Especialista do HU-UFGD alerta sobre importância do diagnóstico de hepatites virais

Médica infectologista atua em ambulatório específico para o tratamento dos diferentes tipos da doença e orienta a população a realizar o teste que identifica a infecção

Médica infectologista do HU-UFGD, Andyane Tetila – Divulgação

Provocadas por diferentes vírus, as hepatites virais são doenças que possuem em comum a capacidade de inflamar o fígado da pessoa infectada, mas que, dependendo do tipo do agente causador, não apresentam sintomas, levando o paciente a uma situação crônica sem que ao menos saiba que está doente. E é no sentido de abrir o debate sobre essa conscientização, que foi criado o movimento Julho Amarelo.

Instituída em 2010 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a data de 28 de julho passou a ser o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, ficando a época conhecida como “Julho Amarelo”, em função da cor amarelada que geralmente tonaliza os olhos de pacientes acometidos por alguns dos tipos da doença.

A médica infectologista Andyane Freitas Tetila esclarece que a hepatite viral pode ser provocada pelos vírus tipo A, B, C, D, E, entre outros, mas que no Brasil os mais comuns são os três primeiros. “Esses vírus possuem características diferentes e manifestações clínicas nem sempre semelhantes. O VHA, vírus da hepatite A, por exemplo, causa somente a fase aguda da doença, enquanto os vírus VHB e VHC, das hepatites B e C, respectivamente, podem evoluir para uma enfermidade crônica após a manifestação da fase aguda, com sintomas ou não”, afirma.

A profissional é responsável, desde fevereiro de 2018, pelo Ambulatório de Hepatites Virais do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), serviço pelo qual atende especificamente pacientes com diagnóstico laboratorial de hepatite viral, encaminhados via regulação municipal ou por meio de encaminhamento direto, por escrito, de profissional de saúde, desde que esteja com os exames positivos anexos. Nesta última situação, o agendamento deve ser feito diretamente com as atendentes do ambulatório, no HU-UFGD.

Andyane, que também é membro do Comitê Técnico Estadual de Hepatites Virais, explica que a difusão de informações sobre a doença é essencial para que a população procure os serviços de saúde a fim da realização de exames. “Principalmente no caso de possíveis pacientes assintomáticos, pois se encontram na fase da doença que denominamos de ‘silenciosa’, ou seja, com ausência de sintomas”, alerta.

Diagnóstico

De acordo com a OMS, os tipos de hepatites existentes afetam mais de 325 milhões de pessoas em todo o mundo e cerca de 400 mil vão a óbito por ano devido a complicações da doença, principalmente por conta de sua evolução para cirroses e carcinomas (câncer de fígado).

No Brasil, o Ministério da Saúde estima que 0,7% da população entre 15 e 69 anos teve contato com o vírus da hepatite C, o que corresponde a aproximadamente 1,5 milhão de pessoas, sendo que, dessas, 700 mil pessoas têm a doença. O tipo C é uma enfermidade crônica que possui evolução lenta e silenciosa, o que dificulta seu diagnóstico. “Os portadores do vírus, por não se sentirem doentes, não buscam os serviços de saúde e não realizam os exames”, pontua Andyane.

A médica afirma que, em função disso, devem efetuar o teste todas as pessoas já expostas a alguma das formas de transmissão do vírus: transfusão de sangue, uso de drogas injetáveis, procedimentos que envolvam agentes biológicos (acupuntura, piercing, tatuagem, manicure, barbearia, cirugia), uso de drogas inaladas com compartilhamento de canudos, relações sexuais sem proteção, aleitamento materno por mãe infectada, acidente ocupacional com exposição a sangue, transplante de órgãos e tecidos, entre outras práticas.

O diagnóstico inicial das hepatites virais é feito por meio de exame laboratorial, via sorologia, e pode ser seguido por testes de biologia molecular, que identificam o vírus e confirmam a infecção.

Prevenção

Como se tratam de vírus distintos, cada um possui modos de prevenção diversos. Para a hepatite A, existe uma vacina disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a todas as crianças com 15 meses de idade, assim como para o tipo B da doença, cuja imunização está incluída no calendário vacinal do Ministério da Saúde e é ministrada em três etapas.

Já para a hepatite C não há prevenção por meio de vacinas, sendo a única de forma de prevenção o cuidado para evitar a transmissão do vírus, que ocorre pelo contato com o sangue contaminado. Aliás, essa cautela é indicada para prevenir também os tipos de vírus A e B.

Tratamento

A hepatite A não possui tratamento específico, somente sendo feito o suporte ao paciente quando da manifestação de sintomas, com hidratação e medicamentos, havendo cura após a fase sintomática.

No caso da hepatite B, o tratamento é feito por meio de antiviral específico, sendo raras as situações em que há resolução completa da doença. O paciente, então, precisa controlar a enfermidade para o resto da vida, com os medicamentos indicados pelo profissional de saúde.

Ao contrário da hepatite C, que pode ser curada com o tratamento específico, consideravelmente evoluído nos últimos anos. Inclui basicamente a ingestão de medicações, por tempo cada vez mais curto e com alta taxa de sucesso. Apesar de caros, os remédios são disponibilizados pelo Ministério da Saúde, via SUS.

Serviço:

O Ambulatório de Hepatites Virais fica no setor de ambulatórios 1 do HU-UFGD. Endereço: Rua Ivo Alves da Rocha, 558, Altos do Indaiá.