Vereadores durante manifestos em frente a Prefeitura de Dourados. Daniela não esteve nas manifestações de estudantes indígenas – Divulgação

Deputado Neno Razuk quer perda de mandato de Olavo Sul e Daniela Hall por apoio a estudantes indígenas sem transporte escolar

O deputado estadual Neno Razuk, filho da prefeita de Dourados, Délia Razuk, pediu a abertura de processo de cassação por quebra de decoro dos vereadores Olavo Sul e Daniela Hall. O deputado acusa os parlamentares de participarem de manifestos de estudantes no dia 02 de outubro, que culminou com o bloqueio da MS 156.  O motivo da manifestação foi a falta de transporte escolar.

Os vereadores entenderam a medida como sendo uma retaliação e pressão ao trabalho que desenvolvem na Câmara de forma independente. Em sua fala na tribuna durante a sessão da última segunda-feira (04) a vereadora Daniela Hall disse que é absurda a acusação. Primeiro porque é prerrogativa do vereador em ouvir os anseios da comunidade e buscar saídas para as reivindicações e em segundo lugar porque apesar de entender que o protesto foi legítimo e apoiar a causa, não esteve presente durante os atos, conforme afirma documento do filho da prefeita.

“O deputado deve estar com muito tempo ocioso mesmo para ter tempo de se preocupar com picuinhas e acusar, sem qualquer fundamento, vereadores da cidade de Dourados. Quero dizer o seguinte ao senhor deputado Neno Razuk: quebra de decoro parlamentar é a omissão do deputado em relação ao abandono que está Dourados em todas as áreas: saúde, educação, esporte, lazer, cultura, serviços públicos de iluminação e tapa buracos; quebra de decoro parlamentar é a omissão do deputado quanto à falta de transporte escolar dos estudantes indígenas, cujo prefeito Marcos Pacco que teve que vir de Itaporã para resolver o problema de Dourados: Porque ele sim cuida das pessoas e de sua gente;  quebra de decoro parlamentar é a omissão do deputado quando centenas de criança permaneceram por dois meses sem conseguir ir à escola, porque a administração municipal não providenciou a manutenção nos ônibus escolares, mesmo com dinheiro em caixa; quebra de decoro parlamentar é a omissão do deputado quando o sistema que gerencia todo o planejamento escolar, faltas e notas dos alunos da rede pública municipal de ensino foi simplesmente encerrado porque o contrato venceu e a prefeitura não se preocupou em aditivar ou licitar novamente, ameaçando inclusive o início das matrículas escolares e contratação dos professores temporários; quebra de decoro parlamentar é a omissão do deputado quando dezenas de profissionais da saúde e da educação estão adoecendo por falta de condições de trabalho, salários baixos e falta de perspectivas profissionais; quebra de decoro parlamentar é a omissão do deputado quando a prefeitura de Dourados não credencia e qualifica a UPA dentro do prazo exigido pela legislação e perde recursos mensais da ordem de R$ 375 mil, sendo R$ 250 mil do Ministério da Saúde e R$ 125 mil do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul. A quebra de decoro parlamentar  é a omissão do deputado quando o poder executivo municipal deixa de cumprir dezenas de promessas de campanha, entre elas, deixar 5 obras de Ceims abandonadas enquanto 3 mil crianças estão fora da escola. Quebra de decoro parlamentar é a omissão do deputado quando o executivo municipal deixa a cidade no escuro enquanto desvia recursos da COSIP. Quebra de decoro parlamentar é a omissão do deputado acerca dos quatro relatórios da CGU apontando superfaturamentos de contratos e desvios de dinheiro público”, destacou.

Daniela disse ainda que o deputado deveria trabalhar mais e falar menos. “O que me parece é que este deputado não gosta muito de vereadores independentes e que não se curvam a todo esse abandono de Dourados. Não gosta muito de vereadores como nós, Olavo, que defendemos nossas bandeiras e lutamos por aquilo que acreditamos ser o certo. Foi para isso que eu fui eleita, para defender o povo de Dourados. Posso perder meu mandato por esse tipo de retaliação, mas jamais perderei a minha dignidade”, destaca.

O vereador Olavo Sul também considerou a denúncia como retaliação política. “Será que quem deve sofrer a perda de mandato é o vereador que participou do manifesto em apoio a comunidade, ou quem causou o protesto?”, indagou.

O vereador Madson Valente também foi recentemente acusado pelo deputado Neno Razuk pelo mesmo motivo. “Manifesto a minha solidariedade aos vereadores Olavo Sul e Daniela Hall, porque vejo que há um exagero por parte do deputado mencionado. Nós estamos vivendo tempos de aperfeiçoar a democracia, e não fazer o contrário. Esse tipo de retaliação e de volta a um passado sombrio o qual o país passou, são métodos que causam inveja a Hitler e a Mussolini. Eu também fui vítima dessa denúncia e mesmo que estivesse ido ao protesto estaria tranqüilo pois estaria cumprindo com o meu dever”, destaca.

O vereador Elias Ishy também manifestou solidariedade. “Quero dizer que os vereadores Olavo Sul e Daniela Hall, ao se manifestarem em defesa de estudantes, estavam cumprindo um dever do vereador que é estar lá para ouvir e atender a população quando um direito não está sendo cumprindo. Ainda mais o caso em que dezenas de estudantes ficaram sem transporte escolar por falta de licitação. Acredito que ao pedir a cassação de vereadores por esse motivo o deputado  passou dos limites”, destacou.

O protesto na MS 156 foi motivada pela falta de transporte e com a omissão da prefeita Délia Razuk para o caso, o prefeito de Itaporã, Marcos Pacco, se deslocou à época até o bloqueio e resolveu o impasse disponibilizando transporte a comunidade indígena de Dourados.