Gandula Tadeu Kutter Junior fala com exclusividade ao LANCE! após ser agredido em jogo pelo Campeonato Sul-Mato-Grossense. Ele sofreu ferimento na cartilagem do nariz

Gandula Tadeu Kutter foi agredido por Jeferson Reis, do Operário-MS, após comemorar gol do Comercial-MS – Imagens: Reprodução/TV Globo

A cena assustadora rodou o mundo. No último domingo, o atacante Jeferson Reis, do Operário-MS, espancou o gandula Tadeu Kutter Junior após este ter comemorado, pulando, o gol que deu a vitória ao Comercial-MS por 1 a 0, aos 45 minutos do segundo tempo, em clássico válido pela 7ª rodada do Campeonato Sul-Mato-Grossense. Dois dias depois do ocorrido, Tadeu ainda tem as marcas das agressões no corpo. Exames apontaram ferimento na cartilagem de seu nariz. Felizmente, não há fraturas no nariz e nem na cabeça, os dois pontos mais atingidos na barbárie de domingo. Curiosamente, Tadeu também é jogador: é o goleiro reserva do time sub-19 do Comercial-MS e nas últimas semanas vinha treinando como quarto goleiro do elenco profissional. Em entrevista ao LANCE!, Tadeu revela um ponto ainda mais tocante de sua atuação como gandula: ele estava ali por dinheiro para pagar sua faculdade.

– Estava fazendo esse bico de gandula para ganhar um dinheiro mesmo, para ajudar a pagar minha faculdade de Educação Física. Comecei a trabalhar como gandula no ano passado, nos jogos do Comercial como mandante. São R$ 50 por partida. Era o meu terceiro jogo como gandula neste ano, é um trabalho que me ajuda muito a pagar os estudos. Estou no quinto semestre e estudo no período noturno. Assim que acaba o treino, tomo banho e vou direto para a faculdade – disse Tadeu, que tem 19 anos é e natural de Campo Grande (MS).

Tadeu só conseguiu um tempo para dar entrevista nesta terça-feira. A segunda foi de muitos exames. O gandula fez raio x no Centro de Especialidades Médicas de Campo Grande e foi encaminhado para a Santa Casa de Campo Grande, onde passou por nova radiografia. Nada de grave foi constatado, mas ele precisará seguir cuidando do nariz com medicações e soro. Mesmo sem a necessidade de cirurgias, Tadeu também passou por exame de corpo de delito. Os advogados do Comercial abriram boletim de ocorrência contra Jeferson Reis e o massagista Raul Prazeres, que também é suspeito de ter agredido o gandula durante confusão. O episódio poderá ter desdobramentos em breve.

O caso foi registrado na delegacia como lesão corporal dolosa, quando existe intensão de ferir. Jeferson e Raul foram ouvidos e liberados. Eles assumiram o compromisso de se apresentarem à polícia quando forem chamados de novo.

– Não estou mais sentido dores. Fui medicado e as dores passaram, estou bem melhor. Agora é cuidar do nariz e lavar com soro por dentro – falou Tadeu.

O presidente do Operário, Estevão Petrállas, anunciou na segunda que Jeferson foi afastado por tempo indeterminado do clube. Porém, Estevão afirmou que Tadeu comemorou o gol fazendo gestos obscenos para o banco operariano e reclamou da postura do Comercial em escolher um atleta seu para atuar como gandula. Tadeu, no entanto, diz que a comemoração não teve gestos obscenos.

– Não fiz nada de obsceno, só comemorei o gol. Tem imagem da TV mostrando minha reação. Foi um gol aos 45 minutos do segundo tempo. Não tinha como não comemorar, né? Sou comercialino e são-paulino. Inclusive, nenhum dos envolvidos me pediu desculpas até agora. Estou aguardando – destacou Tadeu.

Em um primeiro momento, ciente de que o episódio daria grande repercussão, Tadeu sentiu temor por sua imagem – mesmo não tendo revidado às agressões:

– Fui para a Copa São Paulo como segundo goleiro, tenho sonhos no futebol. Senti medo de perder toda a carreira, de ficar queimado. Mas agora esse sentimento já passou. É erguer a cabeça e voltar a treinar. A vida continua.

Do Lance!