O presidente da República, Michel Temer (PMDB), analisou o cenário político das eleições deste ano e a presença ou ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O peemedebista foi entrevistado com exclusividade pela Rádio Bandeirantes na manhã desta segunda-feira.

“Dizer que Lula ‘está morto’ politicamente, que não estará presente [no cenário político]… morto ele não está”, declarou.

Para Temer, a ausência do ex-presidente “tensiona o país”. “Temos que distencionar as relações. O Brasil vive um tensionamento permanente. É brasileiro contra brasileiro”.

“Queria que Lula participasse da eleição para pacificar o país”, afirmou.

O presidente admitiu que a proposta de reforma da Previdência pode sofrer novas alterações.

Temer reconheceu que a economia gerada com o texto atual será menor do que a esperada, mas considerou ser melhor do que nada.

O presidente afirmou que a ideia do governo é não ir além do que já foi: “O Legislativo é um lugar de diálogo. Não é improvável que lá haja um diálogo para insistir junto ao governo, por exemplo, o tema da pensão, da dupla pensão, aposentadoria com pensão, deve ser amenizado, não deve… É possível que aconteça isso. Mas sempre haverá uma economia muito significativa neste padrão ao longo dos 10 anos”.

Michel Temer declarou que considera este momento pós-recesso mais favorável à aprovação da reforma do que o fim do ano passado.

Para o presidente, o governo está conseguindo esclarecer que as mudanças não vão tirar direitos dos aposentados, mas garantir o pagamento no futuro.

Ele acrescenta garante que a proposta vai combater privilégios e equiparar servidores públicos e funcionários de empresas: “Um milhão de servidores que ganham muito acima do teto representam quase metade do déficit previdenciário do país. 29,5 milhões trabalhadores do setor privado representam essa metade mais metade. Então você veja a distorção desses privilégios”.

Michel Temer afirmou que quem não votar a favor da reforma estará fazendo um mal para o país e para os aposentados.

Perguntado sobre quais privilégios a reforma colocaria um fim, Michel Temer disse que o projeto visa diminuir, principalmente, a diferente entre o setor público e o privado.

“Será que o trabalhador público, que ganha mais, trabalha mais arduamente do que o do setor privado? Ou é ao contrário? O princípio de igualdade é fundamental”.

Michel Temer defendeu indicações políticas para preencher cargos em empresas estatais. Ao falar sobre os quatro vice-presidentes da Caixa que foram afastados, o presidente afirmou ser quase impossível preencher todos os cargos sem indicações.

“Quando um presidente chega, ele tem um número de estatais que têm 200 cargos para preencher. Como um presidente vai sentar e escolher as 200 pessoas com critérios de moralidade absoluta?”, declarou.

“Podem chegar sugestões da classe política, eleita pelo voto. Então tenho o direito de indicar nomes. Agora, nomes inconvenientes, que não atendam muito bem, o governo decidirá. O fato de indicar não é criminoso. É um fato sensível na democracia”.

Dos 12 vice-presidentes da Caixa, quatro foram afastados por pedido do Banco Central e do Ministério Público por “irregularidades”. Os nomes dos próximos vices para os cargos serão eleitos pelo próprio Conselho da Caixa, não mais por indicação política.

“As pessoas esquecem, mas a lei das estatais, que busca a moralidade administrativa, fui eu que regulamentei. Sancionei este projeto. Aconteceu essa adaptação no Banco do Brasil, Petrobrás, Furnas e agora na Caixa. O Conselho vai nomear os vices, frutos de ato deste governo”.

Michel Temer foi entrevistado pelos jornalistas Salomão Ésper, Pedro Campos e Rafael Colombo e também pelo cientista político Fernando Schüller na edição desta segunda-feira do “Jornal Gente”.