Mato Grosso do Sul terá de qualificar 142.574 trabalhadores em ocupações industriais nos níveis superior, técnico, qualificação e aperfeiçoamento entre 2019 e 2023. Os dados são do Mapa do Trabalho Industrial, elaborado pelo Senai Nacional para subsidiar a oferta de cursos da instituição e essas ocupações têm em sua formação conhecimentos de base industrial.

A demanda prevista pelo estudo inclui, em sua maioria, o aperfeiçoamento (formação continuada) de trabalhadores que já estão empregados. Em parcela menor (29%) estão aqueles que precisam de capacitação para ingressar no mercado de trabalho (formação inicial). Nesse grupo estão pessoas que vão ocupar tanto novas vagas quanto postos já existentes e que se tornam disponíveis devido a aposentadoria, entre outras razões.

Além de subsidiar a oferta de cursos do Senai, o Mapa do Trabalho pode apoiar jovens na escolha da profissão e trabalhadores que desejam se recolocar no mercado. “O profissional qualificado de acordo com a necessidade do mundo de trabalho tem mais chances de manter o emprego e também pode conseguir uma nova oportunidade mais facilmente quando as vagas forem oferecidas”, afirma o diretor-geral do Senai Nacinoal, Rafael Lucchesi.

Já o diretor-regional do Senai, Rodolpho Caesar Mangialardo, a economia está voltando a aquecer e isso faz com que a instituição em Mato Grosso do Sul precise se movimentar cada vez mais. “Nesse contexto, sabemos que teremos de qualificar e requalificar muitos profissionais que já estão no mercado de trabalho e também que desejam ingressar. Para isso, o Senai tem se desenvolvido para levar para os trabalhadores aquilo que existe de mais tecnológico no mundo para as empresas, principalmente as inovações relativas à Indústria 4.0”, pontuou.

Ele completa que o Senai tem ouvido muitas demandas das indústrias de Mato Grosso do Sul para essas mudanças tecnológicas e, por isso, está delineando cursos voltados para essa cadeia produtiva. “Sabemos que a indústria metalmecânica e energia renovável vão ser os grandes fomentadores da economia nos próximos anos e precisamos nos aprimorar nessa área. Ainda dentro desse ensejo, o Senai tem trabalhado com nova tecnologia de ensino e aperfeiçoado os cursos na modalidade EaD (Educação a Distância), tanto em base tecnológica como em bases administrativas, porque são demandas de mercado.

Formação de técnicos

As áreas que mais vão demandar a capacitação de profissionais com formação técnica em Mato Grosso do Sul são transversais; metalmecânica; energia e telecomunicações; logística e transporte; e eletroeletrônica. Profissionais com qualificação transversal trabalham em qualquer segmento, como técnicos em eletrotécnica e técnicos de controle da produção.

Cursos técnicos têm carga horária entre 800h e 1.200h (1 ano e 6 meses) e são destinados a alunos matriculados ou egressos do ensino médio. Ao término, o estudante recebe um diploma.

Áreas com maior demanda por formação – Técnicos

Transversais – 4.776

Metalmecânica – 2.174

Energia e telecomunicações – 2.053

Logística e transporte- 1.829

Eletroeletrônica – 1.684

Ocupações industriais com maior demanda por formação dentro e fora da indústria – Técnicos

Técnicos de controle da produção – 2.192

Técnicos em eletrônica – 1.275

Técnicos em eletricidade e eletrotécnica – 1.105

Técnicos em operação e monitoração de computadores – 893

Supervisores da construção civil – 828

Especialistas em logística de transportes – 757

Técnicos de planejamento e controle de produção – 718

Supervisores da fabricação de alimentos, bebidas e fumo – 641

Técnicos em transportes rodoviários – 627

Técnicos de laboratório industrial- 610

Qualificação profissional

Já os cursos de qualificação são indicados a jovens ou profissionais, com escolaridade variável de acordo com o exercício da ocupação, e buscam desenvolver novas competências e capacidades. Ao final, o aluno recebe um certificado de conclusão.  As áreas que mais vão exigir a capacitação de trabalhadores com esse tipo de formação, de acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2019-2023 serão:

Áreas com maior demanda por formação – Qualificação (+200h)

