Dados do Datafolha apontam que propostas encontram resistência também entre os bolsonaristas

O presidente Jair Bolsonaro – Assessoria/PR

No dia 4 de junho de 2019, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), enviou projeto de lei para o congresso com mudanças no Código Brasileiro de Trânsito. As medidas visavam afrouxar a fiscalização em alguns pontos, como determinar o fim dos radares de velocidade nas rodovias e aumentar os pontos necessários para ter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) cassada. De acordo com pesquisa do Datafolha, a maioria da população rechaça as medidas.

A proposta mais polêmica e que enfrenta a maior resistência dos entrevistados é a de acabar com a multa para quem não transportar crianças de até sete anos nas cadeirinhas de segurança nos veículos. Segundo o levantamento, 68% dos entrevistados são contrários a essa modificação no Código Brasileiro de Trânsito.

Hoje, a maior brecha na lei é em relação ao transporte em carros locados ou em aplicativos de transporte particular. Serviços de aluguel de carros em Brasília e demais estados do Brasil não contam com cadeirinhas de transporte infantil, assim como carros de Uber ou táxi. Embora as empresas não sejam obrigadas a ofertar o equipamento de segurança, os pais podem alugá-lo ou solicitar que o motorista o instale.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a utilização de cadeirinhas infantis pode reduzir em até 60% o número de crianças mortas com acidentes de trânsito. Entre 2001 e 2017, cerca de 5.000 crianças de até nove anos morreram em acidentes e a principal causa era a falta do equipamento de segurança, segundo a ONG Criança Segura.

Em transmissão pelo Facebook, Bolsonaro ainda intenta retirar os radares de velocidade nas rodovias. Essa medida é reprovada por 67% dos entrevistados. Outra parcela menor – mas majoritária – se opõe a dobrar de 20 para 40 pontos o limite na carteira de habilitação: 56%.

Entre os entrevistados que possuem carteira de habilitação o descontentamento também é majoritário. Destes, 70% são contrários ao fim da multa pela falta de cadeirinha e 58% desaprovam ao plano de retirar radares das estradas. O aumento do limite de pontos para a CNH, no entanto, é um tema que divide opiniões – 50% são contra e 48% são a favor, o que os colocam dentro da margem de erro de dois pontos.

As mudanças no CTB foi um aceno de Bolsonaro a parte do eleitorado, principalmente os caminhoneiros. Na época, ele afirmou que quem reclama das propostas “que procure um taxista, motorista de caminhão, quem vive no trânsito, [que] às vezes com um pequeno descuido perde a carteira de trabalho”.

Entre os eleitores do capitão reformado do exército, 52% são a favor do novo limite proposto e 45% não apoiam a mudança. Mesmo entre os bolsonaristas a opinião é majoritariamente contrária ao fim dos radares (58%), e 63% não apoiam o fim da multa para as cadeirinhas.