Levantamento do MEA/MS promove melhoria da eficiência do agronegócio estadual

Apurar o custo de produção e identificar a rentabilidade dos sistemas produtivos da soja e do milho em 11 municípios de Mato Grosso do Sul, esse foi o objetivo do projeto Mapeamento da Economia Agrícola de Mato Grosso do Sul (MEA) na safra 2016/2017. Os dados da pesquisa, apresentados na manhã desta quinta-feira (25), estão segmentados por região e possibilitam ao produtor uma importante ferramenta para a tomada de decisão.

As informações foram colhidas por meio de painéis agrícolas nos municípios de Três Lagoas, Maracaju, Sidrolândia, Ponta Porã, Iguatemi, Naviraí, Chapadão do Sul, Sonora, Costa Rica, São Gabriel e Amambai. Por meio dessas reuniões, foram caracterizados os sistemas de produção praticados nessas cidades, bem como os coeficientes técnicos relacionados aos insumos, máquinas, implementos, serviços e vetores de preços praticados na localidade.

O projeto foi executado por meio do Convênio N° 26.262/2016/Fundems/Sepaf, realizado entre a Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) e a Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar). A Famasul é apoiadora do projeto e a Embrapa Agropecuária Oeste, sediada em Dourados, é co-realizadora.

Os profissionais responsáveis pela realização do estudo foram Alceu Richetti e Rodrigo Arroyo Garcia, ambos da Embrapa Agropecuária Oeste e Luiz Eliezer, analista econômico do Sistema Famasul.

Inovação e acesso

“Esse é um mecanismo que traz competitividade, sustentabilidade e integração para a produção do Estado. Através dos resultados do MEA/MS, o produtor consegue comparar os custos da sua realidade particular, da sua propriedade, com a média de custos que está sendo praticada nas demais regiões produtoras”, contextualiza Christiano Bortolotto, presidente da Aprosoja/MS.

As publicações podem ser acessadas gratuitamente, por meio de download, no portal eletrônico da entidade. Cliqueaqui(http://bit.ly/2rAodTk).

Para o Chefe Geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Guilherme Lafourcade Asmus, a Embrapa está satisfeita com os resultados obtidos por meio dessa importante parceria. “Esse projeto possibilitou que a pesquisa avançasse no sentido de gerar conhecimentos úteis aos produtores rurais do Mato Grosso do Sul e que poderão, com auxílio tecnológico, usar as informações no seu dia-a-dia”, destacou ele.

Análise econômica

“Os custos estão bem elevados para esta safra. A safra de soja foi de desafios, o produtor esperava um preço médio ponderado acima de R$ 60 pela saca de 60 kg para pagar os custos, mas isso não ocorreu, os preços ficaram abaixo. Por outro lado, tivemos boa produtividade”, avalia o analisa de economia do Sistema Famasul, Luiz Eliezer, que apresentou os dados do MEA/MS.

“Com produtividade melhor, a safra ficou estreita, sim, mas pelo menos a rentabilidade ficou no limite, e não negativa. No ano passado chegamos a quase R$ 80 pagos pela saca, e neste ano ficamos com uma média de R$ 60. Isso deixa a margem de lucro muito justa ao produtor”, completa Eliezer.

“Já no caso do milho o prejuízo é grande. Os custos não estão cobrindo nem o desembolso do produtor. Ele esperava conseguir um preço de pelo menos R$ 30 pela saca para cobrir esses custos, mas os preços caíram, vieram para R$ 20, sendo que no ano passado tivemos até mesmo R$ 50 pela saca. Mas é claro que essa foi uma realidade atípica, uma vez que tivemos dólar elevado, muito escoamento no primeiro quadrimestre do ano passado e, portanto, menor oferta de produto devido à quebra de 33% na 2ª safra de milho, o que gerou números tão elevados em 2016”, finaliza.

Em relação à soja, o custo médio destacado pelo levantamento do MEA/MS é de R$ 3 mil por hectare, enquanto o produtor teve receita bruta de R$ 3.100 por hectare, ou seja, uma margem de lucro muito apertada.

No caso do milho, o gasto do agricultor para realizar o plantio da cultura foi de R$ 2.200 por hectare. Mas, segundo o levantamento, o produtor vai receber R$ 1.800 de receita ao ser considerado o preço de R$ 20 pagos pela saca de 60 kg atualmente, o que deixa a renda negativa.

Simulador inédito no País

Os dados do MEA/MS também ficarão disponíveis em um aplicativo gratuito para smartphones, que também foi apresentado hoje. Entre o mecanismo mais inovador oferecido pelo APP está um simulador de custos de produção, uma ferramenta que permite ao produtor realizar o levantamento da rentabilidade de seu negócio, dando sustentabilidade e estratégia às suas ações.

“Através do simulador do aplicativo, o agricultor consegue fazer uma análise fina de todos os seus resultados, identificando onde ele está sendo mais ou menos eficiente em sua governança. Isso confere competitividade a ele, como produtor, competitividade ao setor, que vai ter condição de realizar uma gestão mais eficaz, e traz sustentabilidade ao homem do campo porque, se ele tem boas informações sobre custos de produção, ele vai tornar seu negócio mais bem gerido e mais sustentável economicamente”, detalha Christiano Bortolotto.

“Além disso, os dados e o aplicativo do MEA/MS também trazem sustentabilidade ambiental, social e trabalhista porque, através do app, o produtor conhece como funciona o projeto Soja Plus e tem acesso a esse programa para que, de forma gratuita, receba orientação normativa sobre regras ambientais e trabalhistas de sua propriedade. Por fim, essas iniciativas trazem integração, uma vez que todos os setores da sociedade vão ter acesso às informações geradas por esse e outros projetos que realizamos, com dados da evolução e do conhecimento que temos do campo”, finaliza o presidente.

Participaram também do evento o vice-presidente da Famasul, Nilton Pickler, Renato Roscoe, Superintendente de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Produção e Agricultura Familiar, representando o secretário Jaime Verruck, da Semagro; e o deputado estadual Junior Mochi, presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Assessoria da Aprosoja/MS