Um espaço em uma esquina movimentada da Avenida Mato Grosso, em Campo Grande, vem chamando atenção. Além da gastronomia, a Mercearia Portuguesa também entrega uma experiência afetiva, resgatando a cultura lusitana, a memória familiar e o aconchego das casas “de antigamente”. Depois de quatro anos circulando por feiras de rua, a mercearia enfim ganhou um ponto fixo.
O ambiente é um dos grandes destaques. Móveis originais da década de 60, como uma mesa de família feita em 1966 e cadeiras de palhinha, compõem o cenário que remete ao conceito de “casa de vó”.
A vitrine de vidro permite que quem passa na calçada acompanhe a cozinha em movimento, criando uma conexão direta entre rua, comida e memória. O aroma de bolinho de bacalhau dourando no óleo e de pastel de nata recém-saído do forno é como um convite inevitável.

A proposta da Mercearia Portuguesa é trazer receitas tradicionais de origem portuguesa, mas em releituras com ingredientes regionais sul-mato-grossenses, valorizando o bioma do Cerrado e comunidades locais.
Por exemplo, as amêndoas dão lugar ao baru e especiarias tradicionais são substituídas por baunilha do Cerrado. Assim, o cardápio da mercearia carrega uma narrativa de pertencimento e adaptação cultural.
A estética vintage como inspiração para criações contemporâneas
O movimento de resgate do passado não acontece somente na gastronomia. Ele também tem inspirado diversas produções atuais, atravessando moda, design, entretenimento e tecnologia. A nostalgia está cada vez mais deixando de ser apenas lembrança e sendo linguagem criativa.
Dentro do universo dos games, o jogo Aviator é um exemplo desta tendência. Inspirado em jogos dos primeiros computadores, ele possui uma mecânica simples, onde um aviãozinho sobe e o usuário precisa decidir quando irá pará-lo.
Outro caso é o Fear Effect 2: Retro Helix, jogo de ação e aventura lançado originalmente em 2001, que será relançado ainda este ano para PC, PS4, PS5 e Nintendo Switch, surfando na onda da valorização da cultura retrô.
Enquanto no mundo da moda, o Nike Cortez, ícone dos anos 70, aparece como forte aposta para 2026. O modelo, que originalmente foi projetado para corridas, retorna agora como símbolo de conforto e estilo atemporal.
Outra tendência vintage que também está retornando é o crochê. Além dos acessórios e roupas de cotidiano, ele também está aparecendo nos looks de Carnaval das famosas.
Foi o caso da cantora Iza, que participou em janeiro de um ensaio da escola de samba Imperatriz Leopoldinense usando uma peça assinada pelo estilista Gustavo Silvestre, conhecido pelo estilo de crochê “revolucionário”.
Tradição, afeto e futuro no mesmo prato
A Mercearia Portuguesa mostra bem como o resgate de memórias pode se transformar em uma experiência cheia de significado e atual.
Na decoração, quadros, pinturas e até os típicos azulejos portugueses resgatam a trajetória familiar dos proprietários, ao mesmo tempo que ressoa para os clientes que possuem laços com o país.
Enquanto no menu, as natinhas, o bacalhau e outras delícias mesclam bem as tradicionais receitas portuguesas com ingredientes à la brasileira.
Em tempos de tecnologia e avanços modernos, revisitar histórias, sabores e estéticas antigas pode ser uma forma criativa de buscar vínculos e dar novos significados ao presente.



















