Proposta será discutida pela União Europeia em 10 de abril

A primeira-ministra britânica, Theresa May – Foto: Ansa

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, propôs nesta sexta-feira (5) adiar o Brexit para o próximo dia 30 de junho, depois das eleições para o Parlamento da União Europeia, que acontecem de 23 a 26 de maio.

O rompimento entre Londres e Bruxelas estava marcado para 29 de março, mas foi adiado para 12 de abril devido à falta de aprovação do acordo de separação pela Câmara dos Comuns. Se o tratado do Brexit for chancelado até esse prazo, algo improvável no momento, a saída ocorrerá em 22 de maio, de modo a dar tempo para preparar os trâmites burocráticos.

Em uma carta enviada ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, May tenta ganhar mais tempo para garantir um divórcio ordenado e sugere a data de 30 de junho. “Caso as partes consigam ratificar [o Brexit] rapidamente, a extensão será concluída antes”, diz a primeira-ministra.

Na mensagem, May garante que o governo britânico quer realizar a saída do Reino Unido da UE até 23 de maio, mas avisa que “continuará fazendo os preparativos” para organizar as eleições europeias “caso esse plano não se mostre viável”.

O pedido da primeira-ministra deve ser discutido em uma reunião extraordinária do Conselho Europeu em 10 de abril e precisará de unanimidade entre os 27 Estados-membros remanescentes para ser aprovado.

Segundo a BBC, Tusk pretende propor um “adiamento flexível” do Brexit por 12 meses, mas permitindo que o rompimento aconteça antes se o Parlamento britânico aprovar um acordo de retirada. A UE, contudo, vem tentando evitar a participação do Reino Unido nas eleições de maio, uma vez que já redesenhou a distribuição de assentos em seu Parlamento devido à saída do país.

Sem apoio dentro do Partido Conservador, May tenta negociar uma saída com a oposição trabalhista. A Câmara dos Comuns já rejeitou seu acordo em três ocasiões, sempre por ampla maioria, e também rechaçou todas as alternativas propostas tanto pelo governo quanto pela oposição.

O principal entrave continua sendo o “backstop”, mecanismo que prevê fronteiras abertas entre a República da Irlanda, Estado-membro da UE, e a Irlanda do Norte, território britânico, no caso de fracasso em futuras negociações para um acordo comercial entre Londres e Bruxelas.

Da AnsaFlash