgésicos nesses países.

“Em 9 anos de formação, nunca tive acesso a analgesia, nunca pude oferecer às pacientes, só fui saber a respeito quando tive meu primeiro filho. Desde então, adotei isso como uma missão: levar às mulheres, porque elas têm direito a ter um parto humanizado sem dor ou com um nível de dor suportável”, relata a doutora.

Essa foi a primeira reunião da Frente Parlamentar da Saúde da Mulher de MS em 2020, conduzida pelo Dr. Gimenez, deputado estadual pelo Partido Verde, que atua como médico há 40 anos e avalia o debate como válido e pertinente nos dias de hoje.

“Queremos estimular informações e práticas que promovam a saúde feminina, além disso, queremos garantir que o atendimento no SUS seja humanizado, gratuito e ágil”, explica o deputado estadual.

Entenda como é o parto humanizado

Há controvérsias sobre o que é, de fato, um parto humanizado. Entretanto, a maioria das pessoas acredita que é uma alternativa na qual as decisões da gestante são levadas em consideração. Ou seja, é algo que acontece da forma mais natural possível, com poucas intervenções medicinais, e as que houverem devem ser autorizadas pela mulher.

Além disso, para que o parto humanizado possa acontecer, é necessário que mãe e o bebê estejam completamente saudáveis, pois a saúde deles é a única coisa que está acima das preferências da parturiente.

Para que o parto seja classificado como humanizado, não importa como nem onde ele ocorra. Seja na cama, no quarto, no hospital, na água ou no banheiro, é a mulher quem conduz o processo fisiológico do parto. A equipe médica apenas assiste e intervém se for preciso.

Por esses motivos, nem todo parto natural é, de fato, humanizado, visto que há diversos procedimentos médicos que podem ser realizados durante um parto normal que não existem em um parto humanizado. Dentre eles, destacam-se:

  • Lavagem intestinal;
  • Analgesia;
  • Episiotomia;
  • Múltiplos exames vaginais;
  • Uso de fórceps;
  • Monitoramento permanente das contrações e dos batimentos cardíacos do feto;
  • Depilação da região genital.

E, além desses, ainda há muitos outros. No entanto, o que mais preocupa é o fato de muitos deles fazerem parte da rotina de inúmeros hospitais, independente da real necessidade e também sem o consentimento da gestante ou de seus familiares.

Vantagens do parto humanizado

O parto humanizado traz diversas vantagens para mãe e para o bebê, pois não há recuperação pós-anestésica, pós-episiotomia e nem uso de medicamentos, logo, o conforto emocional é maior, a mulher tende a se restabelecer mais rapidamente e ter uma percepção positiva acerca do parto.

Já para o bebê, além de ser beneficiado pelo bem estar da mãe, ele nasce num ambiente tranquilo e é amamentado imediatamente, promovendo o vínculo entre ambos, fortalecendo a saúde do bebê, visto que, de acordo com a OMS, esse ato reduz em até 22% a taxa de mortalidade neonatal.

Deputado Zé Teixeira