Mirna, ao lado do marido (em pé) e do doulo Igor, durante o nascimento de seu segundo filho – Foto: Camila Kaveski

O parto normal humanizado sempre foi um sonho distante para a confeiteira de 34 anos, Mirna Soraya Caffarena. Há 16 anos, quando passou por um parto normal com uma equipe despreparada, o trauma se instalou. Desde então, Mirna achava que seria impossível dar à luz de forma natural utilizando procedimentos que readequam o processo do parto e o transformam em um momento mais humano e acolhedor, conforme defendem os defensores dessa prática. No entanto, na semana passada (16.05) ela  viu o segundo filho chegar da maneira que mais sonhou: parto normal humanizado, e o que era trauma se transformou em alegria.

Em apenas um mês – de 29 de março a 28 de maio deste ano-, o Hospital Regional Dr. José de Simone Netto, em Ponta Porã, onde nasceu o filho de Mirna, realizou 134 partos normais humanizados.

A confeiteira Mirna conta que o nascimento do filho foi uma experiência verdadeiramente maravilhosa, já que o atendimento afastou qualquer lembrança ruim. “Jamais imaginei que teria um parto tão respeitoso e humanizado. Pari com auxílio da banqueta vertical, sentada e acompanhada pelo meu marido e doula, além das enfermeiras obstétricas. Recebi todo apoio da equipe, massagens, banhos quentes e exercícios que me ajudaram na dilatação. Foi uma experiência maravilhosa”, contou emocionada.

Um doulo (doula), profissional que dá suporte físico e emocional à mulher durante o pré-parto, parto e pós-parto, acompanhou Mirna desde o início da gestação, o que já fez toda a diferença. A confeiteira chegou à maternidade com 8 centímetros de dilatação. “Meu parto foi muito rápido, cheguei ao meio dia e pari às 14 horas. Os métodos de alívio da dor foram incríveis, eu pude ficar do jeito mais confortável”, disse.

A maternidade do Hospital Regional de Ponta Porã é conveniada ao projeto Rede Cegonha, do Ministério da Saúde, e segue todos os protocolos e diretrizes estabelecidas, inclusive incentivando a presença de um acompanhante de livre escolha da mulher e de doula durante o parto.

A Coordenadora da maternidade, Dyolla Grance, ressaltou a importância do programa Rede Cegonha para aumentar o número de partos normais. “A iniciativa propõe melhoria do atendimento às mulheres durante a gravidez, parto e o pós-parto, também ao recém-nascido e às crianças até dois anos de idade. Para tornar isso possível, promovemos uma experiência positiva para a mulher, tudo é feito buscando respeitar a mãe e o bebê. A inserção do enfermeiro obstetra contribuiu para efetivar a humanização do parto, hoje temos nove enfermeiros obstetras habilitados a conduzirem partos de baixo risco”, explicou.

Hospital Regional  de Ponta Porã

A unidade, gerenciada pelo Instituto Acqua, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), estimula os partos normais e práticas humanizadas. A estrutura da maternidade conta com três salas de PPP (pré-parto, parto e pós-parto), todas equipadas com bolas de pilates, duchas de água quente, som ambiente e aparelhos modernos para monitoramento do parto.

Igor Jorge, 31 anos, está em processo de formação para ser doulo, profissional que acompanha a gestação visando o bem estar da mãe. Ele acompanhou Mirna desde o início da gestação e elogiou o trabalho da maternidade. “Me surpreendi ao acompanhar esse parto no Hospital Regional de Ponta Porã. A maternidade segue todos os protocolos e incentiva que a mulher tenha liberdade de escolha na hora do parto. A equipe segue os protocolos de humanização, como métodos de alívio de dor não-farmacológicos, clampeamento do cordão tardio, hora ouro e, principalmente, incentiva a presença de doula no parto. Essas práticas proporcionam segurança para a gestante”, afirma.