No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, ACS recebe texto da jornalista e irmã do acadêmico Denilto Freire Júnior, diagnosticado com autismo

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a Assessoria de Comunicação Social (ACS/UFGD) recebeu o texto da Mayara Freire, jornalista e irmã do acadêmico de Ciências Biológicas da UFGD, Denilto Freire Júnior, diagnosticado com autismo aos 13 anos e que este ano ingressou no ensino superior público federal. Para a família, a UFGD foi uma conquista e, com as informações sobre o Transtorno, as adaptações foram mais fáceis.

A UFGD possui 03 acadêmicos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que recebem apoio de uma equipe multidisciplinar através do Núcleo Multidisciplinar para Inclusão e Acessibilidade (NUMIAC/UFGD), coordenado pela professora doutora Mirlene Ferreira.

O NUMIAC atende cerca de 140 estudantes universitários com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação baseado em um programa institucional para a promoção do acesso, participação e sucesso da referida população na UFGD. “Essa população tem o direito de potencializar seu projeto de vida durante o seu percurso acadêmico, proporcionando-lhes subsídios necessários, com vistas à concretização de suas aspirações pessoais e profissionais”.

Leia o texto de Mayara Freire na íntegra
“Diagnosticado com autismo aos 13 anos, o jovem Denilto Freire Júnior, 18 anos, conta como é conviver com o transtorno. Nesta terça-feira (2), é comemorado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. A data é para ajudar a conscientizar a população sobre o transtorno no desenvolvimento do cérebro que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo.

Entre as dificuldades do dia a dia, a interação social, para ele, é uma das mais desafiadoras. “Interagir com as pessoas é difícil. Gostaria que as pessoas tentassem amizade, já que eu não consigo falar muito bem com pessoas novas”, explica.

Júnior teve um laudo tardio. Mesmo passando por vários médicos desde criança, foi só na adolescência que a família teve o diagnóstico e pode direcionar o tratamento de maneira mais eficaz. “Nós procuramos vários profissionais, diziam que era déficit de atenção, que estava tudo bem. Por ele não se enquadrar nos sintomas mais frequentes, foi mais difícil”, conta Rozenilda Salgueiro Freire, mãe do jovem.

Júnior tem 18 anos, e é acadêmico de Biologia da Universidade Federal da Grande Dourados/MS (UFGD). Ele é classificado como TEA – Transtorno do Espectro Autista, e faz acompanhamento multidisciplinar com psiquiatra, psicóloga e fonoaudiólogo. A faculdade foi uma conquista, já que passou na ampla concorrência. Apesar de comportamento e características específicas, ele sempre frequentou ensino regular e optou por estudar o ensino médio integral. “Foi muito emocionante quando ele passou, nós sabíamos que ele era capaz, mas ver o nome dele lá foi uma vitória”, disse Rozenilda.

Mas o caminho escolar não foi simples. Antes do diagnóstico e até mesmo depois, enfrentar um ensino padronizado foi difícil. Hoje na universidade, e com mais informação, as adaptações são mais fáceis. O Núcleo Multidisciplinar para Inclusão e Acessibilidade (Numiac), oferece apoio e orientação aos acadêmicos para facilitar o aprendizado.

É importante lembrar que cada autista é uma pessoa única, e suas dificuldades e facilidades são pessoais como em qualquer pessoa. Questões sensoriais são pontos comuns, mas apresentam níveis e incômodos diferentes para cada um.  Para Júnior, o que mais incomoda são “barulhos altos e cheiros fortes”.

Segundo a psicóloga, Juliety Aliny de Souza, “a terapia analítico-comportamental possui a função de ensinar o paciente a adquirir novos comportamentos, a fim de que possa conseguir reforços, dos quais se está privado, que lhe gera sofrimento”. Por isso iniciar o tratamento cedo é primordial. Para Juliety o desafio como profissional é ser agente de mudança. “Meu olhar como terapeuta, é que cada sujeito, seja ele autista ou não, tem suas particularidades. Cabe a nós conscientizar-se de que devemos conhecê-las, entendê-las, aceitá-las, livres de qualquer preconceito”.

Muitas pessoas gostam de dizer que o autista vive no seu mundo, mas na verdade eles estão no mesmo mundo que todos. A diferença está na forma de interação, como a maioria dos autistas age diferente, é comum as pessoas desistirem de entender.  Mas se quem está em volta observar, verá que é possível encontrar formas de se comunicar.  Neste dia Internacional em que o apelo é pela inclusão, fica a mensagem do Júnior, “por favor, pesquise pelo menos um pouco sobre”.

O que é Autismo
Autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais: inabilidade para interagir socialmente; dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos; padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

A psicóloga explica que, de acordo com DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) pode ser classificado conforme o grau de dependência ou necessidade de suporte, podendo ser considerado: autismo leve, moderado ou severo. Com isso, somente após as avaliações é que serão delineadas intervenções comportamentais adequadas, bem como procedimentos e técnicas que serão implementadas.

Contudo, o trabalho multiprofissional é de extrema importância. A parceria entre diversos profissionais (alguns essenciais, outros opcionais e escolhidos por cada família) é a base da intervenção. Bem como o engajamento da família no tratamento do filho(a).”