Confusão teve início quando Eduardo Bismarck (PDT-CE) gritou que havia um parlamentar armado no local, em referência ao Delegado Waldir (PSL-GO)

Sessão da CCJ da Câmara destinada à leitura do parecer sobre a admissibilidade da reforma da Previdência – Foto: Câmara dos Deputados

Tumulto, confusão e obstrução. Este foi o resumo da sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara destinada à leitura do parecer sobre a admissibilidade da reforma da Previdência.

Assim como ocorreu quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, esteve presente no colegiado, a sessão desta terça-feira (9) foi marcada pelo clima quente entre os parlamentares governistas e de oposição.

Para se ter uma ideia, a leitura do parecer só foi acontecer por volta das sete da noite, mais de quatro horas após o início da sessão, que começou por volta das duas e quarenta da tarde.

Segundo a Agência do Rádio Mais, a maioria dos tumultos foi protagonizada por embates entre petistas e parlamentares do PSL. O principal deles interrompeu a sessão por mais de 15 minutos. A confusão se deu justamente no momento em que o deputado Delegado Marcelo Freitas (PSL-MG), relator na CCJ, começaria a leitura do parecer sobre a admissibilidade da Previdência.

Nesse momento, parlamentares de oposição, que reclamavam do fato de não poderem apresentar mais questões de ordem, decidiram ir até a mesa do presidente da comissão, deputado Felipe Francischini (PSL-PR). Diante da movimentação, os governistas também pressionaram.
Neste momento, o deputado Eduardo Bismarck (PDT-CE), que estava afastado da confusão, começou a gritar que havia um parlamentar armado no local, em referência ao líder do PSL, Delegado Waldir (PSL-GO).

“É um absurdo. O deputado está armado, presidente. Presidente, faça uma checagem aí, tem um deputado armado na sua mesa, presidente”.

De acordo com o regimento interno da Casa, é proibido “porte de arma de qualquer espécie nos edifícios da Câmara e suas áreas adjacentes, constituindo infração disciplinar, além de contravenção, o desrespeito a esta proibição”.

O deputado Delegado Waldir, porém, negou à jornalistas que estivesse armado e disse que portava apenas um coldre, um suporte usado para carregar armas de fogo.

“Armado com lápis, armado com óculos, com a caneta, com o coração.”

A confusão foi criticada por parlamentares que estavam presentes no colegiado. O deputado Marcelo Ramos, do PR do Amazonas, disse que o embate é fruto do radicalismo de irresponsáveis.

“Os extremos ridicularizam o debate da reforma. E quem sofre é o país, porque tão irresponsável quanto fazer uma reforma ruim para os mais humildes, é não fazer reforma nenhuma. Então, nós precisamos discutir o conteúdo dela, mas esses irresponsáveis não permitem que o ambiente seja sadio para isso”.

Apesar de toda a confusão, a sessão foi retomada e o deputado Delegado Marcelo Freitas pode ler o parecer que elaborou pela admissibilidade da reforma da Previdência.

Se o relatório for aprovado pela CCJ, o texto da nova Previdência será analisado por uma comissão especial ainda a ser formada por deputados para discutir o mérito, ou seja, o conteúdo da proposta. Passando mais uma vez pelo consentimento do colegiado, a matéria segue para a votação no Plenário da Câmara, onde precisará de 308 dos 513 votos, antes de entrar em pauta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.