No Mato Grosso do Sul, flores alimentam pássaros do Pantanal

Espécies evoluíram para serem polinizadas por beija-flores – Divulgação

O Pantanal é o bioma mais preservado do Brasil, com uma rica biodiversidade de fauna e flora. O estado do Mato Grosso do Sul, por sua vez, é um grande privilegiado, já que agrega 65% desse território, atraindo pessoas apaixonadas pelo ecoturismo. Recentemente, uma publicação inédita organizada pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) catalogou um total de 3.911 espécies de flora e 5.195 espécies de animais. A enorme diversidade de flores não só abastece o negócio de floricultura de Campo Grande como também serve de alimento para as aves da região.

Uma das principais aves do pantanal são os beija-flores, também chamados de colibris, chupa-flores, pica-flores ou guainumbis. Eles são animais típicos das Américas. O Brasil é um dos principais centros de diversidade, com 86 espécies catalogadas de 330 existentes. A Mata Atlântica abriga 44 dessas espécies, sendo que 17 vivem no Pantanal.

A alimentação desses pássaros é constituída, basicamente, pelo néctar das flores. Quando realizam esse processo, na maioria das vezes, o fazem sem pousar, por causa da grande velocidade com que suas asas batem – de 25 a 60 vezes por segundo. Com essas manobras, polinizam as flores sem danificá-las. Com a energia gasta, é de se imaginar que eles comem muito – em um dia, podem consumir o equivalente a 8 ou 10 vezes o próprio peso.

A beleza da natureza também reside na adaptação do ecossistema. Os beija-flores colaboram para o sucesso reprodutivo de várias espécies vegetais. Algumas flores, por sua vez, evoluíram para atender às necessidades dessas aves. São as chamadas ornitófilas. Essas espécies produzem quantidade moderada ou alta de néctar, a fim de serem polinizadas pelos beija-flores. A coloração viva dessas flores, principalmente em tons de vermelho e laranja, é o que faz com que sejam enxergadas com facilidade por essas aves.

De acordo com um estudo feito pela revista Ciência Pantanal na região do Miranda-Abobral, a disponibilidade maior de flores situava-se entre agosto e março, coincidindo com o final da estação seca e toda a estação chuvosa seguinte. Quatro espécies foram observadas nessas regiões durante o período: beija-flor-rabo-de-tesoura-grande (Eupetomena macroura), beija-flor-dourado (Hylocharis chrysura), beija-flor-de-bico-curvo (Polytmus guainumbi) e beija-flor-de-rabo-branco-acanelado (Phaethornis pretrei).

Essas espécies visitaram um total de 21 espécies de plantas – em sua maioria, ervas e trepadeiras de diferentes famílias, mostrando que as aves são extremamente generalistas. Entre as flores ornitófilas mais frequentadas, está a malvácea Helicteres guazumaefolia, que disponibiliza néctar durante o ano todo.