• Por Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

A grande tarefa do ministro Raul Jungmann – transferido do Ministério da Defesa para o da Segurança Pública – e do general Souza Braga, interventor da segurança no Rio de Janeiro, é compatibilizar a atuação das forças federais e estaduais e, com essa interação, diminuir a criminalidade tanto em solo fluminense quanto em outras unidades conflagradas da federação que vierem a sofrer intervenção ou tiverem o apoio federal para conter a escalada do crime. Além da natureza diferente das instituições que vão atuar juntas, chama a atenção o desnivel salarial entre policiais federais e estaduais. Enquanto um agente policial federal inicia a carreira com salário de R$ 11 mil e um da polícia rodoviária federal começa ganhando R$ 9 mil mensais, o policial militar de São Paulo é admitido como soldado com o salário de R$ 3.034,05, um valor que não diverge muito nos outros estados. PMs de todo o Brasil têm seus ganhos mais próximos dos do PM paulista do que dos salários dos policiais federais. Existem, ainda, os casos como o do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, onde os policiais tiveram seus salários atrasados.  Isso sem falar das greves da classe em diferentes pontos do país.

O nível salarial dos policiais estaduais é, há anos, um grande incômodo nacional. O estado empregador, além de pagar pouco, não tem garantido nem a reposição da defasagem inflacionária anual, estabelecida pela Constituição a todo servidor público. Isso tem levado os policiais ao bico, que é proibido mas há mais de uma década recebe vistas grossas dos governos por se tratar da única forma encontrada pelo policial poder pagar suas contas. São Paulo foi além, criando a discutível função delegada, onde o policial, depois de cumprir sua jornada na ocupação estadual, é empregado na fiscalização de transito ou de próprios municipais e recebe um salário adicional da Prefeitura. Isso não passa da oficialização do bicho, que impede o profissional de conviver com sua família e de descansar para retornar íntegro à próxima jornada policial.

Jungmann, o general Souza Braga e outros que vierem a administrar a segurança em diferentes pontos do país terão de conviver com essa desconfortável realidade. E, pela urgência da tarefa que lhes foi confiada, têm a obrigação de fazer os diferentes trabalharem juntos e, ainda, oferecer resultados. Precisam observar detidamente o problema para evitar mais dificuldades. O ideal seria que, como representantes do governo federal, o detentor da maior parte da arrecadação tributária, buscassem recursos para fazer os salários dos policiais estaduais chegarem mais perto do que se paga aos federais. Só essa providência seria suficiente para tirar muitos do “bico” e permitir-lhes voltar às suas unidades com força total. Também serviria para diminuir a corrupção que em momento algum é justificada, mas tem o salário insuficiente como forte elemento indutor.

  • Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

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