Morre aos 91 anos o maestro italiano Ennio Morricone

Ennio Morricone em ação em concerto em Budapeste, Hungria, em janeiro de 2016 – Foto: EPA

Morreu nesta segunda-feira (6), aos 91 anos, o maestro italiano Ennio Morricone, autor de inesquecíveis trilhas sonoras para o cinema e vencedor de duas estatuetas no Oscar, incluindo uma pelo conjunto de sua obra.

O músico e compositor faleceu em uma clínica de Roma, capital da Itália, devido às consequências de uma queda. A família anunciou, por meio do advogado Giorgio Assumma, que o funeral de Morricone será fechado ao público, “no respeito ao sentimento de humildade que sempre inspirou os atos de sua existência”.

Segundo Assumma, o maestro “conservou a plena lucidez e grande dignidade até o fim”. “Ele saudou a amada esposa Maria, que o acompanhou com dedicação em cada instante de sua vida humana e profissional e esteve a seu lado até o último suspiro, e agradeceu a filhos e netos pelo amor e pelo cuidado que lhe doaram”, declarou.

Ainda de acordo com o advogado da família, Morricone também “dedicou uma comovida recordação a seu público, de cujo afetuoso apoio sempre tirou a força da própria criatividade”. Em uma mensagem no Twitter, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, disse que o país sempre se lembrará do “gênio artístico” do maestro.

“Ele nos fez sonhar, nos emocionar, refletir, escrevendo notas memoráveis que permanecerão indeléveis na história da música e do cinema”, acrescentou. Já a atriz Monica Bellucci, que trabalhou com Morricone em “Malèna”, de Giuseppe Tornatore, afirmou que o músico tinha a capacidade de “tornar o mundo melhor porque sabia criar a beleza”.

“Ennio Morricone, com sua música, nos eleva para um lugar mais alto, do qual precisamos tanto para poder ainda acreditar na nobreza da alma”, declarou.

Trajetória

Nascido no dia 10 de novembro de 1928, em Roma, o maestro criou mais de 500 melodias para o cinema e a televisão, e suas grandes paixões eram a música sinfônica e a experimentação.

Filho de trompetista e formado no Conservatório de Santa Cecilia, uma das escolas de música mais renomadas da Itália, Morricone faz parte do restrito panteão dos grandes maestros da história do cinema, como confirmam a estrela na Calçada da Fama de Hollywood e os dois prêmios no Oscar: um em 2007, pelo conjunto de sua obra, e outro em 2016, pela trilha sonora original de “Os Oito Odiados”, de Quentin Tarantino, um de seus maiores fãs.

Além disso, foi indicado outras cinco vezes: por “Cinzas no Paraíso”, em 1979, “A Missão”, em 1987, “Os Intocáveis”, em 1988, “Bugsy”, em 1992, e “Malèna”, em 2001. Outros grandes trabalhos de Morricone são as trilhas originais de “Por um Punhado de Dólares” (1964), “Cinema Paradiso” (1988) e “Bastardos Inglórios” (2009).

Ao relatar sua grande capacidade de trabalhar com o cinema, o maestro explicou certa vez que gostava de ter liberdade. “Há diretores que pedem coisas razoáveis e, neste caso, eu os ouço. Mas, depois, coloco minha assinatura, a minha atenção criativa. Essa aceitação dos pedidos dos diretores não é passiva.”

Segundo Morricone, a trilha sonora, antes de agradar ao diretor e ao público, precisava agradar a ele próprio. “Eu devo ficar contente antes do cineasta. Não posso trair minha música”, dizia. O maestro italiano também conquistou três prêmios no Globo de Ouro, seis no Bafta e 10 no David di Donatello, o “Oscar” do cinema italiano.

Da AnsaFlash

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