Da Band News

Uma análise feita na manhã desta quarta-feira, pela reportagem da BandNews FM, aponta que a lista de propina com os nomes de 1.829 políticos entregue pela JBS à Procuradoria-Geral da República traz, na maior parte dos casos, apenas doações oficiais, além de algumas anotações.

Dos 30 maiores valores verificados, todos batem com os registros do Tribunal Superior Eleitoral. A planilha foi entregue pelo diretor de Relações Institucionais, Ricardo Saud, e não inclui outros valores revelados em depoimento.

“Esses 500 milhões, quase 600 milhões que estamos falando aqui, é quase tudo propina. Tudo tem promessa, tudo tem alguma coisa. Nós doamos propina para 28 partidos. Esse dinheiro foi desmembrado para 1.829 candidatos. Essas pessoas estão cientes disso”, afirmou o executivo.

Com isso, propina teria sido paga via Caixa 1. No caso de Dilma Rousseff, do PT, por exemplo, a suposta propina seria de R$ 78 milhões.

Ainda na corrida ao Palácio do Planalto, Aécio Neves recebeu pouco mais de R$ 30 milhões; Eduardo Campos, do PSB, R$ 3,5 milhões; e Marina Silva, da Rede, R$ 4,5 milhões. Todos os valores são os mesmos registrados pelos candidatos no TSE, conforme apurou os repórteres Pablo Fernandez e Angelo Sfair.

Palavra do advogado

Procurado, o advogado dos irmãos Joesley e Wesley Batista, Pierpaolo Bottini, ressaltou que os clientes dele ainda serão chamados a prestar novos esclarecimentos sobre a propina paga por meio de Caixa 1. Ele lembrou que há um prazo, estabelecido no acordo de delação premiada, para incluir novas provas.

“Existem situações em que isso é mais fácil de mostrar, em outras situações você tem uma maior dificuldade. É justamente para isso que existem os inquéritos que vão ser instaurados em cada caso, para que o órgão de acusação e a investigação façam todas as apurações necessárias. Agora, é importante lembrar que o acordo prevê um prazo de 120 dias para explicar e complementar as explicações, a respeito de cada um desses pontos”, disse o advogado.

Na corrida ao governo de Minas Gerais, a propina que teria sido paga pela JBS, segundo a lista entregue ao Ministério Público Federal, foi de R$ 3 milhões para Pimenta da Veiga, do PMDB, e de quase R$ 6 milhões para Fernando Pimentel, do PT. Mais uma vez, os valores são os mesmos dos registrados na Justiça Eleitoral. Há outros casos iguais, como os dos senadores Antônio Anastasia e José Serra, ambos do PSDB, além de Gilberto Kassab, do PSD.

70 da Odebrecht

Ao defender a delação premiada no Supremo Tribunal Federal, a JBS entregou uma tabela comparativa com outros acordos firmados com a Procuradoria-Geral da República. Entre os itens está o fato de o grupo de ter apontado o pagamento de propina a 1.829 políticos. No caso da Odebrecht, são 70, a maioria beneficiária de Caixa 2.

O advogado dos irmãos Batista recordou, no entanto, que o acordo só pode ser revisado ao fim do processo. “É claro que no final da ação penal o tribunal vai verificar a eficácia. Ou seja, se aquilo que foi entregue realmente fazia sentido, se houve alguma coisa que era contrária à verdade, e pode eventualmente revisar um ou outro benefício. Mas o importante é que nesse momento o relator, o ministro Edson Fachin do Supremo Tribunal Federal entendeu que aquele acordo feito entre os empresários e a maior autoridade do Ministério Público era válido e proporcional”, declarou Pierpaolo.

BandNews FM também analisou os valores mais baixos da tabela de propina. O menor foi pago ao deputado estadual por São Paulo Cezinha de Madureira, do DEM: 16 reais. Logo depois aparece o deputado estadual por Minas Gerais Antônio Carlos Arantes, do PSDB: 25 reais. Os valores também estão registrados na Justiça Eleitoral. Todos negam as acusações.

Resposta

Em nota, a Procuradoria-Geral da República afirmou que as informações prestadas pelos executivos da J&F em acordo de delação premiada estão sob análise do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A J&F, por sua vez, esclarece que colaboradores já diferenciaram os valores pagos a título de doação oficial e de caixa dois, além de terem indicado as somas pagas em contrapartida a atos de ofício.