Contribuições da Embrapa Agropecuária Oeste para a agricultura sustentável de Mato Grosso do Sul

  • Por Walder Nunes

O dia 5 de junho é considerado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Uma data que tem como objetivo chamar a atenção da população para os problemas ambientais e para a importância da preservação e conservação dos recursos naturais. Essa data foi instituída em 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo. Ao longo desses 49 anos, desde a Conferência de Estocolmo, inúmeras pesquisas ao redor do planeta buscam encontrar alternativas que ajudem a evitar o consumo exagerado dos recursos naturais (água, solo, ar, entre outros) e a perda constante de biodiversidade.

Walder Nunes é Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agropecuária Oeste – Assessoria

Nesse sentido, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma instituição vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), tem buscado contribuir com a conservação dos recursos naturais. A Embrapa, tem como missão viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, em benefício da sociedade brasileira. A sustentabilidade é de fundamental importância, especialmente quando estamos falando de sistemas agrícolas. De acordo com a Wikipédia, sustentabilidade é uma característica ou condição de um processo ou de um sistema que permite a sua permanência, em certo nível, por um determinado prazo. A sustentabilidade tem como pilar três elementos: meio ambiente, impacto social e economia.

Ao longo de seus 48 anos, a Embrapa e seus parceiros contribuíram para o aumento da produtividade e da produção de grãos, fibras e carnes, assim como para a geração de tecnologias de monitoramento ambiental e formulação de políticas públicas, a exemplo do Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) e na assessoria para a elaboração do novo Código Florestal.

Além das comemorações alusivas ao Dia do Meio Ambiente, o mês de junho, também é uma data especial para a Embrapa Agropecuária Oeste, localizada em Dourados (MS). A Unidade comemora 46 anos, no dia 13 de junho. Ela foi criada para realizar pesquisas com soja, arroz e milho, espécies que eram cultivadas na região e que precisavam de apoio tecnológico para a sua viabilização. Posteriormente, passou a realizar pesquisas com plantio direto, trigo, algodão, mandioca, sistemas integrados (Integração Lavoura Pecuária – ILP e Integração Lavoura Pecuária e Floresta – ILPF), piscicultura, sistemas agroflorestais, hortaliças, cana-de-açúcar, agrometeorologia e monitoramento ambiental. Cabe destacar que os trabalhos com trigo, especialmente na área de melhoramento genético, foram realizados a partir da Cooperação entre a Embrapa Trigo e a Fecotrigo, dando grande destaque à Unidade, que se encontrava ainda em fase embrionária na cidade.

Atualmente, a Unidade atende um amplo espectro de parceiros e desenvolve trabalhos junto a diversos segmentos da agropecuária. Pesquisas relacionadas a Integração Lavoura Pecuária (ILP); manejo de nematoides de cisto, consórcio de milho com braquiária, difusão do capim Capiaçu; zoneamento agrícola de risco climático (ZARC), plantas de cobertura, soja, algodão e mandioca, análises ambientais, sanidade e nutrição de peixes, cana-de-açúcar, são alguns dos alvos de nossas atividades. Nossas pesquisas consistem em desenvolver tecnologias que contribuam com o crescimento e o fortalecimento da agricultura de forma sustentável.

Até mesmo o público urbano se beneficia com as nossas ações, a exemplo das informações meteorológicas disponibilizadas pelo site Guia Clima (https://clima.cpao.embrapa.br), que podem ser acessados inclusive por meio de APP (Baixe aqui – https://play.google.com/store/apps/details?id=br.embrapa.guiaclima).

A Embrapa Agropecuária Oeste, é uma Unidade de Pesquisa Ecorregional, ou seja, tem sua atuação voltada para o aprimoramento de sistemas de produção das cadeias de produtos agropecuários mais relevantes da sua região de abrangência. Conforme a expressão “sustentabilidade da agricultura” acreditamos que a produção de alimentos, fibras e energia serão duradouros, desde que os sistemas utilizados sejam sustentáveis, nos seus três pilares.

A maioria das pesquisas da Unidade tem foco nos sistemas de produção, em que diversos fatores são integrados no espaço e no tempo buscando aumentar a produtividade e diminuir os impactos negativos ao ambiente. Estudos que possibilitem a geração de tecnologias que possam eliminar ou minimizar o uso de agrotóxicos e/ou buscar alternativas menos impactantes para controlar pragas e doenças das culturas, diminuir a emissão de gases de efeito estufa, diminuir ou zerar a erosão do solo, aumentar a eficiência e reduzir o uso de fertilizantes, adequar as culturas às mudanças climáticas, otimizar o consumo de água, monitorar a contaminação dos recursos hídricos, entre outras, constituem algumas das prioridades da Embrapa Agropecuária Oeste. No site da Unidade (https://www.embrapa.br/agropecuaria-oeste) temos várias informações sobre esses estudos. Acesse e conheça alguns de nossos resultados.

Sabemos que a agricultura depende, em alguma medida, do uso de agrotóxicos para sua produção, mas algumas tecnologias, tais como: Manejo Integrado de Pragas, Plantas Daninhas e Doenças, foram desenvolvidas para contribuir com a redução no uso desses produtos, sem comprometer a produtividade das culturas. Diante desse desafio, a Unidade desenvolve ainda pesquisas voltadas para viabilizar a produção orgânica e formas intermediárias de produção em que uma parte expressiva dos agrotóxicos possa ser substituída por produtos alternativos de baixo ou nenhum impacto ambiental. Saiba mais acessando algumas publicações desenvolvidas pela Unidade, elas estão disponíveis para download gratuito e os temas podem ser pesquisados por meio de sistema de busca por palavra-chave (https://www.embrapa.br/agropecuaria-oeste/publicacoes).

A Embrapa Agropecuária Oeste vem trabalhando, há 46 anos, para aprimorar as informações e o conhecimento desenvolvidos por sua equipe, em favor de soluções tecnológicas inovadoras e que contribuam com a sustentabilidade agrícola. Ainda temos muito a avançar. Porém, estamos atentos à tendência irreversível de disponibilizar tecnologias por meio de aplicativos digitais, embarcados em dispositivos móveis e também no uso de soluções automatizadas. Assim, a Embrapa Agropecuária Oeste encontra-se aberta e em busca de parceiros que possam contribuir com essa missão.

  • Walder Nunes é Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agropecuária Oeste

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