quarta-feira, 04 - março - 2026 : 22:18

Famílias de maior renda puxam consumo ao maior nível desde abril de 2025 em Campo Grande

O crescimento de 2% em relação a janeiro é novamente impulsionado pelas famílias com renda superior a 10 salários mínimos – Divulgação

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), pesquisada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e com análise do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF/MS), avançou para 109,2 pontos em fevereiro de 2026 em Campo Grande, atingindo o maior patamar desde abril de 2025 e mantendo-se na zona de satisfação (acima de 100 pontos). O crescimento de 2% em relação a janeiro é novamente impulsionado pelas famílias com renda superior a 10 salários mínimos, que alcançaram 122,6 pontos, enquanto aquelas com renda de até 10 salários mínimos marcaram 106,5 pontos.

O recorte por renda mostra que 64,3% das famílias com ganhos acima de 10 salários mínimos se sentem mais seguras em relação ao emprego do que há um ano, percentual superior ao observado entre as famílias de menor renda, onde 49,9% têm essa percepção. Ao mesmo tempo, o desemprego atinge 9,1% dos lares com renda de até 10 salários mínimos, frente a 2% entre os de maior renda, reforçando a diferença nas condições do mercado de trabalho.

Na avaliação da renda atual, 45,9% das famílias de maior renda afirmam que a situação melhorou em relação ao ano passado, enquanto entre as de menor renda esse percentual é de 35,1%. Já a percepção de piora atinge 18,9% das famílias que recebem até 10 salários mínimos, ante 11,2% entre aquelas com rendimento mais elevado.

O acesso ao crédito permanece como um dos principais pontos de desigualdade. Entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, 23,5% consideram que está mais fácil obter crédito, enquanto apenas 16% das famílias de menor renda têm essa avaliação. Por outro lado, 28,7% dos consumidores que recebem até 10 salários mínimos apontam maior dificuldade na comparação com o ano passado, mais que o dobro do registrado entre os de maior renda (13,3%).

O consumo efetivo também avança de forma mais intensa entre quem ganha mais. Nesse grupo, 28,6% afirmam estar comprando mais do que no ano passado, enquanto entre as famílias de menor renda esse percentual é de 20,5%. Já a redução no volume de compras atinge 32,7% dos lares com renda de até 10 salários mínimos, frente a 23,5% entre os de maior renda.

A expectativa para os próximos meses segue a mesma tendência. Entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, 35,7% acreditam que o consumo será maior do que no ano passado. Nas famílias de menor renda, esse percentual é de 28,3%, enquanto 28,9% ainda projetam redução.

A intenção de compra de bens duráveis mostra avanço e se aproxima do equilíbrio entre avaliações positivas e negativas. Ainda assim, metade das famílias de maior renda considera que este é um bom momento para a aquisição desses produtos, percentual superior ao registrado entre aquelas com renda de até 10 salários mínimos (41,4%).

“O resultado confirma que o consumo reage primeiro entre as famílias de maior renda, que têm maior estabilidade no emprego, renda mais favorável e melhores condições de acesso ao crédito. Para as famílias de menor renda, a recuperação é mais gradual e ainda depende da melhora das condições financeiras e da redução das restrições no orçamento”, analisa a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF/MS), Regiane Dedé de Oliveira.

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