A Pesquisa Industrial Anual (PIA) Empresa mostrou que, entre 2014 e 2017, as empresas do setor industrial perderam cerca de 12,5% dos seus postos de trabalho, o que representa 1,104 milhão de pessoas ocupadas a menos no setor.

Considerando-se as variações desde 2008, a Indústria brasileira manteve suas participações no pessoal ocupado praticamente inalteradas no período. As Indústrias de Transformação continuam liderando, com 97,5% do pessoal ocupado em 2017. O segmento de maior representatividade no emprego foi fabricação de produtos alimentícios (23,3%).

As oito indústrias com os maiores valores de transformação industrial (VTI) concentravam 21,1% deste valor em 2017. Nas Indústrias Extrativas, as oito líderes concentravam 71,4% do VTI, enquanto nas Indústrias de Transformação, a participação conjunta das oito maiores empresas era de 19,2%.

Quadro – resumo: Empresas industriais em 2017
Número de empresas           318,3 mil
Indústrias extrativas               6,4 mil
Indústrias de transformação           311,9 mil
Pessoas ocupadas               7,7 milhões
Indústrias extrativas           192,0 mil
Indústrias de transformação               7,5 milhões
Salários, retiradas e outras remunerações  R$ 300,4  bilhões
Indústrias extrativas  R$ 11,0  bilhões
Indústrias de transformação  R$ 289,5  bilhões
Receita líquida de vendas  R$ 3,0  trilhões
Indústrias extrativas  R$ 149,9  bilhões
Indústrias de transformação  R$ 2,8  trilhões
Valor da transformação industrial  R$ 1,2 trilhão
Indústrias extrativas  R$ 104,6 bilhões
Indústrias de transformação  R$ 1,1 trilhão

 

Brasil tinha cerca de 318,3 mil empresas industriais ativas em 2017

A Pesquisa Industrial Anual detectou 318,3 mil empresas industriais ativas com 1 ou mais trabalhadores em 2017, que ocuparam 7,7 milhões de pessoas e pagaram R$300,4 bilhões em salários. Sua receita líquida de vendas (RLV) foi de R$ 3,0 trilhões.

A atividade industrial gerou R$1,2 trilhão de valor da transformação industrial (VTI), montante decorrente da diferença entre um valor bruto da produção industrial de R$2,7 trilhões e de custos de operações industriais (COI) de R$ 1,5 trilhão. As Indústrias de Transformação contribuíram com 91,3% desse VTI.

As grandes empresas industriais, empregando 500 ou mais pessoas, continuaram representando quase 70% da RLV da indústria total. Nas outras categorias de porte também não se observaram mudanças estruturais significativas.

Entre 2008 e 2017, alimentícios ampliam sua participação na indústria

A análise dos resultados da RLV, pela ótica setorial, mostra que a Fabricação de produtos alimentícios ampliou sua relevância nos últimos dez anos, passando de 16,1% para 22,9% de participação, mantendo-se como atividade mais importante em faturamento. O segundo lugar é ocupado pela Fabricação de produtos químicos, que mesmo tendo perdido 0,1 p.p. na participação do faturamento passou da quarta para a segunda posição no ranking do período.

A terceira e quarta atividades mais relevantes, ao contrário, tiveram redução de participação: Fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis perdeu 1,8 p.p., abrangendo 9,4% do total da RLV em 2017, e Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias recuou 2,8 p.p., tendo sido responsável por 8,9% de participação no último ano. O setor de Metalurgia também perdeu participação (-2,0 p.p.) no período analisado.

Indústria perdeu 12,5% de seus postos de trabalho entre 2014 e 2017

Entre 2014 e 2017, a indústria teve queda de 12,5% no número de pessoas ocupadas, o que equivale a 1,104 milhão de postos de trabalho a menos, no setor. No mesmo período, nas indústrias Extrativas a queda foi de 15,6%, enquanto nas indústrias de Transformação, foram perdidos 12,5% dos postos de trabalho.

Os setores mais afetados nesse período foram: Atividades de apoio à extração de minerais (-35,4%), Fabricação de outros equipamentos de transporte exceto veículos automotores
(-33,3%), Fabricação de máquinas e equipamentos (-24,8%). As altas em destaque foram: Fabricação de produtos alimentícios (1,5%), Fabricação de produtos do fumo (6,4%).

Em comparação com o ano de 2008, a Indústria brasileira perdeu 145,8 mil empregos em 2017, o que representa menos 1,9% do total de pessoas ocupadas no setor, em 2008. Isto se deu sobretudo nas Indústrias de Transformação, com queda de 2,4% no pessoal ocupado no período, enquanto as Indústrias Extrativas cresceram 22,1%.

Indústria de transformação concentra 97,5% dos empregos industriais

A Indústria brasileira manteve suas participações no pessoal ocupado praticamente inalteradas no período. A Indústria de Transformação continua líder, respondendo por 97,5% do pessoal ocupado em 2017. Seus segmentos com maior representatividade no emprego foram a Fabricação de produtos alimentícios (23,3%), seguida da Confecção de artigos do vestuário e acessórios (8,2%). Na sequência, destacam-se: Fabricação de produtos de metal (6,0%), Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (5,7%) e Fabricação de produtos de minerais não-metálicos (5,6%). Essas cinco atividades mantiveram suas posições de ranking em relação a 2008.

