quinta-feira, 16 - abril - 2026 : 9:44

Guerra amplia tensão no Golfo e Irã ameaça petróleo a US$ 200

Conflito no Golfo atinge navios, eleva tensão e pressiona petróleo – Foto: Reprodução

A escalada da guerra no Oriente Médio ganhou novos contornos nesta quarta-feira (11), com o Irã elevando o tom das ameaças e afirmando que o mundo deve se preparar para um petróleo a US$ 200 por barril. Ao mesmo tempo, ataques contra embarcações mercantes no Golfo Pérsico e novos alertas internacionais reforçaram a percepção de um dos mais graves choques no mercado de energia desde os anos 1970.

O conflito, iniciado após bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel há quase duas semanas, já deixou cerca de 2 mil mortos, em sua maioria iranianos e libaneses. Além do avanço da violência para o território libanês, a guerra vem provocando forte instabilidade nos mercados globais de energia, transporte e ações.

Mesmo diante da intensificação dos ataques aéreos liderados por Washington e Tel Aviv, o Irã demonstrou manter capacidade de resposta. Nesta quarta-feira, Teerã lançou novos ataques contra Israel e outros alvos no Oriente Médio, enquanto suas forças também passaram a mirar embarcações em águas do Golfo Pérsico, ampliando o temor de colapso logístico na região.

Segundo informações divulgadas, três navios teriam sido atingidos no Golfo. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que abriu fogo contra embarcações que teriam desobedecido ordens emitidas por suas forças. Entre os casos registrados, um graneleiro com bandeira da Tailândia pegou fogo, obrigando a evacuação da tripulação, enquanto outras duas embarcações sofreram danos provocados por projéteis.

Com isso, chegou a 14 o número de navios mercantes atingidos desde o início da guerra. O cenário se agrava pela situação no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial. Até o momento, não há sinais de que a navegação no local esteja segura, e fontes apontam que o Irã teria instalado minas na rota, dificultando ainda mais qualquer tentativa de normalização.

A preocupação com a segurança energética levou a Agência Internacional de Energia a recomendar a liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais. A medida, considerada a maior intervenção desse tipo da história, foi rapidamente apoiada pelos Estados Unidos, que também sinalizaram aumento da produção doméstica por parte de empresas petrolíferas, estimuladas pela alta dos preços.

Ainda assim, o mercado segue sob forte pressão. Depois de se aproximar de US$ 120 por barril no começo da semana e recuar para a faixa de US$ 90, o petróleo voltou a subir quase 5% nesta quarta-feira, impulsionado pelos receios de novas interrupções no abastecimento. Em paralelo, os principais índices de Wall Street recuaram, desfazendo parte do otimismo anterior de investidores que apostavam em uma solução rápida para a crise.

Do lado norte-americano, o discurso público oscilou entre confiança e preocupação. Donald Trump afirmou que restava “praticamente mais nada” para ser atingido no Irã e chegou a dizer que, quando decidir, a guerra terminará. Ele também declarou não estar preocupado com a possibilidade de ataques iranianos em solo dos Estados Unidos, embora tenha surgido alerta do FBI sobre um risco potencial envolvendo drones contra a costa oeste americana.

Mais tarde, Trump afirmou que forças dos EUA destruíram 28 embarcações iranianas usadas para lançamento de minas e previu que os preços do petróleo iriam cair. Paralelamente, o Departamento de Estado advertiu que o Irã e milícias alinhadas podem preparar ataques contra estruturas de petróleo e energia ligadas aos EUA no Iraque, além de destacar ações anteriores contra hotéis frequentados por norte-americanos.

Israel, por sua vez, deixou claro que não pretende interromper a ofensiva no curto prazo. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que a operação seguirá sem limite de tempo, até que todos os objetivos sejam alcançados. Segundo autoridades israelenses e norte-americanas, a meta central é neutralizar a capacidade do Irã de projetar força além de suas fronteiras e desmontar seu programa nuclear.

Em meio à guerra, o porta-voz do comando militar iraniano, Ebrahim Zolfaqari, afirmou que o preço do petróleo depende da segurança regional e responsabilizou Washington pela desestabilização do cenário. Em resposta a bombardeios contra estruturas financeiras em Teerã, ele declarou ainda que o Irã poderá atacar bancos que mantenham negócios com os EUA ou Israel, ampliando a lista de possíveis alvos econômicos no conflito.

Dentro do Irã, a guerra também alterou profundamente a rotina da população. Grandes funerais tomaram as ruas em homenagem a comandantes mortos nos ataques aéreos, enquanto moradores de Teerã tentam se adaptar às noites sob bombardeio, ao êxodo de centenas de milhares de pessoas e à fumaça que encobre a capital. Apesar dos apelos externos por uma revolta popular, o regime ainda mantém o controle interno, com forças de segurança ameaçando tratar manifestantes como inimigos.

Nos bastidores, porém, cresce a percepção de que o conflito pode ser prolongado e de efeitos imprevisíveis. Enquanto autoridades israelenses admitem que o sistema político iraniano pode resistir à guerra, grupos opositores curdos afirmam estar prontos para uma insurgência armada, caso recebam apoio dos EUA. Entre ameaças militares, bloqueio marítimo e abalos nos mercados, o conflito já ultrapassa o campo de batalha e aprofunda uma crise com potencial de repercussão global.

DEIXE UM COMENTÁRIO/RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Definição de Cookie

Abaixo você pode escolher quais tipos de cookies permitem neste site. Clique no botão "Salvar configurações de cookies" para aplicar sua escolha.

FuncionalNosso site usa cookies funcionais. Esses cookies são necessários para permitir que nosso site funcione.

AnalíticoNosso site usa cookies analíticos para permitir a análise de nosso site e a otimização para o propósito de otimizar a usabilidade.

Social mediaNosso site coloca cookies de mídia social para mostrar conteúdo de terceiros, como YouTube e FaceBook. Esses cookies podem rastrear seus dados pessoais.

AnúnciosNosso site pode utilizar cookies de publicidade para mostrar anúncios de terceiros com base em seus interesses. Esses cookies podem rastrear seus dados pessoais.

OutrosAlgum conteúdo publicado em nosso site pode incluir cookies de terceiros e de outros serviços de terceiros que não são analíticos, mídia social ou publicidade.