Indústria sofre com falta de qualificação em meio a emprego recorde, aponta CNI

Reclamação sobre falta de trabalhadores saltou de 5% para 23% após a pandemia; problema já é o 4º maior entrave do setor, superado apenas por impostos, juros e demanda

Falta de mão de obra qualificada virou um dos maiores desafios da indústria após a pandemia © Claraboia Filmes/CNI

Apesar de o país registrar a menor taxa de desemprego desde 2012, o mercado de trabalho industrial vive um paradoxo. A escassez de profissionais qualificados tem se agravado ao travar a competitividade e obrigar as empresas a capacitar e requalificar os trabalhadores. A análise consta em uma nota técnica publicada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (9).

De acordo com o IBGE, a taxa de desocupação no trimestre encerrado em dezembro foi de 5,1%, a menor da série histórica. Por outro lado, o mercado de trabalho apresenta elevado nível de informalidade, já que 38% das ocupações não têm registro ou proteção social. Além disso, é crescente a falta de interesse da população, especialmente dos mais jovens, por relações de trabalho tradicionais. Uma pesquisa divulgada pelo Datafolha no ano passado aponta que 59% dos brasileiros preferem ser autônomos, percentual que sobe para quase 70% entre os jovens de 16 a 24 anos.

Em meio a esse cenário, a falta de mão de obra qualificada se tornou um dos principais problemas enfrentados pela indústria, sobretudo nos últimos cinco anos, após a pandemia de Covid-19. Segundo a Sondagem Industrial, da CNI, a escassez de profissionais capacitados chegou a figurar na última posição do ranking de 17 preocupações do setor. A menção a esse item no ranking se manteve em torno de 5% entre 2015 — início da série — e 2020. De lá até 2024, cresceu quase ininterruptamente, quando atingiu 23% das assinalações.

Desde então, o entrave oscila em torno desse percentual, chegando a atingir 23,3% no segundo trimestre do ano passado, maior percentual da série até o momento. No levantamento mais recente, aparece na quarta posição do ranking de principais problemas, atrás apenas da elevada carga tributária, dos juros altos e da demanda interna insuficiente.

Entre as pequenas empresas, o problema é ainda maior, atingindo 28,4% das empresas, em segundo lugar do ranking e atrás apenas da alta carga tributária.

“Sem trabalhador qualificado, as empresas têm dificuldade para aumentar a produtividade, afetando tanto a busca pela eficiência quanto a redução de desperdícios. Na hora de capacitar os trabalhadores, elas esbarram em outro problema: as lacunas na formação educacional, que dificultam o aprendizado e desestimulam os trabalhadores”, afirma o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles.

Indústria capacita, mas esbarra em outros entraves 

De acordo com a CNI, as empresas buscam capacitar os trabalhadores, mas acabam esbarrando em outro problema: a baixa qualidade da educação básica. As lacunas na formação educacional dificultam o aprendizado e desestimulam os trabalhadores a buscarem qualificação.

Outro desafio é a rápida transformação tecnológica e organizacional, que exige requalificação contínua dos trabalhadores. Segundo o Mapa do Trabalho Industrial da CNI, três em cada cinco trabalhadores precisarão ser treinados até 2027. O principal objetivo das capacitações é alinhar as competências dos profissionais recém-contratados às demandas das empresas.

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