Maior predomínio das MEIs é no segmentos de comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios – Divulgação

Realizar trabalhos autônomos e abrir pequenos negócios têm sido a saída para equilibrar as finanças familiares de mais de 13 milhões de brasileiros desempregados no país. É o que mostra os mais de 8 milhões de cadastros de Micro Empreendedor Individual (MEI) registrados em março deste ano no Brasil.

Ao avaliar a série histórica em Mato Grosso do Sul, desde 2010, verifica-se que a abertura de empresas pertencentes ao MEI se intensificou no Estado, principalmente, a partir da instabilidade econômica que se iniciou no segundo semestre de 2014 e despontou em 2015 e 2016. “De 2013 para cá o número de MEIs praticamente dobrou, isto aconteceu, principalmente, porque nos momentos de instabilidade econômica, o desemprego aumenta e com ele a necessidade de buscar alternativas de renda”, destaca a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio-MS, Daniela Dias.

Evolução da Quantidade de MEIs

Fonte: Receita Federal. Elaboração: IPF/MS.

A economista analisa que o MEI é compreendido por alguns como uma forma de geração de renda, que possui como benefícios a formalização de algumas atividades autônomas e contribuições mais acessíveis com o INSS. “O grande problema disso, na maioria das vezes, volta-se à falta de visão empreendedora, para que haja um planejamento de longo prazo, que garanta a sobrevivência das empresas. Por isso, muitas empresas abrem e também fecham”, completa.

Quando considerados os meses acumulados de janeiro e fevereiro para 2018 (95.192) e 2019 (94.956), observa-se uma leve queda de 0,25% no número de empresas classificadas como MEIs. O acumulado de 2018 registrou a existência de 111.311 empresas dessa natureza, o que significa que esse resultado sofreu uma queda em janeiro de 2019. “Pode-se dizer que esse é um tipo de comportamento tradicional, mesmo antes e durante a instabilidade econômica. Ao longo do ano, a tendência natural reflete aumentos contínuos até dezembro, com uma leve desaceleração do crescimento em junho”.

Esses resultados podem contribuir para o fato de que o índice de desemprego de Mato Grosso do Sul seja o 3ª menor do país, ao deter 7,2% de desempregados, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD, 2019) do IBGE.

Detalhando um pouco mais os dados para segmentos, há um predomínio de MEIs nos segmentos de: comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios (12.780); cabeleireiro, manicure e pedicure (9.144); obras de alvenaria (6.387); lanchonetes, casas de chá, sucos e similares (4.138).

Dados locais

Somente Campo Grande, Corumbá, Dourados, Naviraí, Ponta Porã e Três Lagoas somam 75,31% do total de MEIs do Estado. E mesmo considerado o acumulado até fevereiro de 2019, em relação aos dados consolidados de 2018 e 2017, houve crescimento da quantidade de estabelecimentos. Admitindo-se apenas o acumulado de 2017, 2018 e 2019 dos meses de janeiro e fevereiro, o comportamento também é de queda em janeiro na comparação a dezembro, nesses municípios.

Fonte: Receita Federal. Elaboração: IPF/MS