Na área da saúde, o mês de novembro é lembrado por esse tema, de essencial importância para profissionais que atuam em unidades de internação

Integrantes da Comissão de Cuidados com a Pele estiveram nos locais de internação conscientizando os colaboradores – Foto: Assessoria

Reforçando o contínuo trabalho que desenvolve em prol da capacitação e da conscientização sobre a prevenção das lesões por pressão, a Comissão de Cuidados com a Pele do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) realizou, nesta semana, dois dias de atividades em alusão ao tema, voltadas a profissionais de toda a rede municipal de saúde.

A ação deu ênfase ao Dia Mundial de Prevenção da Lesão por Pressão, que neste ano foi instituído como 15 de novembro. Nesta quarta-feira (7), as integrantes da Comissão se empenharam em conversar com colaboradores de diversos setores assistenciais do HU-UFGD, como enfermarias e Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), e puderam sanar dúvidas e entregar material impresso com orientações.

Em continuidade, hoje (8) pela manhã, foi ministrada a palestra “Prevenção e tratamento de lesão por pressão”, conduzida pelas enfermeiras Jaqueline Sokem e Fernanda Felix, que abordaram, entre outros tópicos, a anatomia da pele, a classificação das lesões por pressão e a discussão de casos.

Para este evento, foram convidados enfermeiros e técnicos em Enfermagem da rede de atenção básica do município de Dourados, profissionais do Hospital da Vida e membros da Comissão de Cuidados com a Pele do HU-UFGD.

Como parte da campanha nacional “Mude de Lado e Evite a Pressão”, a iniciativa da Comissão recebeu o apoio da Associação Brasileira de Estomaterapia (Sobest). Já é o quarto ano consecutivo que ações como esta são realizadas pelo grupo.

Para a enfermeira Jaqueline Sokem, presidente da Comissão e especialista em Estomaterapia, o foco é sempre chamar a atenção dos colaboradores dos setores assistenciais, que lidam diretamente com o paciente. “Eles são as peças-chave no trabalho para se evitar e tratar a lesão por pressão, situação a que todo paciente que passa por longos períodos de internação está propenso, caso não sejam tomadas as medidas adequadas”, explica.

Cuidados

No Brasil, o Programa Nacional de Segurança do Paciente, considera a lesão por pressão um evento adverso à assistência à saúde e, portanto, a incidência dessas lesões deve ser reduzida dentro das instituições. Cerca de 95% dos casos pode ser evitado com a adoção de medidas simples, como: alívio da pressão, mudança de posicionamento dos pacientes e cuidados adequados com a pele.

Os locais comumente mais afetados são a região sacral (final da coluna vertebral, acima do cóccix) e os calcâneos (ossos que formam os calcanhares). As lesões causam danos consideráveis aos pacientes, dificultando o processo de recuperação funcional, ocasionando dor e levando à graves infecções, tendo sido associadas a internações prolongadas, sepse (infecção generalizada) e mortalidade.

Segundo dados da National Pressure Ulcer Advisory Panel, nos Estados Unidos a prevalência de úlcera por pressão em hospitais é de 15% e a incidência é de 7%. No Reino Unido, casos novos acometem entre 4% a 10% dos pacientes admitidos em hospitais. No Brasil, embora existam poucos trabalhos sobre incidência e prevalência de úlcera por pressão, um estudo realizado em um hospital geral universitário evidenciou uma incidência de 39,81%.

Comissão de Cuidados com a Pele

Criada em 2008, a Comissão de Cuidados com a Pele do HU-UFGD é um grupo multiprofissional que atua com o objetivo de orientar os trabalhadores da assistência à saúde quanto à realização de curativos, conscientizar sobre a prevenção de lesões de pele e incentivar à capacitação da equipe.

No HU-UFGD, filial da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a Comissão foi formada por iniciativa do próprio hospital, seguindo os passos de grandes centros de saúde brasileiros. Sua atuação tem colaborado para a diminuição de casos de úlcera por pressão em pacientes internados e promove a correta elaboração de curativos.