Metalmecânica – 10.872

Alimentos – 3.389

Energia e telecomunicações – 2.663

Eletroeletrônica – 1.621

Confecção e vestuário- 1.560

Áreas com maior demanda por formação – Qualificação (-200h)

Logística e transporte- 20.396

Transversais – 15.924

Metalmecânica – 15.570

Alimentos – 14.153

Construção – 13.047

Segundo o Mapa, entre as ocupações que exigem cursos de qualificação e que mais vão demandar profissionais capacitados estão mecânicos de manutenção de veículos automotores; preparadores e operadores de máquinas-ferramenta convencionais, entre outras:

Ocupações industriais com maior demanda por formação dentro e fora da indústria – Qualificação (+200h)

Mecânicos de manutenção de veículos automotores – 3.781

Mecânicos de manutenção de máquinas industriais – 2.610

Preparadores e operadores de máquinas-ferramenta convencionais – 1.693

Instaladores e reparadores de linhas e cabos elétricos, telefônicos e de comunicação de dados- 1.561

Padeiros, confeiteiros e afins – 1.330

Trabalhadores na fabricação e conservação de alimentos – 1.301

Eletricistas de manutenção eletroeletrônica – 1.282

Operadores de máquinas para costura de peças do vestuário – 1.174

Trabalhadores de instalações elétricas – 1.096

Mecânicos de manutenção de máquinas pesadas e equipamentos agrícolas – 1.011

Ocupações industriais com maior demanda por formação dentro e fora da indústria – Qualificação (-200h)

Motoristas de veículos de cargas em geral – 16.931

Alimentadores de linhas de produção – 14.407

Magarefes e afins – 11.936

Trabalhadores da mecanização agrícola – 10.720

Ajudantes de obras civis – 3.878

Trabalhadores na operação de máquinas de terraplenagem e fundações- 3.244

Trabalhadores de estruturas de alvenaria – 2.697

Trabalhadores de soldagem e corte de ligas metálicas – 1.961

Trabalhadores operacionais de conservação de vias permanentes (exceto trilhos) – 1.850

Apontadores e conferentes – 1.636

Em relação ao nível superior, as áreas de informática, gestão e construção serão as que mais vão precisar qualificar profissionais no período de 2019 a 2023, de acordo com o Mapa do Trabalho:

Áreas com maior demanda por formação – Superior

Informática – 2.051

Gestão – 1.998

Construção – 1.051

Metalmecânica – 343

Logística e transporte- 278

Ocupações industriais com maior demanda por formação dentro e fora da indústria – Superior

Analistas de tecnologia da informação – 1.757

Engenheiros civis e afins – 773

Gerentes de produção e operações em empresa da indústria extrativa, de transformação e de serviços de utilidade pública – 549

Gerentes de manutenção e afins – 202

Arquitetos e urbanistas – 190

Engenheiros de produção, qualidade, segurança e afins- 189

Gerentes de suprimentos e afins – 186

Engenheiros eletricistas, eletrônicos e afins – 162

Gerentes de tecnologia da informação – 148

Administradores de tecnologia da informação – 134

Metodologia

O Mapa do Trabalho Industrial é elaborado a partir de cenários que estimam o comportamento da economia brasileira e dos seus setores; projeta o impacto sobre o mercado de trabalho e estima a demanda por formação profissional industrial (formação inicial e continuada). As projeções e estimativas são desagregadas no campo geográfico, setorial e ocupacional, e servem como parâmetro para o planejamento da oferta de cursos do Senai.

Na opinião de Rafael Lucchesi, conhecer as necessidades do mercado é fundamental para o planejamento da oferta de formação profissional. “O Senai é referência em educação profissional porque está alinhado com as necessidades da indústria e mantém seus cursos atualizados com o que existe de mais avançado em termos de tecnologia”, explicou.

A instituição possui o Modelo Senai de Prospecção, que permite prever quais serão as tecnologias utilizadas no ambiente de trabalho em um horizonte de cinco a dez anos. A metodologia já foi transferida a instituições de mais de 20 países na América do Sul e no Caribe. O método foi apontado ainda pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como exemplo de experiência bem sucedida na identificação da formação profissional alinhada às necessidades futuras das empresas.