Com veia empreendedora e depois de mais de uma década de dedicação, hoje o jogador é um dos mais respeitados do mundo

Quem acha que os esportes eletrônicos são brincadeira de criança está enganado. Em 2016, o mercado faturou cerca de R$ 493 milhões. Em 2020, a expectativa é que os jogos tenham um público fiel na casa dos 286 milhões de pessoas. Um dos principais players do mundo e do Brasil é Gabriel Toledo de Alcântara Sguario, o “Fallen”.

O apelido é derivado do jogo de cartas Magic: The Gathering, por causa de “Fallen Angel”, uma das figuras presentes no game. Para facilitar, o nome foi reduzido apenas para Fallen. Tudo começou para o jovem em Itararé, interior de São Paulo. Os pais possuíam uma loja de informática. Enquanto atendia os clientes, Fallen desenvolvia suas habilidades para vendas e sua paixão por games.

Em 2003, teve o primeiro contato com o Counter-Strike 1.6 (CS), jogo de tiro ou fps (first person shooter). Quando viu a frase “você ajudou a sua equipe a derrotar as forças inimigas” no monitor, o jovem transformou aquele simples passatempo em uma profissão.

Fallen, com apenas 12 anos, já era um prodígio nos games. Na época, o jogo era muito popular e fazia com que lan houses ficassem lotadas de crianças e adolescentes com o objetivo de se divertir com o CS. O sonho do brasileiro era atingir o topo algum dia na modalidade, que engatinhava no país. Durante vários anos, uma única equipe brasileira se destacou – a mibr (abreviação para “made in Brazil”), de 2003 a 2015.

Momentos turbulentos

Se, no início dos anos 2000, o CS era uma febre, com o tempo o jogo passou a ficar para trás e suas atualizações não motivavam mais os jogadores. Foi nesse período que Fallen decidiu enveredar por outro caminho mais tradicional, já que a situação precária dos esportes eletrônicos no Brasil praticamente inviabilizava qualquer tipo de carreira profissional.

Em 2009, o jovem começou a fazer cursinho para ingressar na faculdade de engenharia elétrica. Houve, no entanto, uma reviravolta. Fallen foi convidado para integrar a FireGamers, equipe formada por ex-jogadores do mibr. Foi, à época, uma má ideia. A falta de investimento e de patrocínios impediu qualquer tipo de ascensão do jogador, que passou por diversas equipes nos anos seguintes.

Um dos pontos altos da carreira do jogador no período foi quando a FireGamers derrotou o mibr, fato impensável para ele até então. Após diversos resultados positivos, a equipe foi comprada pela organização americana Complexity. Mesmo com esse sucesso, Fallen se viu na necessidade de voltar ao caminho tradicional, entrando para o exército com 18 anos.

Jornada empreendedora

Em um determinado momento, Fallen foi entrevistado por um repórter que lhe perguntou se ele dava aulas de CS, dada a proximidade e talento que ele tinha com o game. Foi aí que ele começou a desenhar um novo negócio de aulas pela internet, fundando a Fallen’s Academy e, posteriormente, a Games Academy, gerenciada pelo jogador entre 2010 e 2014 enquanto trilhava o árduo caminho para atingir o topo nos esportes eletrônicos.

Uma grande conquista aconteceu quando Fallen e sua equipe foram contratados pela Luminosity Gaming, um time intermediário nos EUA. Em 2016, foram campeões mundiais ao vencer o MLG Major Championship: Columbus, levando para casa US$ 500 mil em premiações. Por causa do sucesso, foram contratados no mesmo ano pela SK Gaming e venceram o segundo mundial, o ESL One: Cologne.

O papel de Fallen foi fundamental durante todo esse processo. Com o prestígio e habilidade que possuía, foi alçado a capitão do time. Com essa função, desenvolve estratégias, analisa adversários, além de ser um dos jogadores mais letais a nível global quando está sentado em sua cadeira e comandando os ataques como AWP (ou sniper).

Depois de todo esse caminho cheio de obstáculos, Fallen hoje possui números impressionantes e pode até ser comparado a Neymar no futebol. Não pelo dinheiro, e sim pelo que já foi conquistado, tanto com ganhos individuais como coletivos. Estão na conta do jogador o título de personalidade do ano em 2016 no eSport Industry Award, dois campeonatos mundiais e é o segundo melhor jogador do mundo, ficando atrás apenas do colega de equipe Marcelo “Coldzera”.

No mundo dos negócios, Fallen também trilha um caminho deveras promissor. A Games Academy já tem aproximadamente 3 mil alunos, sendo a maior escola da América do Sul. A empresa também possui uma loja virtual que vende periféricos, acessórios e itens de vestuário da marca e produtos licenciados. Isso sem contar a Gamers Club, que estimula o cenário nacional de equipes e oferece suporte tecnológico, e a G.Fallen, a própria marca de equipamentos para gamers do jogador-empreendedor.