Durante visita à Escola Indígena Tengatui Marangatu, acadêmicos conhecem projeto de horta e roça escolar – Divulgação

O projeto ‘Elaboração de Material Educativo nos Diferentes Ciclos da Vida’, desenvolvido por acadêmicos do 6º semestre de Nutrição da UNIGRAN, inicia sua 2ª edição. Neste ano, as cartilhas ou folders orientativos sobre práticas alimentares saudáveis serão direcionados aos alunos da Escola Pública Municipal Indígena Tengatui Marangatu, que fica na Aldeia Jaguapiru.

Acompanhados pelas professoras Juliana Barros de Almeida e Thalyta Muniz Lemes, coordenadoras da atividade, os estudantes visitaram a escola para o primeiro contato com o público-alvo. O objetivo é transformar o conhecimento técnico-científico em informação acessível ao público leigo de forma didática/lúdica, respeitando a cultura alimentar indígena.

“O processo de educação nutricional é importante ferramenta para orientar as crianças e adolescentes quanto às escolhas alimentares corretas e, por conseguinte, melhorar a qualidade de vida. Queremos incentivar nossos acadêmicos a elaborar um material específico para esta comunidade e aproveitar para aproximá-los de uma cultura diferente da que estão acostumados”, mencionou Juliana Barros.

Segundo a professora, a escassez de alimentos vivenciada pela população indígena aparece paralelamente a problemas de saúde relacionados à má alimentação com a introdução de alimentos como açúcar, sal, refrigerante, biscoitos e produtos industrializados na alimentação habitual. “A promoção das práticas alimentares saudáveis por meio de educação alimentar e nutricional, em linguagem de fácil entendimento e apropriada para cada faixa etária, respeitando as peculiaridades da cultura alimentar indígena, é uma estratégia de vital importância para prevenção de problemas alimentares e nutricionais”, assegurou.

A coordenadora da escola, Simone Martins Freitas, acompanhou a visita dos futuros nutricionistas e apresentou os projetos que as crianças desenvolvem, como a horta e a roça escolar. “É muito interessante esta iniciativa, principalmente o fato da professora Juliana querer aproximar o pessoal da cidade com o pessoal da aldeia. Nós temos coisas boas e isso deve ser mostrado, apesar dos desafios, a escola tenta, de alguma forma, ajudar os alunos. E, neste projeto, pensamos em várias atividades que poderão ser desenvolvidas com os alimentos tradicionais que hoje têm se perdido, que é uma forma de manter nossa cultura apesar das transformações do tempo. Nossas preocupações são o uso de veneno, incentivo à alimentação saudável, ensiná-las a produzir o próprio alimento e consumir em casa”, garantiu.

A professora é ex-aluna da escola e afirmou que tem o sentimento de querer o mesmo para os alunos. “Eu sempre falo para eles: hoje eu estou aqui, mas amanhã serão vocês que estarão no meu lugar. E o meu incentivo para eles é continuar estudando. Conhecimento é a única coisa que ninguém vai tirar da gente, é uma arma de luta para sobrevivermos”.

Os acadêmicos trabalharão com quatro categorias: alimentação complementar (6 meses a 2 anos), tendo como público-alvo mães e/ou cuidadores;   pré-escolar (2 a 6 anos); escolar (7 a 10 anos) e adolescente (10 a 20 anos).

O grupo da estudante Beatriz Carolina Rodrigues Farias vai trabalhar com crianças na idade pré-escolar. “O mais atrativo para esta faixa etária é o visual, as cores. Queremos trabalhar algo com desenhos. O plantio, o cultivo, a colheita, como tratar o alimento e como levar para casa como comida. A minha primeira ideia é falar como trabalhar a higiene nos alimentos, a técnica dietética do que ele produz, por exemplo, se produz mandioca o que poderá fazer com este alimento que é acessível, como a tapioca. Eles ganham uma cesta básica que contém fubá, eles sabem o que fazer com o fubá? Então, o intuito do nosso material será mostrar coisas que podem praticar com o que têm”, disse.

A base para construção do material didático e o conteúdo técnico-científico da cartilha/folder será o conteúdo trabalhado nas disciplinas ‘Educação Nutricional’ e ‘Nutrição da Infância ao Idoso’. O conteúdo científico do material elaborado será avaliado pelas professoras coordenadoras do projeto e o material será apresentado à banca de avaliação antes de ser levado às crianças da Escola Indígena Tengatui Marangatu.