
O crédito rural liberado em Mato Grosso do Sul alcançou R$ 1,1 bilhão em março de 2026, conforme dados reunidos no Boletim de Crédito Rural da Aprosoja/MS, elaborado com base em informações do Banco Central. Apesar da retração de 7% na comparação com o mesmo mês do ano passado, o volume representa avanço expressivo de 72% em relação a fevereiro, indicando retomada nas contratações ao longo do mês.
Segundo o levantamento, a maior parte dos recursos foi direcionada ao custeio da produção, que concentrou 59% do total liberado. Esse tipo de financiamento é utilizado principalmente para cobrir despesas da atividade agrícola, como compra de insumos, plantio e manejo das lavouras, mostrando que a prioridade dos produtores tem sido assegurar a continuidade da safra.
As demais modalidades tiveram participação menor nas operações realizadas em março. A industrialização respondeu por 20% do volume contratado, enquanto os investimentos ficaram com 14% e a comercialização representou 7% dos recursos concedidos no período. O cenário revela uma distribuição mais concentrada em despesas operacionais imediatas.
No acumulado da safra 2025/2026, entre julho do ano passado e março deste ano, o crédito rural em Mato Grosso do Sul já soma R$ 11 bilhões. Desse montante, R$ 6,9 bilhões foram destinados à agricultura e R$ 4,1 bilhões à pecuária, refletindo o peso dos dois segmentos na dinâmica produtiva do Estado.
O boletim também mostra que a maior parte das contratações tem ocorrido fora das linhas subsidiadas do Plano Safra, em operações com taxas praticadas pelo mercado. Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, esse contexto amplia a exposição do produtor ao custo dos juros e exige mais cautela na administração financeira, mesmo com a recente redução da taxa Selic de 15% para 14,75%, vista como um alívio gradual no custo do financiamento.
Ainda conforme a análise, o crédito voltado a investimentos segue em patamar mais baixo, sinalizando que muitos produtores têm adiado projetos de expansão e modernização tecnológica. A leitura é de que, diante do custo financeiro ainda elevado, o momento exige prudência, controle de gastos e uso mais estratégico do crédito para manter a atividade e reduzir riscos.
O boletim completo pode ser acessado clicando aqui.




















