Fiems articula criação de câmara de comércio com a Argentina para facilitar negócios

Membros da embaixada da Argentina reunidos com representantes do setor produtivo do Estado, nesta quarta-feira - Assessoria
Membros da embaixada da Argentina reunidos com representantes do setor produtivo do Estado, nesta quarta-feira – Assessoria

Por intermédio da Fiems, a Embaixada da República da Argentina no Brasil propôs a criação de uma Câmara Empresarial de Comércio que, quando constituída, fomentará as relações de mercado e o intercâmbio de processos industriais, comerciais e de serviços entre o país e Mato Grosso do Sul. A proposta foi apresentada por membros da embaixada aos representantes do setor produtivo do Estado em reunião realizada nesta quarta-feira (31/05), em Campo Grande (MS).

Para o 2º vice-presidente da Fiems, José Francisco Veloso Ribeiro, toda nova possibilidade de comércio é importante, especialmente, em momentos de retração econômica como o que o Brasil enfrenta. “Encaro essa conversa como uma oportunidade de conhecer a forma de negociar da Argentina e, sobretudo, entender o que o país vizinho espera do Brasil em termos de produção e consumo. Sem dúvida, uma alternativa relevante para estabelecermos novas parcerias e fomentarmos a competitividade das indústrias do Estado”, disse.

De acordo com o embaixador da República Argentina no Brasil, Carlos Magariño, o governo do presidente Mauricio Macri está empenhado em reapresentar o país ao mundo. “A Argentina tem uma relação estratégica muito especial com o Brasil, mas essa relação ficou restrita a algumas poucas cidades. Mato Grosso do Sul é um Estado muito importante e nós queremos recuperar, restabelecer a confiança que tivemos por muitos anos entre a comunidade de negócios do Estado e a Argentina”, declarou.

O diretor-corporativo da Fiems, Cláudio Jacinto Alves, afirma que a proposta da embaixada argentina representa o primeiro passo para estreitar as relações entre o país e Mato Grosso do Sul. “Perceptivelmente, a Argentina, após a troca de presidente, está em recuperação e, portanto, em fase de expansão de mercado. Para se ter uma ideia, no ano passado a exportação de minérios de ferro pela hidrovia Paraguai-Paraná-Tietê chegou a US$ 135 milhões para a Argentina, enquanto neste ano já foram US$ 54 milhões e isso só de minério de ferro. Há muitas outras coisas que podemos comercializar para o exterior e, com esse objetivo de estabelecer uma Câmara de Comércio entre Mato Grosso do Sul e Argentina, acreditamos ser um bom primeiro passo para estreitar essas relações comerciais”, avaliou.

Dados

A gerente do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fiems, Fernanda Barbeta, lembrou do boom de negócios firmados entre a Argentina e Estados brasileiros impulsionado pela criação do Mercosul e, agora, a intenção do país é retomar este cenário. “Em 2014 Mato Grosso do Sul exportou US$ 527 milhões para a Argentina e, em 2016, este valor despencou para US$ 165 milhões. O mesmo cenário de queda ocorreu com as importações. Em 2012 a soma foi de US$ 115,5 milhões, e em 2016 de US$ 36,4 milhões”, demonstrou.

O presidente da Fecomércio/MS, Edison Araújo, que também participou da reunião, considerou a proposta uma grande oportunidade de negócios para o empresário sul-mato-grossense, especialmente em razão da logística privilegiada do Estado em relação ao Mercosul. “Temos o porto de Murtinho, que dá acesso aos países do Sul da América do Sul, pelo Rio Paraguai, e isso vem para facilitar as nossas negociações. Temos muitos produtos que exportamos, e que podemos importar também, principalmente no segmento de alimentação, que é o forte da Argentina. Faltava apenas estreitar esses laços”, completou.

O diretor-superintendente do Sebrae/MS, Cláudio George Mendonça, também presente à reunião, afirmou que as micro e pequenas empresas podem até não negociar diretamente com outros países, mas a abertura de um novo mercado acaba por beneficiar a cadeia como um todo. “E, apesar da facilidade de comunicação remota com as novas tecnologias, nada substitui o contato direto entre as partes. Essa conversa renderá bons frutos tanto para a Argentina quanto para o Mato Grosso do Sul”, finalizou.