Juiz veterano de Nova York conduz caso histórico contra Nicolás Maduro por narcotráfico

Juiz sênior desde 2011, Hellerstein, indicado por Bill Clinton em 1998, conduziu casos marcantes dos atentados de 11 de setembro

O juiz federal Alvin K. Hellerstein, de 92 anos, figura de longa trajetória no Judiciário norte-americano, está à frente do processo de grande repercussão que envolve o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Segundo a CNN Brasil, nomeado pelo então presidente Bill Clinton em 1998 e atuando como juiz sênior desde 2011 no Distrito Sul de Nova York, Hellerstein já presidiu ações emblemáticas relacionadas aos ataques de 11 de setembro de 2001 e outros casos sensíveis sobre segurança nacional e terrorismo.

No último sábado (3), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou uma nova acusação contra Maduro, reforçando um processo por tráfico internacional de drogas que tramita há 15 anos e que Hellerstein acompanha há mais de uma década. De acordo com a denúncia, o líder venezuelano e seus aliados teriam usado o aparato estatal como instrumento de corrupção e enriquecimento ilícito alimentado pelo narcotráfico.

O caso se desenrola em um contexto jurídico complexo. Em 2023, o ex-general venezuelano Hugo Carvajal Barrios, que comandou o serviço de inteligência do país, declarou-se culpado perante Hellerstein por envolvimento em tráfico de drogas e atividades ligadas ao narco terrorismo.

Especialistas apontam que a defesa de Maduro deverá alegar imunidade por se tratar de atos cometidos enquanto chefe de Estado de uma nação estrangeira. O analista jurídico da CNN e ex-promotor federal Elie Honig destaca a singularidade do processo, afirmando que não há precedentes diretos na história recente dos EUA.

Além desse caso, Hellerstein também se destacou por decisões impactantes contra o ex-presidente Donald Trump. Ele rejeitou o pedido de Trump para transferir seu processo criminal relacionado a pagamentos de suborno para a esfera federal, entendendo que o reembolso feito a Michael Cohen, responsável por silenciar a atriz Stormy Daniels, não configurava ação oficial ligada à presidência.

O magistrado também criticou duramente, no ano passado, o uso da Lei de Inimigos Estrangeiros pelo governo Trump para deportar venezuelanos. Em decisão contundente, impediu que a administração executasse expulsões para locais onde os deportados enfrentariam prisões arbitrárias e ausência de julgamento justo.

A condução do caso Maduro por um juiz com histórico firme em decisões envolvendo figuras poderosas e temas delicados adiciona um peso institucional à denúncia, cuja repercussão pode se estender por todo o cenário diplomático latino-americano.

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