Manifestantes ainda não se sentem atendidos pelo governo

Manifestação contra o governo em Santiago, capital do Chile – Foto: EPA

A agitação social contra a desigualdade no Chile completou um mês nesta segunda-feira (18), em um cenário de incerteza em relação ao futuro.

Os protestos começaram em 18 de outubro, após a decisão do governo de aumentar a tarifa de metrô na capital Santiago, mas logo abarcaram toda a insatisfação popular de um país onde a estabilidade econômica não se refletiu em menor concentração de riqueza.

A declaração de emergência pelo presidente Sebastián Piñera e o envio das Forças Armadas às ruas serviram de combustível para os manifestantes e fomentaram uma situação de tensão que já contabiliza 23 mortos e mais de 200 pessoas com perda total ou parcial de visão.

Em uma tentativa de acalmar a multidão, Piñera anunciou um pacote econômico que prevê aumento das aposentadorias, salário mínimo e redução do custo da política. Mais recentemente, governo e oposição concordaram em iniciar um processo para reescrever a Constituição, herança da ditadura de Augusto Pinochet.

“Existe uma dúvida sobre o que vai acontecer”, disse à ANSA a socióloga Lucía Dammert, da Universidade de Santiago. Segundo a pesquisadora, as pessoas devem continuar nas ruas, mas sem a mesma mobilização do último mês.

O processo de reforma da Constituição começará em abril de 2020, quando o povo decidirá se quer uma nova Carta Magna e, em caso positivo, como o texto será elaborado. As alternativas serão a convocação de uma Assembleia Constituinte com 100% dos integrantes dedicados a esse fim ou um sistema formado por 50% de parlamentares atuais e 50% de constituintes.

Após o plebiscito, a Assembleia Constituinte será eleita em outubro de 2020 e funcionará por nove meses, prorrogáveis por mais três, caso seja necessário. O texto resultante será submetido a referendo com voto obrigatório. (Da AnsaFlash)