Iniciativa da Fiems e Famasul traz 1ª indústria de processamento de borracha para o Estado

Assinatura do termo de concessão de benefícios fiscais foi nesta segunda no Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande – Assessoria

O projeto de estruturação e expansão da cadeia produtiva da borracha em Mato Grosso do Sul, iniciado pela Fiems em conjunto com o Governo do Estado e Famasul, trouxe para o Estado a ASK Trading, primeira indústria de processamento de látex e outros produtos, que vai explorar a matéria-prima dos seringais plantados no leste do Estado.  O termo de concessão de benefícios fiscais à empresa foi assinado nesta segunda-feira (05/08), durante ato no Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande (MS).

O grupo, que detém uma usina de beneficiamento de borracha natural em Mirassol, no interior paulista, vai implantar uma unidade no município de Aparecida do Taboado (MS). Em razão da iniciativa das federações em parceria com o Governo, ali está instalado, desde 2017, um polo da borracha, que abrange também as cidades de Cassilândia (MS) e Paranaíba (MS), e consiste no incentivo ao plantio das seringueiras, passando por tecnologia e inovação, até a industrialização da matéria-prima.

Na época, o presidente da Fiems, Sérgio Longen, já destacava o potencial de negócios da exploração da borracha. “Após inúmeras tratativas, daremos agora o primeiro passo para avançar nesta atividade que, com certeza, fará a diferença no desenvolvimento do nosso Estado”, comemorou o empresário após a assinatura do termo, acrescentando, ainda, que as ações para fortalecer a cadeia produtiva serão intensificadas.

Ações de fomento

O secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), Jaime Verruck, parabenizou Longen por ter iniciado a discussão de estímulo a cadeia da borracha. “Vamos continuar com as ações de fomento e estruturação do plano de desenvolvimento do setor borracha, com foco no estímulo ao plantio local da seringueira e capacitação da mão de obra”, reforçou.

O titular da Sefaz (Secretaria Estadual de Fazenda), Felipe Mattos, salientou as ações do governo para atração de novos empreendimentos ao Estado. “Apesar das dificuldades para equilibrar as finanças, o Governo manteve a política de incentivos, e de trocar arrecadação de impostos por emprego e renda, e agregando valor as commodities e produtos locais”, disse.

Presidente da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Paulo Corrêa considerou este um dia histórico para Mato Grosso do Sul. “Estamos trazendo uma nova atividade para o Estado, e reforçando a produção da agroindústria, um setor importantíssimo e exemplo nacional de empregabilidade”, pontuou.

Planos ambiciosos

O sócio-administrativo da ASK Trading, Ricardo Machado Fontenla, afirma ter planos ambiciosos para o Estado, acrescentando que, até a terceira fase do projeto, prevista para ser implantada até 2023, a expectativa é que a unidade local supere a produção de Mirassol, hoje a 4ª maior do Brasil. “Nossa atividade considera primordialmente a facilidade de compra da matéria-prima. Quanto mais próximo dos seringais, melhor. Enxergamos em Mato Grosso do Sul um potencial produtor e, toda a produção local que estiver disponível para negociação, temos interesse em comprar”, atestou.

Segundo o executivo da empresa, atualmente 60% da borracha processada no Brasil é importada, em sua maioria da Ásia. “É inadmissível que a gente ainda precise importar matéria-prima da Ásia, enquanto poderíamos ter em abundância no Brasil, porque a demanda é grande”, completou.

Empregos e investimentos

Segundo Ricardo Machado Fontenla, a indústria de processamento de látex da ASK Tranding terá capacidade para gerar 294 empregos diretos e indiretos. Com a assinatura do termo, a planta industrial já começará a ser construída, conforme o cronograma de implantação de empresa, em uma área de 3.000 m² em Aparecida do Taboado, com investimentos de R$ 3 milhões, entre estrutura, equipamentos e veículos.

A unidade vai produzir, inicialmente, o chamado GEB-10 (Granulado Escuro Brasileiro Tipo 10), proveniente do processo de limpeza do látex e preparada para ser revendida às indústrias de pneus, peças automotivas, de calçados, entre outras que utilizam o material como matéria-prima. A capacidade de produção inicial será de 1.500 toneladas por mês de borracha granulada, e deve atingir 7 mil toneladas por mês até janeiro de 2023. Depois, terá início também a produção de borracha granulada e composto de borracha.

Cadeia da borracha

Mato Grosso do Sul tem mais de 11 milhões de seringueiras plantadas em 21 mil hectares, de acordo com dados do Sindicato Rural de Aparecida do Taboado. Considerando que cada árvore custa R$ 60, o Estado tem floresta avaliada em R$ 660 milhões. O município de Cassilândia detém 67,29% do setor no Estado, com 7,4 milhões de árvores e 13 mil hectares. Aparecida do Taboado aparece em segundo no ranking dos municípios com 16,43% de participação e 1,8 milhões de árvores em 3,8 mil hectares. Inocência tem 4,2% da produção estadual, com 474 mil árvores.

Apesar da maioria da produção estar localizada na costa Leste do Estado, ainda há registro de seringueiras em Bataguassu, Paranaíba, Três Lagoas, Camapuã, Chapadão do Sul, Paraíso das Águas e Figueirão. O Estado ainda tem 1.300 hectares de seringueiras em reservas legais. O projeto de estruturação da cadeira da borracha no Estado teve início em julho de 2017, com uma união de esforços da Fiems, Famasul, Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), a Assembleia Legislativa e a Aprobat (Associação dos Produtores de Borracha de Aparecida do Taboado e Região).