Australiano perdeu asilo após 7 anos em embaixada do Equador – Foto: EPA

O fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, foi preso nesta quinta-feira (11), dentro da embaixada do Equador em Londres, onde estava asilado há sete anos. A informação foi confirmada pela Scotland Yard.

A prisão ocorreu após o governo equatoriano revogar a concessão de asilo a Assange. Neste momento, o jornalista está sendo mantido sob custódia no posto central da Scotland Yard e deverá prestar depoimento diante de um juiz ainda hoje.

“Posso confirmar que Assange, sete anos após entrar na embaixada equatoriana, está agora sob custódia policial para enfrentar devidamente a justiça do Reino Unido”, disse o ministro britânico do Interior, Sajid Javid. “Quero agradecer a embaixada do Equador pela cooperação, e a polícia pelo seus profissionalismo: ninguém está acima da lei”, ressaltou.

Por sua vez, o presidente do Equador, Lenin Moreno, informou que o asilo a Assange foi revogado porque o australiano teria cometido “violações da convenção internacional”, entre elas vazamento de informações oficiais do próprio governo de Quito e da vida pessoal do mandatário.

O Equador, sob liderança do ex-presidente Rafael Correa, tinha dado proteção a Assange em 2012.

Já o site WikiLeaks criticou a prisão. De acordo com a entidade, o “Equador revogou ilegalmente o asilo político, violando o direito internacional”. “Ele é filho, pai, irmão. Venceu dezenas de prêmios de jornalismo e foi nomeado a Nobel da Paz em 2010. Mas atores potentes, como a CIA, estão empenhados em um esforço sofisticado para desumanizá-lo, deslegitima-lo e aprisiona-lo”, exaltou o WikiLeaks.

De acordo com fontes e imagens locais, Assang foi preso dentro da embaixada equatoriana. Sete agentes entraram na sede diplomática para buscar o australiano. Ele deixou o local segundo um livro de Gore Vidal.

Hoje com 47 anos de idade, Assange foi o responsável por um dos maiores vazamentos de documentos oficiais e sigilosos do governo dos Estados Unidos. O episódio ocorreu em 2010, através do site WikiLeaks.

Desde 2012, Assange vivia na embaixada do Equador em Londres para evitar uma prisão e uma possível extradição à Suécia, onde foi investigado por estupro. O processo acabou sendo arquivado pela Justiça, mas as autoridades britânicas ainda o buscavam.

Assange sempre negou as acusações de estupro e alega que é vítima de uma perseguição por ter vazado os documentos. Ele teme ser extraditado aos EUA, onde pode ser condenado à prisão perpétua pela divulgação dos documentos.

Da AnsaFlash