Principais indicadores das empresas industriais
Porte médio (1) Maiores índices
Indústria geral 24 Fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis 569
Indústrias extrativas 30 Extração de minerais metálicos 325
Indústrias de transformação 24 Extração de carvão mineral 222
(1) Valor calculado pela razão entre o número de pessoas ocupadas e a quantidade de empresas industriais 
Salário médio mensal (2)
em salários mínimos
Maiores índices 
Indústria geral   3,2 s.m. Extração de petróleo e gás natural 21,3
Indústrias extrativas   4,7 s.m. Atividades de apoio à extração de minerais 9,6
Indústrias de transformação 3,2 s.m. Fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis 8,8
(2) Valores calculados pela divisão dos salários, retiradas e outras remunerações (incluindo o 13º salário) pelo total de pessoal ocupado nas empresas industriais.
Produtividade (3)  Maiores índices 
Indústria geral R$106.534,43 Extração de petróleo e gás natural  R$ 4.750.957,24
Indústrias extrativas R$381.103,55 Extração de minerais metálicos  R$ 588.566,50
Indústrias de transformação R$99.507,18 Fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis  R$ 458.819,96
(3) Valores correntes calculados pela divisão do valor da transformação industrial pelo total de pessoal ocupado nas empresas industriais. 
Concentração (4)  Maiores índices 
Indústria geral 21,1% Extração de carvão mineral 95,5%
Indústrias extrativas 71,4% Fabricação de produtos do fumo 92,6%
Indústrias de transformação 19,2% Fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis 92,5%
(4) Valor calculado pela participação das oito maiores empresas industriais no valor da transformação industrial da atividade. 
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio, Pesquisa Industrial Anual – Empresa 2017. 

 

Nas Indústrias Extrativas, as maiores participações continuam com a extração de minerais metálicos (41,4%) e a extração de minerais não-metálicos (41,1%), em 2017.

Em 2017, cada empresa industrial brasileira ocupava, em média, 24 pessoas, com salário médio mensal de 3,2 salários mínimos (s.m.). A atividade de Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis foi a que registrou maior porte médio nas indústrias de Transformação: 569 pessoas em cada empresa com média salarial de 8,8 s.m. Nas Indústrias Extrativas, a atividade de Extração de petróleo e gás natural pagou o maior salário médio mensal (21,3 s.m.). Destacam-se ainda a Fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (7,1 s.m.) e a Fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores (5,4 s.m.).

Quanto à produtividade nas empresas industriais, calculada como a razão entre o VTI e o pessoal ocupado na empresa, constata-se que em 2017 cada trabalhador adicionou cerca de R$ 106,5 mil à produção. A produtividade do segmento extrativo (R$ 381,1 mil) foi cerca de quatro vezes maior que a das Indústrias de Transformação (R$ 99,5 mil).

As oito maiores indústrias geram 22,1% do valor de transformação industrial

O grau de concentração pode indicar a existência de barreiras à entrada de novas empresas. Houve ligeira diminuição do grau de concentração do total da indústria, segundo a “razão de concentração de ordem 8” (R8). As oito indústrias com os maiores valores de transformação industrial concentravam 22,8% deste valor em 2008, recuando para 21,1% em 2017.

Nas Indústrias Extrativas, este indicador foi de 71,4%, com destaque para a elevada concentração da produção na atividade de Extração de carvão mineral, que entre 2008 e 2017 passa da terceira para a primeira posição no ranking. Essa atividade reuniu 95,5% de toda a produção no conjunto de 8 empresas em 2017.

Nas Indústrias de Transformação, as oito maiores empresas foram responsáveis por 19,2% do VTI em 2017, e os maiores graus de concentração estavam na Fabricação de produtos do fumo (92,6%), Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (92,5%) e Fabricação de bebidas (66,8), com variações relativas que praticamente não se alteram entre 2008 e 2017. A principal mudança estrutural na concentração neste período foi na Fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos: o VTI das suas oito maiores empresas saiu de 33,9% para 49,1%.

Alimentícios e petróleo têm os maiores VTIs entre as unidades locais

Considerando-se o Valor de Transformação Industrial das empresas industriais ao nível das unidades locais com 5 ou mais pessoas ocupadas, é possível verificar quais atividades se destacam. Entre 2008 e 2017, as Indústrias Extrativas ampliaram sua importância, passando de 9,9% para 13,5% de participação no VTI. As Indústrias de Transformação mantiveram sua predominância, embora sua participação tenha caído de 90,1% para 86,5%.

Entre as Indústrias Extrativas, as atividades que lideraram o ranking ao longo dos últimos dez anos foram Extração de petróleo e gás natural (49,9%) e Extração de minerais metálicos (39,1%).

No âmbito das Indústrias de Transformação, a Fabricação de produtos alimentícios foi o setor mais importante, respondendo por 20,7% do VTI entre as unidades locais, e elevando a sua participação em 7,2 p.p. ao longo dos últimos dez anos. Na segunda posição segue a Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis, com 11,4% de participação no VTI.

Alimentícios e biocombustíveis ampliam participação do Centro-Oeste

Embora tenha perdido representatividade ao longo dos últimos dez anos, a região Sudeste foi responsável por 58,0% do VTI em 2017, mantendo-se na liderança, seguida pelas regiões Sul (19,6%), Nordeste (9,9%), Norte (6,9%) e Centro-Oeste (5,6%). O recuo de 4.2 p.p no Sudeste ocorreu em favor do Centro-Oeste, que registrou o maior avanço (1,9 p.p), seguida pelo Sul, que aumentou a sua participação em 1,3 p.p.

Esse deslocamento produtivo em direção ao Centro-Oeste se deu principalmente em razão da migração de plantas agroindustriais que eram dedicadas à Fabricação de produtos alimentícios e passaram a participar da produção de biocombustíveis, fazendo com que esta atividade passasse a figurar entre as três mais relevantes da região.