• Por Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

“É muito mais grave e há mais possibilidade de, no Brasil, se morrer de dengue do que de coronavírus”. A afirmação do ministro da Saúde, Luis Henrique Mandeta, baixa o temor da população em relação ao novo vírus, que já matou 490 na China e se espalha pelo mundo.  Mas aumenta a preocupação sobre a dengue, com que convivemos há mais de um século, muitos brasileiros já tiveram a doença e, ao repeti-la, pode ser na forma hemorrágica, que leva à morte. Há de se levar em consideração que a China é o pais mais populoso do planeta, com 1 bilhão e 386 milhões de habitantes, o que equivale a 6,6 vezes a população brasileira, de 210 milhões. Pela proporção, se lá já ocorreram 490 mortos, aqui no mesmo quadro seriam algo em torno de 70. Mas existem, ainda, outras variáveis como, por exemplo, a maior localização do mal na cidade de Wuhan e não tem todo o território chinês.

É importante que o Brasil participe dos esforços mundiais para o diagnóstico rápido e vacina e para isso já temos experiência em eventos anteriores do gênero como a gripe asiática (1957), a Hong Kong em 1968, a pandemia de H1N1 em 2010 e as diferentes subdivisões e mutações do vírus da gripe. Não esquecer que até um presidente da República (Rodrigues Alves) morreu vítima da gripe espanhola, a epidemia de 1918. Logo, as epidemias e pandemias não são novidades.

Mas a dengue, que está no Brasil desde o século XIX, foi extinta em 1955 e por relaxamento das medidas de controle, reintroduziu-se em 1981 e em 1986 já provocava epidemia no Rio de Janeiro e em alguns pontos do Nordeste. Hoje o mosquito transmissor e a moléstia estão presentes em todos os estados, fazendo vítimas primárias e também fatais. No ano de 2019, registramos 1.544.987 casos de dengue, um aumento de 488% em relação a 2018, segundo dados do Ministério da Saúde. Desse total, 782 pessoas morreram. Também foram registrados 10.708 casos de zika, com 3 mortes, e 132.205 ocorrências de chikungunya, com 92 mortes, um aumento, respectivamente, de 52% e de 30% em relação aos casos de 2018. Juntando todos os casos de dengue, zika e chikungunya, todas transmitidas pelo mosquito do Aedes aegypti, houve um aumento de 248% em 2019.

Essa realidade demonstrada pela estatística oficial confirma as afirmações do ministro da Saúde. Todos temos de adotar medidas preventivas. Os governos – federal, estadual e municipal – mantendo vigilância e tratamentos aos que adoecerem e a população cuidando obrigatoriamente do controle e eliminação do mosquito. O poder público tem de manter as campanhas de esclarecimento e, mais que isso, multar severamente quem não cuidar do seu imóvel e, com isso, propiciar a procriação do inseto e o alastramento das doenças. É preciso relativizar as notícias sobre o coronavírus e fazer todo empenho contra o vetor da dengue, zika e chikungunya. Estas moléstias não estão para chegar; elas convivem em nosso país e são cada dia mais ameaçadoras à vida…

  • Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

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