Funcionária que se dizia vítima de ‘mães de santo’ desviava dinheiro de empresa há quatro anos

Funcionária de empresa do agronegócio em Dourados que denunciou mães de santo alegando ser vítima de extorsão no início de outubro, estaria desviando dinheiro da empresa há pelo menos quatro anos, causando prejuízo superior aos R$ 50,8 milhões destinados por ela às envolvidas. A informação é do delegado do SIG (Setor de Investigações Gerais), Rodolfo Daltro.

Nesta manhã, a Polícia Civil deflagrou a Operação Prelúdio, cumprindo mandados de busca e apreensão em dois locais de Dourados, um edifício na região do Jardim Tropical e em casa no Jardim Flórida. As informações são do Dourados News.

De acordo com o delegado, durante as investigações foram identificados patrimônio incompatível da trabalhadora ao salário recebido.

“Era proprietária de vários imóveis urbanos, rurais, gado e identificamos indícios que ela desviava dinheiro da empresa”, disse em entrevista aoDourados News.

Ainda conforme o titular do SIG, a suspeita passou a contatar os trabalhos espirituais na tentativa de não ser descoberta. Passado um tempo, as mulheres começaram a cobrar repasses mais volumosos para a suspeita continuar ‘protegida’.

“Ela, acreditando que esses desvios seriam descobertos, procurou gurus espirituais em São Paulo para fazer ‘trabalhos’ e impedir que as fraudes viessem à tona”, contou, lembrando que ao tomarem conhecimento do aporte financeiro da empresa, a pressão por mais dinheiro começou a ser feita.

Dentro das apurações do desvio de R$ 50,8 milhões, a polícia ainda não tem indícios de que a funcionária se beneficiou dos valores, porém, identificou várias movimentações dela nos últimos 20 dias na intenção de dificultar as investigações.

“Nos últimos dias ela começou a passar os bens a terceiros para dificultar as investigações, um desses [que receberam bens] seria o noivo dela. Conseguimos o sequestro de imóveis e automóveis dela para assegurar o ressarcimento à empresa”, comentou.

Todo o material apreendido foi encaminhado à delegacia para apuração dos policiais.

Daltro também alega que até o momento não se pode configurar ‘extorsão’ o dinheiro recebido pelas mulheres em São Paulo, porém, elas podem responder por estelionato e receptação, já que o dinheiro era furtado da empresa.

O caso

No dia 5 de outubro, mulher de 34 anos moradora em Dourados registrou boletim de ocorrência alegando ter sido vítima de chantagem. Ela disse ter depositado em diversas contas de uma ‘mãe de santo’, R$ 50,8 milhões.

O dinheiro seria da empresa onde a vítima é funcionária.

De acordo com o depoimento, o caso começou após a mulher realizar uma espécie de consulta com quem realiza os trabalhos espirituais, residente no Estado de São Paulo.

A suspeita teria alegado que a vítima iria morrer em questão de alguns dias, mas que poderia evitar o óbito caso as quantias de dinheiro parceladas fossem depositadas em contas bancárias.

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