Debate abordará a violência contra a saúde (agrotóxicos) e a cultura do estupro

Audiência pública é uma proposição do vereador Elias Ishy – Divulgação

“O que é ser mulher em Mato Grosso do Sul?” é o questionamento da Audiência Pública marcada para o dia 22 de março na Câmara de Dourados. Uma reunião realizada com o movimento popular, na semana da mulher, direcionou o debate para a violência contra a saúde e a cultura do estupro. A proposição é do vereador Elias Ishy (PT).

Segundo aponta o Movimento, as mulheres correm sérios riscos com o consumo de agrotóxico no país. De acordo com um dossiê da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coeltiva), o brasileiro consome mais de 7 litros de agrotóxico por ano e em alguns estados o índice é ainda pior. No caso de MS, o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea) mostrou em 2016 que cada pessoa consome proporcionalmente até 40 litros de agrotóxicos por ano, quase seis vezes a mais do que a média nacional.

A pesquisa da Abrasco revelou que isso pode causar diversas doenças, como problemas motores, infertilidade, problemas com hormônios, endometriose, câncer e até mesmo aborto. Segundo as mulheres, há vários levantamentos sendo realizados na universidade com relação ao estado, ainda no que tange a contaminação do leite materno, da água e do solo.

Outro dado que assusta é que o MS tem a maior taxa de estupros e violência contra a mulher do país, de acordo com o levantamento do 11º Anuário de Segurança Pública. Em 2017 foram 27 casos feminicídios (assassinato de mulheres em contextos marcados pela desigualdade de gênero), que estão entre os 19.272 de Violência doméstica, de acordo com informações do Relatório de Fatos por Município da Polícia Civil.

Ishy afirmou ainda que as mulheres são as mais atingidas com as reformas do Governo Federal, que retira o direito das trabalhadoras, como a previdenciária, debatida em duas audiências públicas no ano passado. “A Previdência é uma política de Estado que, de certa forma, reconhecia a desigualdade entre homens e mulheres no espaço privado e no mercado de trabalho. Não podemos permitir este retrocesso”, finaliza.

Ele lembra também que, com o tema “quem não se movimenta, não sente as correntes que a prende”, um ato unificado será realizado no dia 8 de março, na Praça Antônio João, às 15h, em Dourados, em alusão ao Dia Internacional de Luta das Mulheres.