Coordenadora Geral da Casa da Mulher Brasileira alerta que ‘O Silêncio Mata’

0
1
Tai Loschi, Coordenadora Geral da Casa da Mulher Brasileira – Foto: Cristina Gomes

Tai Loschi chamou a atenção também para a frase:  ‘se você não for minha, não vai ser de mais ninguém’, que representa uma sentença de morte para a mulher

Tai Loschi, Coordenadora Geral da Casa da Mulher Brasileira – Foto: Cristina Gomes

A coordenadora Geral da Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande, Elza Maria Verlangieri Loschi, mais conhecida como Tai Loschi, disse que quando a vítima de violência doméstica e familiar fala que o homem que a agrediu fez ameaças com a citação: ‘se você não ficar comigo, não vai ficar com mais ninguém’, as técnicas do bloco do psicossocial tremem. “É uma frase que mostra que já está no psíquico dele que vai eliminar ela. Diante da situação, temos que orientá-la da melhor maneira possível, deixando-a em estado de alerta”, afirmou.

Ao destacar a frase “O Silêncio Mata”, Tai Loschi advertiu que combater a violência contra a mulher é responsabilidade de toda a sociedade, pois se tornou uma questão de saúde pública. Conforme a Coordenadora, a vizinha que estiver ouvindo o quebra-pau na frente ou ao lado da casa dela tem que ligar para a polícia [190], inclusive a denúncia pode ser anônima. “Basta dizer o nome da rua, número da residência e o bairro. A sociedade tem que tomar atitude e denunciar”.

As mulheres podem buscar ajuda também, informou a Coordenadora, ligando para o 180, que é uma ligação gratuita nacional; e para a Patrulha Maria da Penha, que funciona na Casa da Mulher Brasileira, pelo número 153.

Especialista em políticas públicas para a mulher, Tai Loschi alerta que a violência doméstica e familiar está instalada no mundo todo, e a Casa da Mulher Brasileira foi criada para dar um atendimento humanizado. Em Campo Grande são aproximadamente 1.300 mulheres atendidas mensalmente.

Conforme Tai Loschi, existem estudos que apontam que o homem além de matar a mulher, está se matando, “e isso acontece porque ele não aceita que tem que mudar”. Ela aponta o machismo como a causa principal desse ciclo de violência, potencializada em muitos casos pelo uso do álcool e da droga.

Perdoar pode ser fatal

Existem casos de mulheres, mesmo sendo vítimas de um grave histórico de violência doméstica, que acabam perdoando o homem agressor diante da promessa de mudança de comportamento.

Para Tai Loschi, esse ato de perdoar pode ser um erro fatal, visto que o homem que praticou todo tipo de violência contra a sua companheira não muda de um dia para o outro e precisa de ajuda, mas esse amparo não é aconselhável que parta da própria vítima. “Quem tem que ajudar é a família dele; ou por meio de uma assistência de um médico psiquiatra. A violência é um ciclo, passando por tensões, brigas, e depois de perdoado, ele pode voltar a cometer as agressões novamente, tornando-se inclusive muito mais violento, até chegar as vias de fato”.

O crime de ódio pode chegar a tal ponto, detalhou Tai Loschi, que a parte do corpo da mulher que o assassino mais admira é a que vai ficar mais desconfigurada.

Violência patrimonial
Além da violência física e psicológica, existe também a patrimonial. Tai Loschi explica que esse tipo de violência não se limita ao fato de o agressor se apossar do dinheiro e bens da mulher. O ato de ele, por exemplo, chutar a bicleta dela; rasgar ou queimar os documentos  também configuram uma agressão patrimonial.

Com relação à medida protetiva, Tai orientou que a mulher deve comunicar aos seus familiares sobre o documento que tem em mãos. “Ela precisa anunciar para os vizinhos, nos lugares onde costuma frequentar, e se souber que está sendo perseguida tem que avisar imediatamente à polícia, porque assim o agressor vai ser preso na hora por descumprir a Lei”.

Atualmente, a Casa da Mulher Brasileira é composta por 250 funcionários, “agregando os poderes da Justiça, Promotoria, Defensoria, 10 delegadas, equipe de inteligência, psicólogas, assistentes sociais, e equipe de apoio, todos sempre procurando trabalhar em harmonia para receber, da melhor forma possível, a mulher que decide romper o silêncio. A mulher chega aqui acabada, com vergonha, medo e até com sentimento de culpa. A mulher tem que entender que a culpa não é dela e sim de seu agressor. Para a violência contra mulher, a tolerância é zero”.