segunda-feira, 16 - março - 2026 : 14:50

Festival da Juventude transforma UFMS em laboratório criativo com oficinas de literatura, cinema, tecnologia e slam

Atriz de A Melhor Mãe do Mundo, vencedora do prêmio Jabuti, cineasta premiado e outros irão ministrar oficinas para o público do festival

Festival da Juventude 2026 será realizado entre os dias 26 e 28 de março – Divulgação

Se o palco inspira, é no processo que a criação acontece. É com essa ideia que o Festival da Juventude 2026 amplia sua proposta e transforma a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, entre os dias 26 e 28 de março, em um grande laboratório de experimentação artística e formativa. Mais do que apresentações e shows, o evento aposta em uma programação robusta de oficinas que colocam os jovens no centro da criação. Toda a programação é gratuita.

Para Febraro de Oliveira, produtor e curador do festival, a formação não é um complemento, mas uma estrutura. “A programação formativa foi pensada como eixo estruturante do Festival da Juventude, não ficando apenas como atividade complementar. Entendemos que juventude não é apenas fruição cultural, mas também produção de conhecimento e criação de repertório. As oficinas foram desenhadas para oferecer ferramentas concretas que ampliem a autonomia dos participantes. Pensamos cada proposta a partir da pergunta: que tipo de mundo essa juventude pode construir se tiver acesso a meios, linguagem e escuta qualificada?”.

A diversidade das oficinas reflete a própria multiplicidade juvenil. Literatura, cinema, tecnologia, atuação, poesia falada e mediação de leitura convivem na mesma programação.

“O critério foi reconhecer que a juventude é atravessada por múltiplas linguagens simultaneamente. Ela escreve, filma, performa, programa, edita, cria memes. Não há compartimentos estanques. São linguagens distintas, mas conectadas pela ideia de autoria, presença e participação ativa”, afirma Febraro.

Com vagas limitadas e certificação, as oficinas assumem também responsabilidade pedagógica.

“Oferecer formação estruturada é reconhecer o festival como espaço de responsabilidade pedagógica. As vagas limitadas garantem qualidade de acompanhamento e troca efetiva. A certificação reconhece o percurso formativo como parte da trajetória dos jovens. O festival deixa de ser apenas evento e se torna experiência que deixa rastro”, destaca o produtor.

Febraro resume o espírito das oficinas com uma imagem precisa: “As oficinas transformam o festival de palco em laboratório. Enquanto os shows oferecem inspiração e visibilidade, as oficinas oferecem processo e aprofundamento. Elas deslocam o jovem da posição de espectador para a de criador”.

Escrita como forma de existir

Entre as oficinas, a Escrita Criativa será ministrada por Monique Malcher, vencedora do Prêmio Jabuti, que propõe usar a etnografia como ferramenta para a ficção, olhar o mundo como quem investiga, escuta e se deixa atravessar.

“Para fazer ficção é necessário olhar para o mundo com a nossa percepção, mas também aberto para o que o cotidiano e as pessoas diferentes de nós podem contar. Escrevo livros para aprender sobre outras maneiras de viver e lidar com os meus incômodos, que muitas vezes também são coletivos”.

Para jovens que desejam começar a escrever, ela propõe um deslocamento de expectativa. “Primeiro que não pensem na profissão do escritor como um meio de serem aceitos pelas pessoas, mas que encarem a escrita como uma atividade que precisa muito da nossa criança curiosa que nunca para de se perguntar o porquê de tudo. Saber fazer perguntas nos fortalece muito mais do que receber respostas prontas”.

Num festival em que a literatura é eixo central, oferecer espaço de criação é também um gesto político. “A importância de formar um país não só de leitores, mas de escritores. Escrever nossa história é reafirmar nossa autonomia diante do colapso do mundo”, enumera Monique.

Leitura em tempos de scroll infinito

Na Oficina de Capacitação de Mediadores de Leitura, o historiador Vinicius Barbosa, idealizador do projeto @latinaleitura, parte de um desafio contemporâneo: como comunicar algo silencioso em um mundo barulhento.

“Temos dois grandes conjuntos de desafios. Um é estrutural, ligado às políticas públicas e ao acesso ao livro. Outro é específico da nossa relação com a leitura nos tempos digitais. Depois do scroll infinito, passamos horas nas redes sociais. Como comunicar o prazer da leitura, que é silenciosa e solitária, em uma era extremamente barulhenta?”.

Para ele, o desafio não é apenas ler mais, mas aprender a comunicar literatura nas redes. “A gente está acostumado a consumir redes sociais, mas não a analisá-las criticamente e nas redes é isso que potencializa o alcance. Se queremos formar leitores, precisamos dominar esse modo de fazer. A oficina propõe retirar essa cortina e olhar as redes como veículo de mediação de leitura”, conta.

A proposta une reflexão e prática. “Espero que os participantes saiam com ferramentas renovadas para atuar nas redes ou ao menos enxergá-las de forma mais crítica e analítica. Vamos pensar desde a produção de conteúdo até a criação de comunidades de leitura”, revela Vinicius.

Cinema, atuação, tecnologia e poesia falada

A programação formativa do festival inclui ainda: Oficina de Criação e Desenvolvimento de Aplicativo para Celular, utilizando programação em blocos com App Inventor, permitindo que os participantes desenvolvam e instalem seus próprios aplicativos; Oficina de Roteiro Cinematográfico, com o cineasta Joel Pizzini, introduzindo princípios fundamentais da escrita audiovisual; Oficina “Em Cena, a Ação”, com a atriz Shirley Cruz (A Melhor Mãe do Mundo e Cidade de Deus), oferecendo imersão na interpretação para cinema e TV; Oficina SLAM: Vozes da Juventude, com Alessandra Coelho, propondo mergulho na poesia falada como ferramenta de expressão e protagonismo juvenil.

As atividades acontecem no Complexo Multiuso Dercir Pedro de Oliveira e no Auditório Marçal de Souza Tupã-Y, na UFMS, com vagas limitadas e certificação mediante frequência mínima.

Mais informações e inscrições estão disponíveis no site oficial do festival https://festjuv.com.br/2026/ e pelo Instagram @festivaldajuventudems.

O Festival da Juventude é uma realização do Instituto Curumins em parceria com a UFMS e com o Ministério da Cultura, que efetiva convênio por meio de emenda destacada pelo deputado federal Vander Loubet, além do apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura Lei Rouanet, Fundo Nacional de Cultura e Governo do Brasil. Tem o apoio da Secretaria de Estado da Cidadania, Subsecretaria da Juventude, Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, Secretaria de Estado da Educação, Fundação de Cultura, Educativa MS, Governo de MS e Águas Guariroba.

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