quarta-feira, 11 - março - 2026 : 9:43

Lula: justiça climática é apostar em combate à fome e às desigualdades

Em plenária do BRICS sobre meio ambiente, COP 30 e saúde global, presidente afirma que não há direito à saúde sem investimento em saneamento, segurança alimentar, educação, moradia, trabalho e renda

Lula sobre a mudança do clima: “É inadiável promover a transição justa e planejada para o fim do uso de combustíveis fósseis e para zerar o desmatamento” – Foto: Ricardo Stuckert /PR

Ao discursar nesta segunda-feira, 7 de julho, na Sessão Plenária “Meio Ambiente, COP30 e Saúde Global” da Cúpula do BRICS, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que combater a fome e as desigualdades é essencial no desafio de frear efeitos da mudança do clima e de garantir mais saúde às populações de todo o planeta.

“Justiça climática é apostar em ações comprometidas com o combate à fome e às desigualdades socioambientais. Apesar de ser um direito humano, bem público e motor de desenvolvimento, a saúde global também é profundamente afetada pela pobreza e pelo unilateralismo”, disse Lula.

Ao se referir aos desafios climáticos, Lula lembrou que o aquecimento global ocorre em ritmo mais acelerado do que o previsto e que as florestas tropicais estão sendo empurradas para o ponto de não retorno.

“Nosso desafio é alinhar ações para evitar ultrapassar um grau e meio de aumento da temperatura do planeta. Será preciso triplicar energias renováveis e duplicar a eficiência energética. É inadiável promover a transição justa e planejada para o fim do uso de combustíveis fósseis e para zerar o desmatamento. Unidades de contagem de carbono justas e inclusivas podem atrair investimentos produtivos verdes e justos”, reforçou Lula.

Florestas tropicais – O presidente também citou o exemplo do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que será lançado na COP 30, em Belém (PA), no mês de novembro. O fundo vai remunerar serviços ecossistêmicos prestados ao planeta. “Ao proteger, conservar, e restaurar territórios, criamos oportunidades para comunidades locais e povos indígenas. Os países em desenvolvimento são os mais impactados por perdas e danos. São também os que menos dispõem de meios para arcar com mitigação e adaptação”.

Declaração – O líder brasileiro e anfitrião da Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro ressaltou a importância da Declaração sobre Financiamento Climático e o Lançamento da Parceria para a Eliminação das Doenças Socialmente Determinadas, que será publicada nesta segunda. Segundo ele, as iniciativa “propõe superar essas desigualdades sistêmicas com ações voltadas para infraestrutura física e digital e para o fortalecimento de capacidades”.

Saúde e espaço fiscal – Ao analisar o acesso à saúde globalmente, Lula lembrou que existe uma enorme diferença entre como vivem os habitantes dos hemisférios Norte e Sul e destacou que o sucesso do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 requer prioridade de investimentos. “Não há direito à saúde sem investimento em saneamento básico, alimentação adequada, educação de qualidade, moradia digna, trabalho e renda. No Brasil e no mundo, a renda, a escolaridade, o gênero, a raça e o local de nascimento determinam quem adoece e quem morre. Implementar o ODS 3 — saúde e bem-estar — requer espaço fiscal”, afirmou Lula.

O que são – Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), também conhecidos como Objetivos Globais, são um conjunto de 17 objetivos estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015. Esses objetivos visam erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que todas as pessoas desfrutem de paz e prosperidade até 2030.

Resgate da OMS – Lula classificou como urgente a necessidade de que a Organização Mundial da Saúde recupere seu protagonismo como foro legítimo para o enfrentamento às pandemias e na defesa da saúde dos povos. E citou ações do BRICS em temas voltados à saúde, como a consolidação da Rede de Pesquisa de Tuberculose, com o apoio do Novo Banco de Desenvolvimento e da OMS, e a cooperação regulatória em produtos médicos. “São exemplos concretos do quanto já avançamos”.

Novo modelo – Para o presidente, os países do Sul Global não querem mais ser conhecidos apenas como produtores e exportadores de matérias-primas. “Precisamos acessar e desenvolver tecnologias que permitam participar de todas as etapas das cadeias de valor”.

Agenda — Antes da Sessão Plenária sobre Meio Ambiente, COP30 e Saúde Global, os chefes de Estado e de Governo dos países-membros, parceiros e de engajamento externo do BRICS posaram para a chamada fotografia de família do bloco. A agenda desta segunda-feira (7/7) ainda prevê a adoção da Declaração sobre Financiamento Climático e da Parceria para a Eliminação das Doenças Socialmente Determinadas.

Grupo — O BRICS é um agrupamento formado por 11 países membros: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Serve como foro de articulação político-diplomática de países do Sul Global e de cooperação nas mais diversas áreas.

Representatividade — Os países do BRICS representam 48% da população mundial, 36% do território do planeta, 40% do PIB global e 21,6% do comércio (TradeMap; Banco Mundial). A corrente de comércio do Brasil com o BRICS totalizou US$ 210 bilhões, representando 35% do total em 2024.

Relevância — O BRICS foi o destino de US$ 121 bilhões das exportações brasileiras, representando 36% do total exportado pelo Brasil em 2024 e foi a origem de US$ 88 bilhões das importações brasileiras, representando 34% do total importado pelo Brasil no mesmo ano (ComexStat). No ano anterior, os investimentos dos países do bloco no Brasil totalizaram cerca de US$ 51 bilhões (Banco Central).

Balança comercial — De janeiro a junho de 2025, o intercâmbio entre o Brasil e países do BRICS foi de US$ 107,6 bilhões. As exportações brasileiras alcançaram US$ 59 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 48,5 bilhões — superávit de US$ 10,4 bilhões. A pauta de importações brasileiras é baseada, em grande parte, em óleos combustíveis de petróleo, adubos e fertilizantes químicos, embarcações e outras estruturas flutuantes. O Brasil exporta majoritariamente para o BRICS soja, óleos brutos de petróleo e minério de ferro, além de carne bovina, açúcares e celulose.

Presidência — Como em mandatos anteriores (2010, 2014 e 2019), a presidência brasileira pretende contribuir para o avanço do diálogo e da concertação no BRICS em temas políticos e de segurança, econômico-financeiros, e relativos à sociedade civil. O Brasil segue buscando reformas no sistema de governança global, sempre em prol da maior participação dos países emergentes e em desenvolvimento e de maior legitimidade e eficiência das organizações internacionais existentes. Guiada pelo lema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”, a presidência brasileira em 2025 se concentra em duas prioridades: cooperação do Sul Global e parcerias para o desenvolvimento social, econômico e ambiental.

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