Itinerário de vida, por João Baptista Herkenhoff

João Baptista Herkenhoff é Juiz de Direito aposentado (ES) e escritor – Divulgação

A história de uma vida vai sendo traçada, página após página.

Proferi centenas de palestras, no Espírito Santo, fora do Espírito Santo e fora do Brasil.

Abordei, com extrema freqüência, questões de Ética, Cidadania e Direitos Humanos.

Tive o cuidado de registrar e guardar o que escrevi e falei.

Mas esse zelo não foi capaz de abarcar integralmente a presença modesta, porém sincera e conseqüente, no cenário do debate.

Muitas palestras eu as proferi de improviso, seguindo um roteiro de idéias.

Entrevistas também foram concedidas, expondo idéias originais, sem pedir recibo de autenticidade.

Essas idéias foram apresentadas aqui e ali, mas nunca houve a preocupação de garantir autoria.

Afinal, a quem pertencem as idéias?

Não são mera centelha de Deus no coração humano?

Muito mais importante do que documentar um itinerário de vida é crer ou supor que esse itinerário de vida teve fruto.

Idéias semeadas, testemunhos prestados, palavras lançadas ao vento e também impressas nos corações…

Propostas apresentadas, escolhas existenciais deflagradas…

Falei em capitais, falei em cidades do interior, falei em Paris, falei em São José do Calçado, no interior do Espírito Santo.

Partilhei projetos de mundo com crentes de diversas religiões, nas andanças pelo Brasil e pelo mundo.

Falei para os doutos ou os que têm o título de doutos, mas falei também aos pequeninos, nas Comunidades Eclesiais de Base.

E obviamente falei muitas vezes em Cachoeiro de Itapemirim, minha cidade natal.

Não se escreve a História apenas nos grandes centros do país ou do mundo. Estes centros dominam o espaço da mídia.

Mas numa perspectiva de tempo, não é a mídia que faz a História.

A mídia pertence aos grandes.

A História, em muitas oportunidades, foi obra dos pequenos.

Na impossibilidade de reunir tantas sementes lançadas, registrei num livro, simbolicamente, um pouco do que vivi, ouvi, pensei e preguei.

Na França tive a oportunidade de participar de um colóquio islâmico-cristão. No Brasil, na Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória, lutei, ao lado de presbiterianos, espíritas e até de um suposto ateu, por causas humanistas, em favor de pessoas sem teto, sem identidade, sem nome, sem direitos, embora filhos do mesmo Deus. Contestei o ateísmo do companheiro que supunha ser ateu. Disse a ele que queria ser portador de uma Fé tão profunda como a Fé que animava sua vida e que permitia a ele não ter medo da morte quando enfrentava os poderosos para defender os pequenos.

O livro, que pretendo publicar, reúne textos a respeito de Cidadania e Direitos Humanos.

O conjunto dos escritos tenta demonstrar que esse patrimônio foi legado de múltiplas tradições religiosas e filosóficas espalhadas pelo mundo.

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