Daiane Benitis começou a ser treinada por “Toninho Pietranalle” no projeto Dourados Paralimpico – Foto: GloboEsporte.com

Em São Paulo na realização do Camping Escolar Paralímpico, que é promovido pelo CPB (Comitê Paralimpico Brasileiro), uma indígena que faz parte do projeto Dourados Paralimpico que é mantido pela Prefeitura Municipal por meio da FUNED (Fundação de Esporte de Dourados) está sendo o grande destaque da competição nacional.

Daiane Benitis, de 14 anos, que é treinada pelo profissional em educação física Antônio Pietramalle, o “Toninho Pietramale”, vem se despontando como uma das promessas do atletismo paraolímpico brasileiro.

Natural de uma aldeia no município de Paranhos, Daiane Benitis está em São Paulo participando do camping esportivo como uma das integrantes da seleção brasileira.

De acordo com reportagem elaborada pelo site GloboEsporte.com, Daiane Benitis, única integrante do Mato Grosso do Sul a fazer parte do grupo na capital paulista, já nasceu correndo e dando demonstrações de força para o esporte.

Pertencente à etnia Guarani/Kaiowá, a menina que se acostumou a perseguir animais e caçá-los para as refeições da família, vem de dois anos para cá treinando com “Toninho Pietramale” no projeto Dourados Paralimpico, que tem como sua base de treinos no estádio Frédis Saldivar, o “Douradão”. “Para nós é uma satisfação ver o sucesso desta garota. Isso comprova que o projeto Dourados Paralimpico é uma realidade na administração da prefeita Délia Razuk. Novas conquistas dos nossos paralimpicos virão ao longo deste ano que se inicia, pois além da Daiane Benitis, temos grandes paratletas fazendo parte do nosso projeto”, disse Jânio César Amaro.

Correndo para a escola

Daiane Benitis, que têm uma parte do corpo mais fraca devido a uma paralisia cerebral, passou a usar a ótima resistência física para outros fins, foi descoberta em uma competição escolar e hoje se tornou uma promessa do atletismo paralímpico brasileiro, competindo também nas provas de campo.

A garota em São Paulo está entre os 37 adolescentes que participam do Camping Escolar Paralímpico já visando o ciclo de Tóquio 2020.

Os paratletas participantes, que estão passando por um regime de treinamentos de alta performance, ficarão em São Paulo até o próximo dia 5.

Em contato com a reportagem do site Globo Esporte.com, a garota disse: “Comecei a praticar esportes na aldeia. Sempre gostei de correr e fazer força. Há dois anos participei de uma competição na escola onde eu estudava, e o meu atual técnico me viu e gostou do meu desempenho. Daí ele foi à minha casa conversar com a minha família sobre a possibilidade de eu ser atleta. Minha mãe deixou. Hoje moro na cidade de Dourados e treino para seguir carreira no esporte, disse ela, referindo-se ao professor “Toninho Pietramalle”.

A garota conta que sempre levou uma vida típica de índia até os 12 anos.

Como sua aldeia ficava bem afastada das cidades mais próximas, ela tinha de percorrer seis quilômetros por dia -ida e volta- a pé para estudar. “Nossa aldeia é muito tranquila. Não há conflito, todo mundo respeita todo mundo e você não vê violência. Só que o caminho para a escola que eu estudava era perigoso. Como todas as crianças iam estudar a pé e sem os pais, muitos adultos aproveitavam para atacar. Comigo nunca aconteceu nada. Para evitar que acontecesse, muitas vezes eu ia e voltava da aula correndo com os meus dois irmãos”, disse a garota à reportagem.

Morando em um centro urbano há apenas dois anos, Daiane Benitis ainda está em fase de adaptação à vida na cidade. Estudando atualmente em uma escola de Dourados, ela está em São Paulo pela segunda vez na vida, o que tem sido um verdadeiro choque cultural para a jovem paratleta. “São Paulo é uma cidade muito bonita, mas é muito diferente do mundo que eu vivia. Tem muito carro, trânsito e barulho. O que eu mais estranho é que na aldeia a gente fazia tudo a pé e comia o que plantava e caçava. Aqui é tudo diferente, mas eu estou me adaptando”, comentou ela.

Destaque nos 100m livre da última Paralimpíada Escolar, Daiane Benitis migrou para as provas de campo, sendo elas, arremessos de peso, dardo e de disco ao chegar ao camping em São Paulo.

Com força de uma guerreira, Daiane Benitis planeja um futuro brilhante para ela no esporte paralímpico. “Tudo o que eu estou fazendo agora é pensando no meu futuro. Vejo-me como atleta e vou fazer o que precisar para ter sucesso”, concluiu ela a reportagem.