Ministro da Justiça deu a declaração durante audiência na CCJ da Câmara. Site The Intercept divulgou supostas mensagens que teriam sido trocadas entre o ex-juiz e procuradores.

O ministro Sergio Moro, durante audiência pública na CCJ da Câmara dos Deputados – Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou nesta terça-feira (2), ao participar de audiência na Câmara para esclarecer o conteúdo de mensagens atribuídas a ele e a procuradores da República, que houve “invasão” de celulares de autoridades para tentar invalidar, criminosamente, as condenações” da Operação Lava Jato.

O ex-juiz federal voltou a dizer que não reconhece a autenticidade das mensagens divulgadas pelo site The Intercept e que as conversas do aplicativo Telegram não estão mais arquivadas no celular dele. E dando continuidade à narrativa que adotou desde que vieram à tona as supostas conversas trocadas com integrantes do Ministério Público Federal (MPF), ele disse, mais uma vez, que “é comum” juízes falarem com procuradores e advogados sobre processos.

Nas últimas semanas, o The Intercept publicou uma série de reportagens que revela supostas mensagens trocadas entre Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato.

Segundo o site, o ministro orientou a atuação de procuradores da República na época em que era o responsável pelos processos da Lava Jato na Justiça Federal do Paraná. O ministro e os integrantes do Ministério Público não reconhecem o conteúdo das mensagens.

“A meu ver, o que existe é uma tentativa criminosa de invalidar condenações, e o que é pior: a minha principal suspeita é de que [o objetivo] seja evitar o prosseguimento das investigações. Criminosos que receiam que as investigações possam chegar até eles e estão querendo se servir desses expedientes [as invasões e as mensagens] para impedir que as investigações prossigam”, afirmou o ministro na audiência solicitada por parlamentares de três comissões da Câmara.

Na primeira fala aos deputados, Moro afirmou, mais de uma vez, que agiu “com correção e com base na lei” durante a condução dos processos da Lava Jato na primeira instância. O ex-juiz também disse que tomou as decisões como magistrado “sem qualquer espécie de desvio”.

“Minha opinião é de que alguém com muitos recursos está por trás dessas invasões e o objetivo principal seria invalidar condenações da Lava Jato”, voltou a sugerir Moro, a exemplo do que já havia afirmado quando, há duas semanas, prestou esclarecimentos no Senado sobre as mensagens divulgadas pelo The Intercept.

Defesa à Lava Jato

O ministro da Justiça também reafirmou aos deputados que as supostas “invasões a celulares” não devem ter sido feitas por um “adolescente com espinhas”, mas por várias pessoas. Ele também já havia usado a mesma metáfora no Senado.

Sérgio Moro saiu em defesa da Lava Jato diante dos deputados. Para ele, “é inegável que a operação mudou a impunidade no Brasil.

O ministro disse aos deputados que a maioria das decisões dele como juiz responsável pela Lava Jato no Paraná foi submetida, por meio de recursos, a instâncias superiores. Ele citou alguns números:

  • Decisões mantidas sem alteração: 70 (39%)
  • Condenações mantidas com penas aumentadas: 45 (25%)
  • Penas diminuídas: 37 (21%)
  • Pessoas que foram absolvidas em primeiro grau, mas condenadas em segundo grau: 8 (4,55%)
  • Pessoas absolvidas em segundo grau: 10 (5,68%)

Do G1