Marinisa Mizoguchi visita Hospital da Vida com grupo de vereadores

A comissão vistoriou a unidade de urgência e emergência de Dourados, se reuniu com o diretor clínico do hospital e se comprometeu em intervir para encontrar uma solução para a saúde, no município

Secretária municipal de Educação informou à Marinisa que já foram feitas contratações para substituir médicos que pediram demissão no Hospital da Vida – Foto: Assessoria

Marinisa Mizoguchi (PSB) integrou a comissão de vereadores que visitou o Hospital da Vida, no final da tarde desta quarta-feira (24). A parlamentar andou por todos os setores da unidade de urgência e emergência de Dourados e se reuniu com o diretor clínico do hospital, o médico Raul Espinosa.

A vereadora fez questão de participar da visita porque entende que a saúde é o bem mais precioso do ser humano e deve ser tratado com o máximo de cuidado e respeito. “Não fomos ao hospital para julgar ninguém ou colocar funcionários contra a parede. Sabemos que eles sofrem tanto quanto os pacientes que ali estão. São inúmeros problemas que existem, principalmente a falta de recursos para a saúde de Dourados que é obrigado a atender pacientes de uma macrorregião que engloba mais de 30 municípios e tem cerca de um milhão de habitantes”

Ela vê com preocupação os pedidos de demissão de médicos, não só do Hospital da Vida, mas também da UPA – Unidade de Pronto Atendimento. “Saber que um hospital de urgência e emergência estava com 21 médicos plantonistas, no pronto socorro, em novembro, e que dentro de poucos dias pode ficar com apenas seis, menos de um terço é uma situação alarmante e nós do legislativo temos que nos unir e agir para que a saúde de Dourados não entre em colapso”, alerta a parlamentar.

Marinisa disse que durante reunião, o diretor clínico do hospital relatou que a unidade, que é de urgência e emergência tem recebido muitos pacientes idosos, com doenças crônicas, que ficam internados por meses ocupando leitos que deveriam ser usados para outras finalidades. “Esses pacientes deveriam estar em outros hospitais que são referencia nesse tipo de atendimento. O nosso tem a função de atender emergências”, explicou o doutor Raul Espinosa ao grupo de vereadores.

Outro problema relatado pela direção clínica do hospital é a falta de segurança para os médicos e demais funcionários, tanto por atender pacientes com doenças infectocontagiosas sem ter área de isolamento, quanto por receber pacientes que vem do presídio. “Pessoas disseram que já encontraram a porta do pronto socorro fechada, mas não sabe que nesse dia um homem queria invadir o hospital para tentar matar um paciente baleado que estávamos atendendo. Trabalhamos esse dia sem nenhuma segurança e apavorados. Sábado passado um médico foi agredido. Como se culpa dessa situação fosse nossa, dos funcionários. As condições de trabalho são precárias e corremos riscos de pegarmos uma série de doenças. Temos vários casos de funcionários que precisaram ser afastados para tratamento de tuberculose”, declarou o médico.

Apesar da situação precária, a vereadora destaca o trabalho prestados pelos médicos e funcionários e a dedicação deles em salvar vidas, além de realizarem captação de órgãos e cirurgias de implantes e reconstituições de membros. Quanto a segurança, Marinisa disse que realizou alguns encaminhamentos.

“Já fiz uma solicitação que será encaminhada para a Guarda Municipal e a Polícia Militar para atender tanto o Hospital da Vida, quanto a UPA sempre que estiverem atendendo pacientes vítimas de agressão, tentativa de homicídio ou presidiários”, explica.

Marinisa defende ainda que o Hospital da Vida, que hoje é de responsabilidade do município, seja assumido pelo Estado unificando com o Hospital Regional, ou caso isso não ocorra, que os municípios que enviam pacientes para Dourados façam o ressarcimento da diferença de valores dos gastos. “O município não tem condições de arcar com os custos dessa conta, onde muitas cidades são beneficiadas. É preciso dividir a conta entre todos ou aumentar o subsídio enviado pelo Estados e a União”, conclui a parlamentar.

A vereadora também esteve conversando com a secretária municipal de Saúde, Berenice Machado, para saber como o parlamento municipal pode ajudar o município a resolver os problemas da saúde, em especial esse do Hospital da Vida, com a evasão de médicos.

“O hospital está passando por uma reorganização e que a partir de agosto estará atendendo apenas as urgências e emergências. E as demais situações serão atendidas pela Upa e pelas Unidades Básicas de Saúde que atendem até 24h e nas UBSs do Parque das Nações, Seleta, da Vila cachoeirinha que atenderão até as 22h, além do Hospital Evangélico e Hospital Universitário que são unidades de referência. Quanto a demissão dos oito médicos, já ocorreram novas contratações para substitui-los”, explicou a secretária para a vereadora Marinisa.

Depois de ouvir o desabafo do diretor clínico, a comissão se comprometeu em comparecer na assembleia dos médicos que acontece nesta quinta-feira na Igreja Presbiteriana do Relógio, às 18h30, para levantar todas as demandas da categoria. A Câmara de Vereadores também deve estudar meios de articular politicamente com o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), que é sul-mato-grossense e o secretário de saúde do Estado, o deputado federal licenciado Geraldo Resende (PSDB), que é de Dourados, para conseguir mais recursos para a saúde do município.