Para presidente do Silems, Semana do Leite fez demandas do segmento serem ouvidas

20º Encontro Técnico do Leite foi realizado pelo Sindicato Rural de Campo Grande nesta sexta-feira, 02 - Assessoria
20º Encontro Técnico do Leite foi realizado pelo Sindicato Rural de Campo Grande nesta sexta-feira, 02 – Assessoria

Durante o 20º Encontro Técnico do Leite, evento realizado pelo Sindicato Rural de Campo Grande nesta sexta-feira (02/06) para encerrar as ações alusivas à Semana Estadual do Leite, a presidente do Silems, Milene Nantes, declarou-se confiante em relação aos resultados de divulgação alcançados. “Foi uma semana intensa e produtiva, em que conseguimos colocar o leite em destaque, desde a produção até a importância dele na alimentação. Esse é o objetivo da Semana do Leite, então, podemos dizer que todas as instituições envolvidas na cadeia leiteira, inclusive o Silems, fizeram um excelente trabalho”, declarou.

O presidente do Conseleite (Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite em Mato Grosso do Sul) e diretor do Silems, Edgar Rodrigues Pereira, afirmou que as indústrias laticínias de Mato Grosso do Sul enfrentam grandes desvantagens competitivas em relação aos outros Estados. “Além da pesada carga tributária, temos aqui o que eu chamo de ‘logística perversa’, ancorada no tripé composto por baixa produção, grandes distâncias a serem percorridas e estradas mal conservadas”, pontuou.

Ainda segundo Edgar Pereira, esses fatores fazem com que a indústria laticínia sul-mato-grossense não seja capaz de competir com as marcas produzidas nos demais Estados. “Basta reparar nas gôndolas dos supermercados, a predominância de marcas ‘importadas’ é nítida e clara. É preciso entender que a indústria representa o elo mais sensível da cadeia, pois absorve o produto e remunera o produtor. Hoje, todas as indústrias leiteiras do Estado operam com ociosidade. A irregularidade da produção faz com que algumas empresas cheguem a trabalhar, em determinadas épocas do ano, com 30% da capacidade. A médio e longo prazo, isso inviabilizará a produção”, reforçou.

Para o secretário-adjunto da Semagro (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), Ricardo Senna, a oportunidade e o momento são propícios para discutir a importância dos incentivos fiscais. “Presenciamos nos últimos dias uma enxurrada de críticas em relação à concessão de incentivos fiscais e isso é muito temerário. Foi graças à concessão acertada de incentivos fiscais que Mato Grosso do Sul deixou de ser um Estado agrícola e tornou-se um Estado do agronegócio, atraindo diversas empresas e indústrias, com geração de emprego e renda. Irregularidades devem ser combatidas e eu defendo, inclusive, a reavaliação da política de incentivos fiscais a fim de identificar cadeias sensíveis, como a leiteira, para que elas possam ter mais competitividade”, declarou.

Segundo Ruy Fachini, presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Mato Grosso do Sul produz uma média de mil litros de leite por dia, enquanto a média nacional é de 1,5 mil litros e os principais Estados produtores alcançam a marca diária de 3 mil litros/dia. “Esses números representam um grande desafio para o Estado. Precisamos mudar essa realidade, muito em função da característica agroindustrial de Mato Grosso do Sul. Mas isso só será possível quando os produtores rurais conseguirem trabalhar com segurança e qualidade”, declarou.